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Primeiros Poemas / As Mãos e Os Frutos / Os Amantes Sem Dinheiro Primeiros Poemas / As Mãos e Os Frutos / Os Amantes Sem Dinheiro
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tiago.
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«Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.»
Dec 16, 2021 03:57PM Add a comment
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tiago.
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«Pela noite adiante, com a morte na algibeira,
cada homem procura um rio para dormir,
e com os pés na lua ou num grão de areia
enrola-se no sono que lhe quer fugir.

Cada sonho morre às mãos doutro sonho.
Dez-réis de amor foram gastos a esperar.
O céu que nos promete um anjo bêbado
é um colchão sujo num quinto andar.»
Dec 16, 2021 03:56PM Add a comment
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tiago.
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«Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.»
Dec 14, 2021 12:32PM Add a comment
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tiago.
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«Onde me levas, rio que cantei,
esperança destes olhos que molhei
de pura solidão e desencanto?
Onde me levas?, que me custa tanto.

Não quero que conduzas ao silêncio
duma noite maior e mais completa.
com anjos tristes a medir os gestos
da hora mais contrária e mais secreta.»
Dec 13, 2021 12:26PM Add a comment
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tiago.
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«Tu és a esperança, a madrugada.
Nasceste nas tardes de setembro,
quando a luz é perfeita e mais dourada,
e há uma fonte crescendo no silêncio
da boca mais sombria e mais fechada. (...)

Tu és a esperança onde deponho
meus versos que não podem ser mais nada.
Esperança minha, onde meus olhos bebem,
fundo, como quem bebe a madrugada.»
Dec 13, 2021 12:17PM Add a comment
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tiago.
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Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do meu próprio coração.

Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
o mistério das palavras maduras
ou a brancura de um amor que nos prendia.»
Dec 12, 2021 03:24PM Add a comment
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tiago.
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«ANJO DE PEDRA

Tinha os olhos abertos, mas não via.
O corpo todo era saudade
de alguém que o modelara e não sabia
que o tocara de maio e claridade.

Parava o seu gesto onde pára tudo:
no mistério das coisas por saber;
e ficara surdo e cego e mudo
para que tudo fosse grave no seu ser»
Dec 12, 2021 03:21PM Add a comment
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tiago.
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«Somos folhas breves onde dormem
aves de sombra e solidão.
Somos só folhas e o seu rumor.
Inseguros, incapazes de ser flor,
até a brisa nos perturba e faz tremer.
Por isso a cada gesto que fazemos
cada ave se transforma noutro ser.»
Dec 12, 2021 12:48PM Add a comment
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tiago.
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«Se vens à minha procura,

eu aqui estou. Toma-me, noite,

sem sombra de amargura,

consciente do que dou.


Nimba-te de mim e de luar.

Disperso em ti serei mais teu.

E deixa-me derramado no olhar

de quem já me esqueceu.»
Dec 11, 2021 01:42AM Add a comment
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«Olhos postos na terra, tu virás
no ritmo da própria primavera,
e como as flores e os animais
abrirás nas mãos de quem te espera.»
Dec 11, 2021 01:40AM Add a comment
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tiago.
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«Cantas. E fica a vida suspensa.
É como se um rio cantasse:
em redor é tudo teu;
mas quando cessa o teu canto
o silêncio é todo meu.»
Dec 10, 2021 03:45PM Add a comment
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tiago.
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«ADAGIO

O outono é isto -
apodrecer de um fruto
entre folhas esquecido,
Água escorrendo,
quem sabe donde,
ocasional e fria
e sem sentido.»
Dec 09, 2021 04:14PM Add a comment
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