rafael m.f. > rafael's Quotes

Showing 1-30 of 217
« previous 1 3 4 5 6 7 8
sort by

  • #1
    Samuel Beckett
    “Perhaps things have changed since. So all I know is that it was much the same weather when I left as when I came, so far as I was capable of knowing what the weather was. And I had been under the weather so long, under all weathers, that I could tell quite well between them, my body could tell between them and seemed even to have its likes, its dislikes. I think I stayed in several rooms one after the other, or alternately, I don’t know. In my head there are several windows, that I do know, but perhaps it is always the same one, open variously on the parading universe. The house was fixed, that is perhaps what I mean by these different rooms. House and garden were fixed, thanks to some unknown mechanism of compensation, and I, when I stayed still, as I did most of the time, was fixed too, and when I moved, from place to place, it was very slowly, as in a cage out of time, as the saying is, in the jargon of the schools, and out of space too to be sure. For to be out of one and not out of the other was for cleverer than me, who was not clever, but foolish. But I may be quite wrong. And these different windows that open in my head, when I grope again among those days, really existed perhaps and perhaps do still, in spite of my being no longer there, I mean there looking at them, opening them and shutting them, or crouched in a corner of the room marvelling at the things they framed.”
    Samuel Beckett, Molloy

  • #2
    Fernando Pessoa
    “Pasmo sempre quando acabo qualquer coisa. Pasmo e desolo-me. O meu instinto de perfeição deveria inibir-me de acabar; deveria inibir-me até de dar começo. Mas distraio-me e faço. O que consigo é um produto, em mim, não de uma aplicação de vontade, mas de uma cedência dela. Começo porque não tenho força para pensar; acabo porque não tenho alma para suspender. Este livro é a minha cobardia.”
    Fernando Pessoa, The Book of Disquiet

  • #3
    Marguerite Duras
    “Que se serait-il passé ? Lol ne va pas loin dans l'inconnu sur lequel s'ouvre cet instant. Elle ne dispose d'aucun souvenir même imaginaire, elle n'a aucune idée sur cet inconnu. Mais ce qu'elle croit, c'est qu'elle devait y pénétrer, que c'était ce qu'il lui fallait faire, que ç'aurait été pour toujours, pour sa tête et pour son corps, leur plus grande douleur et leur plus grande joie confondues jusque dans leur définition devenue unique mais innommable faute d'un mot. J'aime à croire, comme je l'aime, que si Lol est silencieuse dans la vie c'est qu'elle a cru, l'espace d'un éclair, que ce mot pouvait exister. Faute de son existence, elle se tait. Ç'aurait été un mot-absence, un mot-trou, creusé en son centre d'un trou, de ce trou où tous les autres mots auraient été enterrés. On n'aurait pas pu le dire mais on aurait pu le faire résonner. Immense, sans fin, un gong vide, il aurait retenu ceux qui voulaient partir, il les aurait convaincus de l'impossible, il les aurait assourdis à tout autre vocable que lui-même, en une fois il les aurait nommés, eux, l'avenir et l'instant. Manquant, ce mot, il gâche tous les autres, les contamine, c'est aussi le chien mort de la plage en plein midi, ce trou de chair.”
    Marguerite Duras, The Ravishing of Lol Stein

  • #4
    Jorge Cooper
    “Maldigo a vida
    e quem a fez
    Tinha a vista curta
    quem a fez”
    Jorge Cooper, Jorge Cooper - Poesia Completa

