Voyage dans la Lune Quotes

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Voyage dans la Lune Voyage dans la Lune by Cyrano de Bergerac
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Voyage dans la Lune Quotes Showing 1-11 of 11
“Более часа я занимался этим подарком, наконец, повесив эти книги себе на уши в виде серег, я пошел в город, чтобы погулять.”
Сирано де Бержерак, Voyage dans la Lune
“Did your Father consult your Will and Pleasure, when he Embraced your Mother? Did he ask you, if you thought fit to see that Age, or to wait for another; if you would be satisfied to be the Son of a Sot, or if you had the Ambition to spring from a Brave Man? Alas, you whom alone the business concerned, were the only Person not consulted in the case.”
Cyrano de Bergerac, The Other World: The Comical History of the States and Empires of the World of the Moon
“I fancy that the Earth does move, not for the Reasons alledged by Copernicus; but because Hell-fire being shut up in the Center of the Earth, the damned, who make a great bustle to avoid its Flames, scramble up to the Vault, as far as they can from them, and so make the Earth to turn, as a Turn-spit makes the Wheel go round when he runs about in it.”
Cyrano de Bergerac, The Other World: The Comical History of the States and Empires of the World of the Moon
“Sfortunato paese, nel quale i segni della procreazione sono ignominiosi e quelli dell'annientamento sono onorevoli. Eppure, voi chiamate quel membro le parti vergognose, come se ci fosse qualcosa di più glorioso che dare la vita e di più infame che toglierla!”
Cyrano de Bergerac, L'Autre Monde ou les États et Empires de la Lune
“[...]Todavia, protestais que nunca houve verdadeiras possessões. Ao ver as contorções com que agitais os pingentes de vossa roupa, ninguém duvida, aqui, de que tenhais o diabo no corpo; mas vejo bem o que é, procurais não acreditar no que temeis, e quereis curar do mal do inferno através de uma forte imaginação, mas, palavra, sede condenado ou sede salvo, que me importa! Tudo é válido, contanto que nos conventos em que fazeis vossas acrobacias só pendureis as velhas, porque a vinda do anticristo nos faz medo. Rides, senhor Jean, ao ouvir-me raciocinar deste modo, vós em quem o Apocalipse e a mitologia estão no mesmo nível. O inferno é uma historinha para assustar os homens, assim como se ameaçam os filhos do carvoeiro. Confesso que para a manutenção dos Estados, há muitas coisas verdadeiras que o povo deve ignorar, muitas falsas nas quais necessariamente deve crer, mas nossa religião não está estabelecida sobre tal máxima: uma conjuntura ainda quase milagrosa em vós é que sois ao mesmo tempo ímpio e supersticioso, compondo, com os fiozinhos de vossa vida, uma tela de ateísmo e de sortilégios, isso mostra bem que morrereis dançando as campainhas se o heléboro ou Saint-Mathurin não vos curarem.[...]

(trecho de carta)”
Cyrano de Bergerac, Voyage dans la Lune
“[...]Creio que, depois desse funesto meteoro, podemos passar ao vinho, visto que é um trovão líquido, uma cólera potável e um trespasse que faz morrer os bêbados de saúde. Por mais abstinentes que sejamos, ele, o insensato, é a causa pela qual a definição dada por Aristóteles para o homem animal racional seja falsa; pelo menos, durante três meses ao ano pode-se dizer que é no cabaré que se vende a loucura em garrafas, e duvido mesmo que ele não tenha ido até os céus fazer com que o Sol cheire seus vapores, vendo como se deita tão cedo todos os dias. A Terra bebeu tanto no século de Copérnico que se pôs a dar piruetas e, se agora se move, são seguramente ss que a bebedeira lhe faz fazer. Não deixo, contudo, de gostar de ver a aguardente detestar seu pai, porque ele é para mim a testemunha de que o vinho foi forçado a perder o espírito. Ei-nos, portanto, (neste momento) condenados a morrer de sede, visto que nossa bebida está envenenada. Vejamos se as frutas se salvaram do furor de dezembro. Ai de mim! Por uma única [fruta] comida por Adão, cem mil pessoas morreram ainda sem existirem, e se tivesse começado uma segunda, teria infalivelmente expulsado a Terra trinta léguas mais longe. Toda a natureza, agora, está dedicada ao suplício de seus criminosos; ela mesma os coloca no patíbulo, a árvore os atira de ponta-cabeça, o vento os sacode, o Sol os desprende, e os pássaros se saciam com seus troncos apodrecidos. Depois, senhor, não achais errado que eu me irrite quando dizem: “Eis frutas em bom estado”, pois como pode estar em bom estado alguém que se enforcou pessoalmente? Aqui, todos os campos são limitados por vergéis, onde as pedradas respondem à oferta, e não será uma ocasião de dúvida de inocência de uma raça que vemos lapidada a cada momento? Considerando as perniciosas, eu não saberia imaginar o que podem ser senão diabos familiares mais gordos e mais agitados do que os outros; o bosque que os produz tem o cuidado de esconder tal pecado com folhas, como se não tivesse bastante descaramento para desnudar suas partes pudendas; mas agora que se desnudou e que sua verdura caiu, somente se vêem folhas na Universidade. Os vermes, as aranhas e as lagartas atingiram a cima das árvores e, mesmo sendo calvas, não deixam de ter parasitas na cabeça. Este é ainda, sem dúvida, mais um dos serviços do outono que, temendo que morrêssemos apenas de uma morte, após nos ter retirado os alimentos, deunos veneno. O que nos poderia restar de puro entre tantas coisas cujo uso nos é necessário senão, talvez, um pouco de ar; mas ele o sufocou com o contágio. Hoje, a peste (esta doença sem-fim) mantém a morte presa à sua própria; ela derruba a economia do mundo até fazer com que um miserável nascido entre andrajos morra coberto de púrpura, e julgai se o fogo com que nos ataca é ardente, quando basta um carvão sobre um homem para consumi-lo.

