Andrea Wirkus > Andrea's Quotes

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  • #1
    William Faulkner
    “É preciso duas pessoas para fazer alguém, e uma para morrer. É assim que o mundo vai acabar.”
    William Faulkner

  • #2
    Erich Maria Remarque
    “Muitas vezes, vejo-me diante de mim mesmo como diante de um estranho, quando encontro o reflexo enigmático do passado, nas horas tranquilas, como um espelho embaçado, que revela o perfil de minha vida atual. Então, admiro-me de como esta atividade inexplicável, que se chama Vida, adaptou-se mesmo a tais formas. A vida é simplesmente uma constante vigília contra as ameaças da morte; fez de nós animais, para dar-nos a arma terrível que é o instinto; embotou nossa sensibilidade, para que não nos aniquilássemos diante do horror que se apoderaria de nós, se tivéssemos o pensamento claro e consciente. Despertou em nós o sentimento de companheirismo, para que pudéssemos escapar ao espectro da solidão; emprestou-nos a indiferença dos selvagens, a fim de que, apesar de tudo, sentíssemos de cada momento o positivo e o armazenássemos contra o ataque do Nada.”
    Erich Maria Remarque, Erich Maria Remarque's: All Quiet on the Western Front

  • #3
    João Silvério Trevisan
    “Ocorre-me que a Pátria é uma terrível sina: além do risco de arcar com o destino individual, cada um de nós é obrigado a arcar com o destino da nação, que já tem uma longa história antes de nós, cheia de percalços e vícios que assaltam-nos sem clemência, impondo seus parâmetros e fazendo perguntas que não sabemos responder. Ser brasileiro resulta assim numa fôrma dentro da qual deve-se entrar: uma condenação à revelia.”
    João Silvério Trevisan, Ana em Veneza

  • #4
    F. Scott Fitzgerald
    “Há dez anos a vida era, sobretudo, uma questão pessoal. Eu precisava equilibrar o senso da inutilidade do esforço e o senso da necessidade de lutar; a convicção da inevitabilidade do fracasso e, ainda assim, a determinação de ‘vencer’ - e, mais do que isso, a contradição entre a mão morta do passado e as admiráveis intenções para o futuro. Se eu conseguisse fazer isso apesar dos males comuns da vida - domésticos, profissionais e pessoais -, o ego seguiria como uma flecha atirada do nada para o nada e com tal força que só a gravidade a traria por fim de volta à terra.”
    F. Scott Fitzgerald, Pileques

  • #5
    Simone de Beauvoir
    “Eles acabam comigo os calhordas. A tourada de amanhã me mata. Eu quero ganhar. Eu quero eu quero eu quero eu quero eu quero. Vou deitar cartas para mim. Não. Em caso de infelicidade eu me atiro pela janela eu não quero isso os deixaria eufóricos demais. Pensar em outra coisa. Em coisas alegres. O pequeno bordelês. Não esperávamos nada um do outro não nos fazíamos perguntas nem promessas nós nos metíamos na cama e nos amávamos. Durou três semanas e ele partiu para a África eu chorei chorei. É uma lembrança que me repousa. Essas coisas só acontecem uma vez na vida. Que pena! Quando penso nisso eu me digo que se tivessem sabido me amar eu teria sido a ternura em pessoa.”
    Simone de Beauvoir, The Woman Destroyed

  • #6
    Lorena Portela
    “-- Eu gosto de pensar que estamos vivendo, eu e tu, uma coisa que não é definida no conceito nem do espaço nem do tempo - ela continuou. - Porque isso, nós duas aqui nessa cama, está acontecendo hoje, sim, mas está acontecendo para sempre também. Nós estamos aqui e estaremos em outros lugares, tão logo nos movamos, e isso segue com a gente. E porque estamos aqui, nesta cama, neste hoje, determinamos acontecimentos diferentes dos que aconteceriam se estivéssemos em outros lugares. Todas as decisões que tomei na vida me trouxeram aqui. Tudo que vou ser daqui por diante vai ter isso comigo e os pequenos acontecimentos decorrentes disso determinarão outras coisas em outros momentos. E, mesmo quando não estivermos aqui, isso já existiu e uma existência é inteira, absoluta, irrevogável. Tudo que existiu não inexiste nunca mais.”
    Lorena Portela, Primeiro Eu Tive Que Morrer

  • #7
    Pedro Juan Gutiérrez
    “Gosto de ser belicoso, como bom filho de Ogum. Quando me virem tranquilo, é que já estou apodrecendo.”
    Pedro Juan Gutiérrez, Dirty Havana Trilogy

  • #8
    Rita Lee
    “Uma vez me convidaram para sair pelada numa revista masculina e eu respondi que faria, sim, mas com três condições: vestida de freira, sem óculos e sem franja. Era essa minha ideia de nudez.”
    Rita Lee, Rita Lee: Uma autobiografia