  • #5
    Fernando Pessoa
    “Mais vale a sombra de uma árvore do que o conhecimento da verdade, porque a sombra da árvore é verdadeira enquanto dura, e o conhecimento da verdade é falso no próprio conhecimento. Mais vale, para um justo entendimento, o verdor das folhas que um grande pensamento, pois o verdor das folhas, podeis mostrá-lo aos outros, e nunca podereis mostrar aos outros um grande pensamento. Nascemos sem saber falar e morremos sem ter sabido dizer. Passa-se nossa vida entre o silêncio de quem está calado e o silêncio de quem não foi entendido, e em torno disto, como uma abelha em torno de onde não há flores, paira incógnito um inútil destino.
    [...]
    Desenganemo-nos da esperança, porque trai, do amor, porque cansa, da vida, porque farta e não sacia, e até da morte, porque traz mais do que se quer e menos do que se espera.
    Desenganemo-nos, ó Velada, do nosso próprio tédio, porque se envelhece de si próprio e não ousa ser toda a angústia que é.
    Não choremos, não odiemos, não desejemos...
    Cubramos, ó Silenciosa, com um lençol de linho fino o perfil hirto e morto da nossa Imperfeição...”
    Fernando Pessoa

  • #6
    William Shakespeare
    “To-morrow, and to-morrow, and to-morrow,
    Creeps in this petty pace from day to day,
    To the last syllable of recorded time;
    And all our yesterdays have lighted fools
    The way to dusty death. Out, out, brief candle!
    Life's but a walking shadow, a poor player,
    That struts and frets his hour upon the stage,
    And then is heard no more. It is a tale
    Told by an idiot, full of sound and fury,
    Signifying nothing.”
    William Shakespeare, Macbeth

  • #7
    Charles Baudelaire
    “Celui qui regarde du dehors à travers une fenêtre ouverte, ne voit jamais autant de choses que celui qui regarde une fenêtre fermée.”
    Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal

  • #8
    Marcel Proust
    “..j’étais tout de même heureux comme un enfant né dans une prison ou dans un hôpital et qui, ayant cru longtemps que l’organisme humain ne peut digérer que du pain sec et des médicaments, a appris tout d’un coup que les pêches, les abricots, le raisin, ne sont pas une simple parure de la campagne, mais des aliments délicieux et assimilables. Même si son geôlier ou son garde-malade ne lui permettent pas de cueillir ces beaux fruits, le monde cependant lui paraît meilleur et l’existence plus clémente. Car un désir nous semble plus beau, nous nous appuyons à lui avec plus de confiance quand nous savons qu’en dehors de nous la réalité s’y conforme, même si pour nous il n’est pas réalisable. Et nous pensons avec plus de joie à une vie où, à condition que nous écartions pour un instant de notre pensée le petit obstacle accidentel et particulier qui nous empêche personnellement de le faire, nous pouvons nous imaginer l’assouvissant”
    Marcel Proust, À la recherche du temps perdu, Tome II

  • #9
    William Faulkner
    “When the shadow of the sash appeared on the curtains it was between seven and eight o' clock and then I was in time again, hearing the watch. It was Grandfather's and when Father gave it to me he said I give you the mausoleum of all hope and desire; it's rather excruciating-ly apt that you will use it to gain the reducto absurdum of all human experience which can fit your individual needs no better than it fitted his or his father's. I give it to you not that you may remember time, but that you might forget it now and then for a moment and not spend all your breath trying to conquer it. Because no battle is ever won he said. They are not even fought. The field only reveals to man his own folly and despair, and victory is an illusion of philosophers and fools.”
    William Faulkner, The Sound and the Fury

  • #10
    Georges Bataille
    “je saisis en sombrant que la seule verité de l’homme, enfin entrevue, est d’être une supplication sans réponse.”
    Georges Bataille, Œuvres complètes, tome XI : Articles I

  • #11
    Walt Whitman
    “All architecture is what you do to it when you look upon it;
    Did you think it was in the white or gray stone? or the lines of the arches and cornices?”
    Walt Whitman, Leaves of Grass

  • #12
    Torquato Neto
    “Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. é o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. nada no bolso e nas mãos. sabendo: perigoso, divino, maravilhoso. […] difícil, pra quem não é poeta, é não trair a sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. […] e fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. citação: leve um homem e um boi ao matadouro. o que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi. adeusão.