(trecho de carta)”
Cyrano de Bergerac, Voyage dans la Lune
“Embora não acrediteis em milagres”, repliquei-lhe, “eles não deixam de acontecer, e muito. Vi muitos com os meus olhos. Conheci mais de vinte doentes curados milagrosamente.”
“Vós dizeis”, interrompeu-me ele, “que aquelas pessoas foram curadas por milagre, mas não sabeis que a força da imaginação é capaz de combater todas as doenças, por causa de um certo bálsamo natural difundido em nossos corpos, contendo todas as qualidades contrárias a todas as de cada mal que nos ataca; e nossa imaginação, advertida pela dor, vai escolher, em seu lugar, o remédio específico que ela opõe ao veneno e nos cura. É por isso que o mais hábil médico de nosso mundo aconselha o doente a escolher de preferência um médico ignorante, que ele considerará muito hábil, do que escolher um muito hábil, que ele considerará ignorante, porque crê que nossa imaginação trabalha para a nossa saúde; por pouco que ela seja ajudada pelos remédios, ela é capaz de nos curar; mas como os mais poderosos eram fracos quando a imaginação não se esforçava! Espantai-vos porque os primeiros homens de nosso mundo viviam tantos séculos sem ter nenhum conhecimento da medicina? Sua natureza era forte, esse bálsamo universal não era dissipado pelas drogas que nossos médicos usam. Para entrar em convalescença eles só podiam desejar ardentemente e imaginar que estavam curados. Logo, sua fantasia, clara, vigorosa e decidida, ia mergulhando nesse óleo vital, aplicava o ativo ao passivo e, quase num abrir e fechar dos olhos, ei-los sãos como antes. Ainda hoje acontecem curas espantosas, mas o povo as atribui a um milagre.”
Cyrano de Bergerac, Voyage dans la Lune
“Ao abrir a caixa, encontrei um não-sei-quê de metal quase completamente igual aos nossos relógios, cheio de um número infinito de pequenas molas e de maquinismos imperceptíveis. Na verdade, é um livro, mas é um livro milagroso que não possui folhas nem letras; enfim, é um livro em que, para aprender, os olhos são inúteis; só precisamos de orelhas. Portanto, quando alguém deseja ler, com uma grande quantidade de chaves ele liga essa máquina, depois gira a agulha para o assunto que deseja ouvir, e ao mesmo tempo sai desse bojo, como da boca de um homem ou de um instrumento de música, todos os sons distintos e diferentes que servem, entre os grandes habitantes lunares, para a expressão de linguagem.
“Quando refleti sobre aquela milagrosa invenção de fazer livros, não mais me espantei ao ver que os jovens daquela região possuíam maiores conhecimentos aos dezesseis e dezoito anos do que os velhos encanecidos da nossa; pois, como sabem ler logo depois de saber falar, não ficam sem leitura; no quarto, ao passear, na cidade, em viagem, a pé, a cavalo, podem ter no bolso, ou dependurados nos arções de suas selas, uns trinta daqueles livros dos quais basta ligar uma mola para ouvir só um capítulo, ou então vários se estão com disposição de escutar um livro inteiro; tendes assim, eternamente ao vosso redor, todos os grandes homens, tanto mortos como vivos, que vos entretêm de viva voz.”
Cyrano de Bergerac, Voyage dans la Lune
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“[...]Dou-vos ainda este outro [livro], de que gosto muito mais, A Grande Obra dos Filósofos, que foi composto por um dos mais fortes espíritos do Sol. Nele, o autor prova que todas as coisas são verdadeiras e mostra a maneira de unir fisicamente as verdades de cada oposição, como, por exemplo, que o branco é preto e o preto é branco; que se pode ser e não ser ao mesmo tempo; que pode haver uma montanha sem vale; que o nada é alguma coisa e que todas as coisas que existem não existem. Mas observai que ele prova esses inauditos paradoxos sem nenhuma razão capciosa nem fraudulenta.[...]”