  • #9
    Jostein Gaarder
    “Sou assediada pelo medo, Aurel! Tenho medo daquilo que os homens da Igreja possam um dia fazer a mulheres como eu. Não apenas porque somos mulheres - porque Deus criou-nos mulheres. Mas porque tentamos a vocês, que são homens - pois Deus criou-os homens. Achas que Deus ama os eunucos e castrados acima daqueles homens que amam uma mulher. Então cuida como louvas a obra de Deus, pois ele não criou o homem para se castrar.
    Não posso esquecer o que aconteceu em Roma, e não penso mais em mim, pois não foi sobre mim que desencadeaste tua ira naquele dia. Foi sobre Eva, Excelência Reverendíssima, sobre a mulher. E aquele que faz mal a alguém ameaça a todos.
    Tremo, pois temo o dia que virá quando mulheres como eu serão liquidadas pelos homens da Igreja universal. E por que serão liquidadas, Excelência Reverendíssima? Porque lembrar a vocês o fato de terem renegado suas próprias almas e seus próprios dons. E em nome de quê? De um Deus, dizem vocês todos, daquele que criou um céu acima de vocês e também uma terra onde realmente estão as mulheres que os trazem ao mundo.
    Se Deus existe, que ele te perdoe. Mas talvez venhas a ser julgado um dia por todas as alegrias da vida a que deste as costas. Renuncias ao amor entre homem e mulher. Isso talvez possa ser perdoado. Mas o fazes em nome de Deus.
    A vida é curta, e sabemos muito pouco. Mas se foi por tua ordem que me deram tuas confissões para ler aqui em Cartago, a resposta é não. Não me deixarei batizar, Excelência Reverendíssima. Não é a Deus que temo. Sinto que já vivo com ele, e, afinal, não foi ele que me criou? Nem é o Nazareno que me detém, ele era provavelmente um homem de Deus de fato. E não era ele também justo com as mulheres? É dos teólogos que tenho medo. Que o Deus do Nazareno te perdoe por toda a ternura e todo o amor que proscreveste.
    [Flória Emília foi mulher de Aurélio Agostinho, o Santo Agostinho, por 12 anos antes de ser abandonada]”
    Jostein Gaarder, Vita Brevis: A Letter to St Augustine

  • #10
    Kay Redfield Jamison
    “Naquela noite, enquanto esperava (bordando, vendo a neve cair, ouvindo Chopin e Elgar) que meu inglês apaixonado e instável aparecesse, eu de repente me conscientizei de como a música me parecia clara e tocante; como era de uma beleza extrema e melancólica o fato de eu observar a neve e esperar por ele. Eu estava sentindo mais beleza, mas também mais tristeza de verdade. Quando ele surgiu - elegante, acabando de chegar de um jantar de cerimônia, de smoking, com uma echarpe de seda branca jogada de qualquer jeito em volta do pescoço e uma garrafa de champanhe na mão - pus para tocar a sonata póstuma para piano em si-bemol, D. 960, de Schubert. Seu erotismo belíssimo e obsessivo me encheu de emoção e me fez chorar. Chorei pela contundência de toda a emoção que eu havia perdido sem saber, e chorei pelo prazer de voltar a vivenciá-la. Até hoje, não consigo ouvir essa obra sem me sentir cercada pela linda tristeza daquela noite, pelo amor que eu tinha o privilégio de conhecer e pela lembrança do equilíbrio precário que existe entre a sanidade e um sufocamento sutil e terrível dos sentidos.”
    Kay Redfield Jamison, An Unquiet Mind: A Memoir of Moods and Madness

  • #12
    Jean-Jacques Rousseau
    “Dizer que um homem se dá gratuitamente é uma afirmação absurda e inconcebível; tal ato é ilegítimo e nulo, tão-somente porque aquele que o pratica não está de posse do seu bom-senso. Dizer a mesma coisa de todo um povo é supor uma nação de loucos e a loucura não cria direito.”
    Jean Jacques Rousseau, On The Social Contract

  • #12
    Albert Camus
    “Os flagelos, na verdade, são uma coisa comum, mas é difícil acreditar neles quando se abatem sobre nós. Houve no mundo igual número de pestes e de guerras. E contudo as pestes, como as guerras, encontram sempre as pessoas igualmente desprevenidas. Rieux estava desprevenido, assim como os nossos concidadãos; é necessário compreender assim as duas hesitações. Por isso é preciso compreender, também, que ele estivesse dividido entre a inquietação e a confiança. Quando estoura uma guerra, as pessoas dizem: ‘Não vai durar muito, seria estúpido’. Sem dúvida, uma guerra é uma tolice, o que não a impede de durar. A tolice insiste sempre, e nós a compreenderíamos se não pensássemos sempre em nós. Nossos concidadãos, a esse respeito, eram como todo mundo: pensavam em si próprios. Em outras palavras, eram humanistas: não acreditavam nos flagelos. O flagelo não está à altura do homem; diz-se então que o flagelo é irreal, que é um sonho mau que vai passar. Mas nem sempre ele passa e, de sonho mau em sonho mau, são os homens que passam e os humanistas em primeiro lugar, pois não tomaram as suas precauções. Nossos concidadãos não eram mais culpados que os outros. Apenas se esqueciam de ser modestos e pensavam que tudo ainda era possível para eles, o que pressupunha que os flagelos eram impossíveis. Continuavam a fazer negócios, preparavam viagens e tinham opiniões. Como poderiam ter pensado na peste que suprime o futuro, os deslocamentos e as discussões? Julgavam-se livres e jamais alguém será livre enquanto houver flagelos.”
    Albert Camus, La peste



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