    […]

    Escrever não vale quase nada para as transas difíceis desse tempo, amizade. palavras são poliedros de faces infinitas e a coisa é transparente – a luz de cada face distorce a transa original, dá todos os sentidos de uma vez, não é suficientemente clara, nunca. nem eficaz, é óbvio. depende apenas de transar com a imagem, chega de metáforas, queremos a imagem nua e crua que se vê na rua, a imagem – imagem sem mais reticências, verdadeira.”
    Torquato Neto, Os Últimos Dias de Paupéria

  • #13
    Осип Мандельштам
    “О, как мы любим лицемерить
    И забываем без труда
    То, что мы в детстве ближе к смерти,
    Чем в наши зрелые года.

    Еще обиду тянет с блюдца
    Невыспавшееся дитя,
    А мне уж не на кого дуться
    И я один на всех путях.

    Но не хочу уснуть, как рыба,
    В глубоком обмороке вод,
    И дорог мне свободный выбор
    Моих страданий и забот.

    Февраль -- 14 мая 1932”
    Осип Мандельштам

  • #14
    Cacaso
    “Transporte, 1964

    Meu pai,
    viajamos juntos nesta província
    fronteira
    entre o mar e o coração.
    Jangadas, pessoas, gritos, habitam a praça
    inerte
    entre a minha e tua mão.
    Viajamos distraídos, ombro a ombro
    confundidos
    numa estrada de poeira:
    infindável direção.
    Mas não me viste, meu pai: sopro de ave,
    galera,
    serrania de algodão,
    não viste se desfazendo, em homem
    degenerando
    persistência e distração.
    Não viste a rama florida, a barba,
    material de conduta,
    o orgulho em profusão,
    e juntos nos separamos, no sangue
    e na identidade
    desta curva indistinta:
    Travessia e geração.
    :::
    [...]
    (vida curta, longo mar)
    [...]
    :::
    Fábula, 1965

    Minha pátria é minha infância.
    Por isso vivo no exílio.
    Talvez o barco contasse
    deste percurso no tempo.
    De como seria o escafandro
    isento de tal mergulho.
    Minha pátria é sob a pele:
    Cargueiro no mar de névoa.
    Antigamente os conflitos
    não aspiravam a ser.
    De como fiquei trancado
    na torre em que era dono.
    E a certeza como faca
    engolindo a própria lâmina.
    De como se libertaram
    os mitos presos na forca,
    e o exato espanto vindo da terra,
    dos gestos do imperador.”
    Cacaso, A palavra cerzida
    tags: brasil

  • #15
    Maria Teresa Horta
    “Passei pelos lugares/ que inventámos/// o mar/ o gesto/ o parapeito/// mas não encontrei/ o sol/ nem o recanto em seu espanto/// nem o motivo/ o vitral/ nem a chama que colhemos/// Apenas a estrada me indicava/ a rota das mãos que a não tocavam”
    Maria Teresa Horta, Minha Senhora de Mim

  • #16
    António Ramos Rosa
    “Sim, quero dizer sim ao inacabado
    que é o princípio de tudo
    e o que não é ainda,
    sim ao vazio coração que ignora
    e que no silêncio preserva o sim do início,
    sim a algumas palavras que são nuvens
    brancas e deslizam amplas
    sobre um mundo pacífico,
    sim aos instrumentos simples
    da cozinha,
    sim à liberdade do fogo
    que adensa o vigor da consciência,
    sim à transparência que não exalta
    mas decanta o vinho da presença,
    sim à paixão que é um ajuste ao cimo
    de uma profunda arquitectura íntima,
    sim à pupila já madura
    que se inebria das sombras das figuras,
    sim à solidão quando ela é branca
    e desenha a matéria cristalina,
    sim às folhas que oscilam e que brilham
    ao subtil sopro de uma brisa,sim ao espaço da casa, à sua música
    entre o sono e a lucidez, que apazigua,
    sim aos exercícios pacientes
    em que a claridade pousa no vagar que a pensa,
    sim à ternura no centro da clareira
    tremendo como uma lâmpada sem sombra,
    sim a ti, tempestade que iluminas
    um país de ausência,
    sim a ti, quase monótona, quase nula
    mas que és como o vento insubornável,
    sim a ti, que és nada e atravessas tudo
    e és o sangue secreto do poema”
    António Ramos Rosa, Antologia Poética

