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Adriana Scarpin
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by Ernst Bloch
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(page 47 of 434)
"Somente a sociedade socialista pode satisfazer o desejo de ócio da velhice." — Jan 04, 2026 11:59PM
"Somente a sociedade socialista pode satisfazer o desejo de ócio da velhice." — Jan 04, 2026 11:59PM
“Eu sabia o que era cérebro de quimio, mas, quando não disse nada, ela continuou a explicar.
Lapsos de memória, problemas de atenção, devaneios, problemas de processamento de informações. Isso pode acontecer mesmo após a interrupção do tratamento. Pode até piorar após a interrupção do tratamento. Disfunção cognitiva. Pode durar anos, em alguns casos para o resto da vida. Eu poderia lhe dar uma tonelada de exemplos, disse ela.
Certa vez, ao enviar um pacote, ela o endereçou a si mesma em vez de à pessoa a quem pretendia encaminhá-lo. Foi comprar sapatos e, mesmo os tendo experimentado, acabou levando o tamanho errado. Então fez a mesma coisa ao comprar uma calça. Vivia perdendo coisas: chaves, carteira, telefone.
Tudo o que escrevia tinha de ser revisado cem vezes, disse ela, e a cada vez eu encontrava pelo menos um erro que havia deixado passar antes. Eu não podia mais confiar no meu julgamento sobre nada. Vinte por cento para o motorista, eu ficava repetindo. Então, na minha confusão, virava vinte dólares.
Quis lhe perguntar, então, como poderia confiar na importante decisão que nos trouxera até aqui. Como sabia que não fora o cérebro de quimio também?”
― What Are You Going Through
Lapsos de memória, problemas de atenção, devaneios, problemas de processamento de informações. Isso pode acontecer mesmo após a interrupção do tratamento. Pode até piorar após a interrupção do tratamento. Disfunção cognitiva. Pode durar anos, em alguns casos para o resto da vida. Eu poderia lhe dar uma tonelada de exemplos, disse ela.
Certa vez, ao enviar um pacote, ela o endereçou a si mesma em vez de à pessoa a quem pretendia encaminhá-lo. Foi comprar sapatos e, mesmo os tendo experimentado, acabou levando o tamanho errado. Então fez a mesma coisa ao comprar uma calça. Vivia perdendo coisas: chaves, carteira, telefone.
Tudo o que escrevia tinha de ser revisado cem vezes, disse ela, e a cada vez eu encontrava pelo menos um erro que havia deixado passar antes. Eu não podia mais confiar no meu julgamento sobre nada. Vinte por cento para o motorista, eu ficava repetindo. Então, na minha confusão, virava vinte dólares.
Quis lhe perguntar, então, como poderia confiar na importante decisão que nos trouxera até aqui. Como sabia que não fora o cérebro de quimio também?”
― What Are You Going Through
“The performance of the actors falls within the province of this same “realism.” They are neither traditional actors, nor individuals living their own story on the screen. It hardly matters, however, if they are career actors like János Derszi, the young man of Almanac of Fall who became the old man of The Turin Horse, or amateurs like Erika Bok, little Estike of Satantango who became the daughter of the old coach driver. They are, in the first place, “personalities,” says Béla Tarr. They have to be the characters, not play them. We must not allow ourselves to be tricked by the apparent banality of the prescription. Their task is not that of identifying themselves with fictional characters. No realism in their words, which punctuate a situation without intending to translate the particularity of the characters. But no need to adopt a “neutral” tone, à la Bresson, either, in order to make the hidden truth of their being appear. Their words are already detached from their bodies, they are an emanation of the fog, of repetition, and of expectation. They circulate throughout the place, are dispersed in its air, or they affect the other bodies in it and arouse new movements. The realism is in the manner of inhabiting situations. Amateurs or professionals, what counts for actors is their capacity to perceive situations and to invent responses, a capacity formed not by classes on the dramatic arts, but by their experience of life, or by an artistic practice forged elsewhere.”
― Béla Tarr, the Time After
― Béla Tarr, the Time After
“Depois explicou que não era fruto de um amor, apenas da solidão e da pouca resistência. Dizia que havia quem a incomodasse à procura de se meter com ela, e ela, nem sempre querendo, tinha pouca força e deixava que acontecesse como quem despachava um assunto. Despachava assim tantos assuntos, era só mais um, a servir de bocadinho de um certo afeto. Porque um homem tocando-lhe, ainda que de modo egoísta e a pensar em outras mulheres, só pelo toque já engana um bocado o coração, que pensa afetivamente ou guarda afetivamente cada sinal de abraço, cada sinal de beijo.”