Cyrano de Bergerac, Voyage dans la Lune
“Os dois professores que esperávamos entraram logo depois, e fomos os quatro juntos para a salinha do jantar, onde encontramos o jovem de quem já me falara. Fizeram-lhe rasgados cumprimentos e o trataram com um respeito tão profundo quanto o de um escravo ao seu senhor; perguntei a causa a meu gênio, que me respondeu que era por sua idade, porque naquele mundo os velhos rendiam toda espécie de honra e deferência aos jovens; mais ainda, que os pais obedeciam a seus filhos tão logo que, na opinião do Senado dos filósofos, tivessem atingido a idade da razão.
“Espantai-vos”, continuou ele, “com um hábito tão contrário ao de vosso país? Todavia ele não repugna à sã razão, pois, em consciência, dizeime, quando um homem jovem e ardente possui a força de imaginar, julgar e executar, não é mais capaz de cuidar de uma família do que um fraco sexagenário? Este pobre embotado, cuja neve dos sessenta invernos enregelou a imaginação, guia-se pelo exemplo dos felizes resultados e todavia foi a sorte que os tornou possíveis contra todas as regras e toda a administração da prudência humana. Quanto ao julgamento, ele também é pouco, embora o comum dos homens em vosso mundo faça dele um apanágio da velhice; e para tirá-lo do engano, ele precisa saber que o que se chama prudência num velho não é mais do que um temor pânico, um medo horrível, que o obseda de empreender alguma coisa. Assim, meu filho, quando não enfrentou um perigo no qual um jovem se lançou, não é porque tivesse prejulgado a catástrofe, mas porque não possuía fogo suficiente para acender esses nobres impulsos que nos fazem ousar, e a audácia naquele jovem era como um penhor da vitória de seu desígnio, porque aquele ardor que faz a prontidão e a facilidade de uma execução era a que o impelia a empreendê-la. Quanto ao fato de executar, eu faria injustiça a vosso espírito se me esforçasse por convencê-lo com provas. Sabeis somente que a juventude é própria para a ação; e se não estais totalmente persuadido disso, dizei-me, peço-vos, quando respeitais um homem corajoso, não será porque ele pode vingar-vos de vossos inimigos ou de vossos opressores? Por que então ter-lhe ainda consideração senão pelo hábito, quando um batalhão de setenta janeiros tiver gelado seu sangue e o frio todos os nobres entusiasmos que animam as pessoas jovens diante da justiça? Quando tendes consideração pelo forte, não será para que vos seja agradecido por uma vitória de que não poderíeis disputar-lhe? Por que então submeter-vos a ele quando a preguiça tiver abatido seus músculos, debilitado suas artérias, evaporado seus espíritos e sugado a medula dos seus ossos! Se adorásseis uma mulher, não seria pela sua beleza? Por que então continuar as vossas genuflexões depois que a velhice fez dela um fantasma a ameaçar de morte os que estão vivos? Enfim, quando honráveis um homem de espírito, era porque com a vivacidade de seu gênio compreendia uma questão complicada e a esclarecia, porque distraía com sua fala elegante uma assembléia de elite, porque ordenava as ciências com um só pensamento, e porque nunca uma bela alma teve mais violentos desejos de a ele se assemelhar. E, contudo, continuais a homenageá-lo, quando seus órgãos gastos tornam sua cabeça imbecil e pesada e quando, em meio a um grupo, parecia mais, pelo seu silêncio, a estatueta de um Deus lar do que um homem capaz de pensar.”
Cyrano de Bergerac, Voyage dans la Lune
“Ninguém opôs dificuldades. Aquele palhaço levou-me para sua casa e ensinou-me a ser fantoche, a dar cambalhotas, a fazer caretas; e à tarde, na porta, recebia dinheiro para mostrar-me. Enfim, o céu, tocado pelos meus sofrimentos e irritado por ver profanado o templo de seu mestre, quis que um dia, enquanto eu me encontrava amarrado na ponta de uma corda, com a qual o charlatão me fazia saltar para divertir os basbaques, um dos que me olhavam, após ter-me considerado com muita atenção, perguntou-me em grego quem era eu. Bem surpreso fiquei ao ouvir falar como em nosso mundo. Ele me interrogou por algum tempo; respondi-lhe e contei-lhe em seguida, sem reservas, todo o meu empreendimento e o resultado de minha viagem. Ele me consolou e lembro que me disse:
“Pois bem! Meu filho, no fim das contas carregais o sofrimento de
vosso mundo. Há banalidade aqui como lá, que não pode suportar o
pensamento de coisas com que não está acostumada. Mas ficai sabendo que vos dão apenas o mesmo tratamento e que se alguém desta terra tivesse subido até o vosso mundo, com a ousadia de dizer-se homem, vossos doutores o fariam sufocar como um monstro ou como um macaco possuído pelo diabo.”
Cyrano de Bergerac, Voyage dans la Lune