  • #17
    Edmond Jabès
    “Hospitalière est, par-dessus tout, l’attente/ "Le ciel, de loin, est ciel. De près, il n’est plus rien"/ ... Incommensurable est l’hospitalité du livre.../ [...] « Tout livre s’écrit dans la transparence d’un adieu », disait-il. [...] « L’aurore n’est pas l’adieu – avait-il noté – ; mais tout adieu est l’éblouissante audace d’une aurore. »/ Demain est le coupable horizon [...]”
    Edmond Jabès, El libro de la hospitalidad

  • #18
    René Char
    “[...] La poésie est de toutes les eaux claires celle qui s’attarde le moins aureflet de ses ponts. [...] / Un poète doit laisser des traces de son passage, non des preuves. Seules les traces font rêver. / La réalité sans l’énergie disloquante de la poésie, qu’est-ce ? / Sur la poésie la nuit accourt, l’éveil se brise, quand on s’exalte à l’exprimer. Quelle que soit la longueur de sa longe, la poésie se blesse à nous, et nous à ses fuyants / En poésie, on n’habite que le lieu que l’on quitte, on ne crée que l’œuvre dont on se détache, on n’obtient la durée qu’en détruisant le temps [...]”
    René Char, En trente-trois morceaux et autres poèmes
    tags: france

  • #19
    Jean Genet
    “[...]

    AINSI JE RESTE SEUL, oublié de lui qui dort dans mes
    bras. La mer est calme. Je n'ose bouger. Sa présence
    serait plus terrible que son voyage hors de moi. Peut­
    être vomirait-il sur ma poitrine.

    Et qu'y pourrais-je faire ? Trier ses vomissures ?
    y chercher parmi le vin, la viande, la bile, ces violettes
    et ces roses qu'y délayent et délient les filets de sang ?”
    Jean Genet, Le condamné à mort et autres poèmes suivi de Le funambule

  • #20
    Mário Cesariny
    “[...]
    Merecemos o nosso passo de bichos de dilúvio
    merecemos que nos ceguem todos os dias
    merecemos estar sozinhos rodeados de prédios
    merecemos ter connosco toda a vontade
    fim princípio moleza de costumes
    [...]”
    Mário Cesariny, Poesia: 1944-1955

  • #21
    W.B. Yeats
    “[...]
    Echo. Into the night.
    Man. O rocky voice
    Shall we in that great night rejoice?
    What do we know but that we face
    One another in this place?
    But hush, for I have lost the theme
    Its joy or night seem but a dream;
    Up there some hawk or owl has struck
    Dropping out of sky or rock,
    A stricken rabbit is crying out
    And its cry distracts my thought.

    [...]and set my boyish lips to say,
    ‘Only the wasteful virtues earn the sun”
    Yeats, William Butler

  • #22
    Robert Frost
    “But no, I was out for stars;
    I would not come in.
    I meant not even if asked;
    And I hadn't been.”
    Robert Frost, Collected poems of Robert Frost

  • #23
    Leonora Carrington
    “The 'Sainthood', I may say, was actually forced upon me. If anyone would like to avoid becoming holy, they should immediately read this entire story.”
    Leonora Carrington, The Complete Stories of Leonora Carrington

  • #24
    Dylan Thomas
    “[...]
    Land, land, land, nothing remains
    Of the pacing, famous sea but its speech,
    And into its talkative seven tombs
    The anchor dives through the floors of a church.
    Goodbye, good luck, struck the sun and the moon,
    To the fisherman lost on the land.
    He stands alone at the door of his home,
    With his long-legged heart in his hand”
    Dylan Thomas, Collected Poems:

  • #25
    Louis Zukofsky
    “5 voices: Handel's harpsichord pieces + T (thought) + D (drama) + S (story) + P (poem)