― O Filho de Mil Homens
― O Filho de Mil Homens
“From this point on, a Béla Tarr film will be an assemblage of these crystals of time, in which the “cosmic” pressure is concentrated. More than all others, his images deserve to be called time-images, images from which duration – the very stuff of which those individualities, which we call situations or characters, are woven – is made manifest. This has nothing to do, then, with the “pieces of nature” that Bresson wanted to take from his models, and to assemble into a painter’s canvass through montage. There are no pieces, no demiurge of montage. Each moment is a microcosm. Each sequence shot has a duty to the time of the world, to the time in which the world is reflected in intensities felt by bodies.”
― Béla Tarr, the Time After
― Béla Tarr, the Time After
“Mas, você sabe”, eu disse, “essa sua ideia de as pessoas não terem filhos. O passo lógico seguinte não seria as pessoas começarem a se suicidar? Porque, afinal, tudo o que fazemos está, realmente, contribuindo para o problema. Cada vez que acendemos uma lâmpada, ou entramos em um carro, ou fazemos qualquer coisa do tipo, estamos usando recursos, poluindo a Terra, destruindo outras espécies e condenando nossos descendentes. Se um número suficiente de nós fizesse o sacrifício eliminando a nós mesmos... isso não ajudaria?”
“Isso não vai acontecer, obviamente.”
“Assim como as pessoas não vão parar de ter filhos.”
“Mas chegaremos a isso.”
“O quê?”
“Pessoas se suicidando para escapar do calor e da escassez de alimentos e de água potável. Muitas o farão antes de chegar a isso.”
“Você faria?”
“Não acho que eu traga isso em mim. Acho que a maioria das pessoas não traz, mesmo que pense que sim. Em todo caso, com exceção de uma guerra nuclear, nossa geração — aquela mesma que poderia ter evitado essa catástrofe — será poupada do pior.”
“Acabei de ler uma resenha de um livro sobre um assistente de laboratório que criou propositalmente um vírus de gripe pandêmica na esperança de matar um número suficiente de humanos para salvar o meio ambiente.”
“Ah, jura? E isso deu certo para o meio ambiente?”
“O resenhista não disse. Sabe como é, não queria dar spoiler.”
“Algum idiota fez piada sobre eu ser um spoiler. ‘Ah, não’, o sujeito tuitou, ‘agora sabemos como a vida na Terra termina’. Acho que quis ser espirituoso.”
“Apenas sarcástico, eu acho.”
“Estou relatando os fatos. Por que grande parte da reação é ser tão hostil comigo?”
“É a sua atitude”, respondi. “Você passa a impressão de ser ranzinza e arrogante... intimidador, até. E você não pode simplesmente chegar lá e dizer às pessoas que não há esperança.”
“Quer dizer, a verdade? Porque não se pode acreditar seriamente que as pessoas vão se recompor e mudar as coisas nos poucos anos que restam antes de chegarmos ao ponto irreversível.”
“Não sei. Mas há algo na maneira como você apresenta a verdade terrível, quase como se você sentisse prazer nela, como se isso lhe desse algum tipo de satisfação sombria. Em outras palavras, sua misantropia transparece.”
Ele riu. “Meu mecanismo de defesa, você quer dizer. Você não pode acreditar seriamente que tenho algum prazer em imaginar o sofrimento reservado a meus netos. Mas é verdade, eu também me sinto hostil. Todas as outras questões à parte, quem poderia perdoar aqueles norte-americanos — e estou falando de todos os privilegiados e instruídos — que elegeram um negacionista da mudança climática para o cargo mais poderoso do mundo, ou os CEOs do petróleo que encobriram as próprias pesquisas sobre a conexão entre os combustíveis fósseis e o aquecimento global desde quando alguma coisa ainda poderia ter sido feita a respeito? A enormidade disso extrapola todos os episódios de genocídio do mundo, na minha opinião. Não sei você, mas perdi completamente a fé na possibilidade de que as pessoas possam fazer a coisa certa.”
“Mas você deve ter alguma esperança, do contrário não continuaria palestrando.”
“É uma contradição, eu sei. Acho que quero ao menos ser capaz de olhar meus netos nos olhos quando eles tiverem idade suficiente para me perguntar onde você estava, o que você fez. E, mesmo que eu saiba que não há mais esperança de acordar a humanidade idiota a tempo, por que as pessoas não deveriam ouvir a verdade? Por que não deveriam, pelo menos, pensar, ainda que apenas durante o tempo dedicado a ler um artigo ou ouvir uma palestra, na própria estupidez monstruosa e no mal que poderiam ter impedido, mas não o fizeram? A verdade é que, toda vez que vejo um recém-nascido, meu coração aperta. Sinto-me terrivelmente zangado, mas também terrivelmente culpado o tempo todo. Estou fazendo o que faço agora porque não fiz mais antes. Desperdicei minha vida com coisas que, por mais importantes que parecessem na época, acabaram se revelando banais.”
― What Are You Going Through
“Isso não vai acontecer, obviamente.”
“Assim como as pessoas não vão parar de ter filhos.”
“Mas chegaremos a isso.”
“O quê?”
“Pessoas se suicidando para escapar do calor e da escassez de alimentos e de água potável. Muitas o farão antes de chegar a isso.”
“Você faria?”
“Não acho que eu traga isso em mim. Acho que a maioria das pessoas não traz, mesmo que pense que sim. Em todo caso, com exceção de uma guerra nuclear, nossa geração — aquela mesma que poderia ter evitado essa catástrofe — será poupada do pior.”
“Acabei de ler uma resenha de um livro sobre um assistente de laboratório que criou propositalmente um vírus de gripe pandêmica na esperança de matar um número suficiente de humanos para salvar o meio ambiente.”
“Ah, jura? E isso deu certo para o meio ambiente?”
“O resenhista não disse. Sabe como é, não queria dar spoiler.”
“Algum idiota fez piada sobre eu ser um spoiler. ‘Ah, não’, o sujeito tuitou, ‘agora sabemos como a vida na Terra termina’. Acho que quis ser espirituoso.”
“Apenas sarcástico, eu acho.”
“Estou relatando os fatos. Por que grande parte da reação é ser tão hostil comigo?”
“É a sua atitude”, respondi. “Você passa a impressão de ser ranzinza e arrogante... intimidador, até. E você não pode simplesmente chegar lá e dizer às pessoas que não há esperança.”
“Quer dizer, a verdade? Porque não se pode acreditar seriamente que as pessoas vão se recompor e mudar as coisas nos poucos anos que restam antes de chegarmos ao ponto irreversível.”
“Não sei. Mas há algo na maneira como você apresenta a verdade terrível, quase como se você sentisse prazer nela, como se isso lhe desse algum tipo de satisfação sombria. Em outras palavras, sua misantropia transparece.”
Ele riu. “Meu mecanismo de defesa, você quer dizer. Você não pode acreditar seriamente que tenho algum prazer em imaginar o sofrimento reservado a meus netos. Mas é verdade, eu também me sinto hostil. Todas as outras questões à parte, quem poderia perdoar aqueles norte-americanos — e estou falando de todos os privilegiados e instruídos — que elegeram um negacionista da mudança climática para o cargo mais poderoso do mundo, ou os CEOs do petróleo que encobriram as próprias pesquisas sobre a conexão entre os combustíveis fósseis e o aquecimento global desde quando alguma coisa ainda poderia ter sido feita a respeito? A enormidade disso extrapola todos os episódios de genocídio do mundo, na minha opinião. Não sei você, mas perdi completamente a fé na possibilidade de que as pessoas possam fazer a coisa certa.”
“Mas você deve ter alguma esperança, do contrário não continuaria palestrando.”
“É uma contradição, eu sei. Acho que quero ao menos ser capaz de olhar meus netos nos olhos quando eles tiverem idade suficiente para me perguntar onde você estava, o que você fez. E, mesmo que eu saiba que não há mais esperança de acordar a humanidade idiota a tempo, por que as pessoas não deveriam ouvir a verdade? Por que não deveriam, pelo menos, pensar, ainda que apenas durante o tempo dedicado a ler um artigo ou ouvir uma palestra, na própria estupidez monstruosa e no mal que poderiam ter impedido, mas não o fizeram? A verdade é que, toda vez que vejo um recém-nascido, meu coração aperta. Sinto-me terrivelmente zangado, mas também terrivelmente culpado o tempo todo. Estou fazendo o que faço agora porque não fiz mais antes. Desperdicei minha vida com coisas que, por mais importantes que parecessem na época, acabaram se revelando banais.”
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