    T: And it is possible in imagination/// to divorce speech of all graphic elements,/// to let it become a movement of sounds.
    D: I came thru there (points finger downward, moves his head negatively from side to side) My mother hit her mother?/// (falls to the floor in a fit)/// (rises, limp,)
    S: This story was a story of our time./// And a writer's attempts not to fathom his time/// amount but to sounding his mind in it.
    P: Blest / infinite things / /// So many / Which /// confuse imagination / Thru its weakness,”
    Louis Zukofsky, "A"-24

  • #26
    Miroslav Holub
    “[...]
    And Faust knows
    that he will not speak of it,
    and if so only by a comma,
    only by a word in a big new book.
    It is really something like
    a coat of grey fur over the soul,
    like the uniform the unknown soldier
    wears inside him.
    And so he goes and starts a painting,
    or a gay little song,
    or a big new book.
    Nothing has happened but we
    always saw if coming
    All in all India ink
    is the blood's first sister
    and song is just as final
    as life and death
    and equally without allegory,
    without transcendence
    and without fuss.”
    Miroslav Holub, Selected Poems

  • #27
    Susan Howe
    “Once you admit that time past is actually infinite, being a child gradually fades out.
    :::
    That this book is a history of
    a shadow that is a shadow of

    me mystically one in another
    Another another to subserve”
    Susan Howe, That This

  • #28
    Aimé Césaire
    “C’était un très bon nègre.
    [...]
    Et on lui jetait des pierres, des bouts de ferraille, des tessons de bouteille,
    mais ni ces pierres, ni cette ferraille, ni ces bouteilles…
    Ô quiètes années de Dieu sur cette motte terraquée !
    [...]
    Et le fouet disputa au bombillement des mouches la rosée sucrée de nos plaies
    [...]
    (...)
    Embrasse-moi jusqu’au nous furieux
    Embrasse, embrasse NOUS”
    Aimé Césaire, Cahier d'un Retour Au Pays Natal: Return to My Native Land

  • #29
    António Ramos Rosa
    “[...]
    Não posso adiar
    ainda que a noite pese séculos sobre as costas
    e a aurora indecisa demore
    não posso adiar para outro século a minha vida
    nem o meu amor
    nem o meu grito de libertação

    Não posso adiar o coração
    :::
    A noite trocou-me os sonhos e as mãos
    dispersou-me os amigos
    tenho o coração confundido e a rua é estreita
    estreita em cada passo
    as casas engolem-nos
    sumimo-nos
    estou num quarto só num quarto só
    com os sonhos trocados
    com toda a vida às avessas a arder num quarto só
    Sou um funcionário apagado
    um funcionário triste
    a minha alma não acompanha a minha mão
    Débito e Crédito Débito e Crédito
    a minha alma não dança com os números
    tento escondê-la envergonhado
    o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
    e debitou-me na minha conta de empregado
    Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
    Porque não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
    Porque me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?

    Soletro velhas palavras generosas
    Flor rapariga amigo menino
    irmão beijo namorada
    mãe estrela música
    São as palavras cruzadas do meu sonho
    palavras soterradas na prisão da minha vida
    isso todas as noites do mundo uma noite só comprida
    num quarto só
    :::
    [...]
    Esse suor dizia
    mais sobre a verdade
    que todas as palavras

    As palavras mais nuas
    as mais tristes.
    As palavras mais pobres
    as que dormem
    na sombra dos meus olhos.
    Que alegria elas sonham, que outro dia,
    para que rostos brilham?
    Procurei sempre um lugar
    onde não respondessem,
    onde as bocas falassem num murmúrio
    quase feliz,
    as palavras nuas que o silêncio veste.
    [...]”
    António Ramos Rosa, Viagem através duma nebulosa

  • #30
    Charles Simic
    “My mother was a braid of black smoke. She bore me swaddled over the burning cities. The sky was a vast and windy place for a child to play. We met many others who were just like us. They were trying to put on their overcoats with arms made of smoke. The high heavens were full of little shrunken deaf ears instead of stars.”
    Charles Simic, The World Doesn't End



Rss
« previous 1 3 4 5 6 7 8