Sof uras > Sof's Quotes

Showing 1-30 of 31
« previous 1
sort by

  • #1
    Clarice Lispector
    “Só no ato do amor - pela límpida abstração de estrela do que se sente—capta-se a incógnita do instante que é duramente cristalina e vibrante no ar e a vida é
    esse instante incontável, maior que o acontecimento em si: no amor o instante de impessoal jóia refulge no ar, glória estranha de corpo, matéria sensibilizada pelo arrepio dos instantes - e o que se sente é ao mesmo tempo que imaterial tão objetivo que acontece como fora do corpo, faiscante no alto, alegria, alegria é matéria de tempo e é por excelência o instante. E no instante está o é dele mesmo.”
    Clarice Lispector, Água Viva
    tags: life, love

  • #2
    Clarice Lispector
    “com o correr dos séculos perdi o segredo do Egito, quando eu me movia em longitude, latitude e altitude com ação energética dos elétrons, prótons, nêutrons, no fascínio que é a palavra e sua sombra". Isso que te escrevi é um desenho eletrônico e não tem passado ou futuro: é simplesmente já.”
    Clarice Lispector, Água Viva

  • #3
    Haruki Murakami
    “O satélite feito pelo homem riscando a negritude do espaço sideral. Os olhos escuros, brilhantes, da cadela olhando fixo pela janela minúscula. Na solidão infinita do espaço, para o que a cadela poderia estar olhando?”
    Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart

  • #4
    Haruki Murakami
    “E agora, ali estava eu, dentro de um circuito fechado, girando minhas rodas. Sabendo que não chegaria a lugar nenhum, mas girando, assim mesmo. Eu tinha de. Tinha de mantê-las girando ou não conseguiria sobreviver.”
    Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart

  • #5
    Haruki Murakami
    “O mundo tinha perdido todo senso de realidade. As cores eram artificiais, os detalhes crus. O fundo era de papel machê, as estrelas feitas com lâminas de alumínio. Dava para ver a cola e a cabeça dos pregos mantendo tudo junto. Comunicações pelo alto-falante entravam e saíam rapidamente da minha consciência. “Os passageiros do vôo 275 da Air France com destino a Paris...” No meio desse sonho ilógico — ou de vigília vacilante —, pensei em Sumire. Como um documentário de eras passadas, fragmentos dos momentos e lugares que partilhamos voltaram à minha mente. No alvoroço do aeroporto, com passageiros apressados, de lá para cá, o mundo que partilhei com Sumire pareceu miserável, indefeso, incerto. Nenhum de nós dois sabia nada que realmente importasse, nem tínhamos capacidade para retificar isso. Não havia nada sólido de que pudéssemos depender. Éramos praticamente zeros ilimitados, apenas pequenos seres lamentáveis levados de roldão de um tipo de esquecimento a outro. Acordei com um suor desagradável”
    Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart

  • #6
    Haruki Murakami
    “Quando saímos do restaurante, o céu era um grande borrifo de cores. O tipo de ar que fazia a gente achar que, se o inalasse, os pulmões seriam tingidos do mesmo tom de azul. Estrelas miúdas começaram a cintilar.”
    Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart

  • #7
    Haruki Murakami
    “No mundo em que vivemos, o que conhecemos e o que não conhecemos são como irmãos siameses, inseparáveis, existindo em um estado de confusão. Confusão, confusão. Podemos realmente distinguir entre o mar e o que se reflete nele? Ou dizer a diferença entre a chuva que cai e a solidão?”
    Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart

  • #8
    Haruki Murakami
    “Adoro essa frase. Tem de ser um dos princípios por trás da realidade. Aceitar coisas que são difíceis de compreender, e deixá-las ser o que são. E sangrar. Atirar e sangrar.
    Já viu alguém levar um tiro e não sangrar?”
    Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart

  • #9
    Haruki Murakami
    “Banhado pela luz pálida da lua, meu corpo, como um
    boneco de gesso, havia perdido todo o calor da vida.
    Como se um feiticeiro vodu tivesse me lançado um
    sortilégio, insuflando a minha vida transitória nessa
    massa de barro. A centelha de vida tinha desaparecido. A minha vida real tinha adormecido em algum lugar, e alguém sem rosto a estava enfiando em uma mala, preparando-se para partir.”
    Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart

  • #10
    Haruki Murakami
    “Fechei os olhos e prestei bastante atenção aos descendentes do Sputnik, mesmo agora circulando ao redor da Terra, a gravidade seu único elo com o planeta. Almas solitárias de metal, na escuridão desobstruída do espaço, encontravam-se, passavam umas pelas outras e se separavam, nunca mais se encontrando. Nenhuma palavra entre elas. Nenhuma promessa a cumprir.”
    Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart

  • #11
    Haruki Murakami
    “Os seres humanos, no fim das contas, têm
    de sobreviver por si próprios.”
    Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart

  • #12
    Osamu Dazai
    “Ainda que de formas diferentes, nós dois
    éramos pessoas perdidas e absolutamente isoladas das atividades humanas. A diferença básica entre nós é que ele agia sem consciência de sua farsa e, sobretudo, sem perceber quanto havia de trágico em sua farsa.”
    Osamu Dazai, O Declínio de um Homem

  • #13
    Osamu Dazai
    “Algumas pessoas têm um pavor tão mórbido dos demais seres humanos que acabam desejando ver com os próprios olhos aparições cada vez mais monstruosas. E quanto mais nervosas são, quanto mais apavoradas ficam, mais rezam para que as tempestades sejam violentas.”
    Osamu Dazai, O Declínio de um Homem

  • #14
    Osamu Dazai
    “É que os covardes temem até mesmo a felicidade. Machucam-se com algodão. Podem se ferir com a própria felicidade.”
    Osamu Dazai, O Declínio de um Homem

  • #15
    Osamu Dazai
    “Sei que as pessoas gostam de mim, apenas me falta a capacidade de amar alguém. (Embora eu tenha minhas dúvidas se os seres humanos, em geral, têm essa capacidade de “amar”.)”
    Osamu Dazai, O Declínio de um Homem

  • #16
    Osamu Dazai
    “Eu temia inclusive a Deus. Não podia crer em amor divino, apenas em punição divina. Fé. Isso, para mim, era como encarar cabisbaixo o tribunal dos céus, somente para poder receber uma chicotada de Deus. Ainda que acreditasse no inferno, por mais que tentasse, não podia acreditar na existência do céu.”
    Osamu Dazai, O Declínio de um Homem

  • #17
    Osamu Dazai
    “Ah! Será que os seres humanos não entendem nada de seus próximos, veem os outros de forma completamente equivocada? E que, mesmo assim, sem se dar conta disso, elegem por toda a vida alguns como melhores amigos, e quando estes morrem, discursam aos prantos no seu funeral?”
    Osamu Dazai, O Declínio de um Homem

  • #18
    Osamu Dazai
    “Conheçais vós, vossa própria pusilanimidade, vossos mistérios, vossa perversidade, vossa ardileza e vossa feitiçaria.”
    Osamu Dazai, O Declínio de um Homem

  • #19
    Osamu Dazai
    “Sociedade. Sentia que talvez estivesse começando a entender o significado dessa palavra. É a luta entre um indivíduo e outro. Além disso, é a luta aqui e agora, a vitória naquele momento: só isso importa. Seres humanos jamais se submetem a outros seres humanos. Mesmo os escravos praticam suas vinganças vis. O ser humano pensa apenas em cada batalha, sem se preocupar em encontrar meios para viver mais. Fala-se em razão e justiça, quando a meta real de todo esforço é o indivíduo. E quando o indivíduo é superado, há outro indivíduo à sua frente. A dificuldade de compreender a sociedade é a dificuldade de compreender o indivíduo.”
    Osamu Dazai, O Declínio de um Homem

  • #20
    Dias Gomes
    “Em política, Dona Dorotéa, os finalmentes justificam os não-obstantes.”
    Dias Gomes, O Bem-Amado

  • #21
    Machado de Assis
    “A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente.”
    Machado de Assis, O Alienista

  • #22
    Machado de Assis
    “A ferocidade, Sr. Soares, é o grotesco a sério.”
    Machado de Assis, O Alienista

  • #23
    Machado de Assis
    “Nada tenho que ver com a ciência; mas, se tantos homens em quem supomos são reclusos por dementes, quem nos afirma que o alienado não é o alienista?”
    Machado de Assis, O Alienista

  • #24
    Lima Barreto
    “Via bem o que fazia o desespero da moça, mas via melhor a causa, naquela obrigação que incrustam no espírito das meninas, que elas se devem casar a todo custo, fazendo do casamento o pólo e fim da vida, a ponto de parecer uma desonra, uma injúria ficar solteira.

    O casamento já não é mais amor, não é maternidade, não é nada disso: é simplesmente casamento, uma coisa vazia, sem fundamento nem na nossa natureza nem nas nossas necessidades.”
    Lima Barreto, O Triste Fim de Policarpo Quaresma

  • #25
    Virginia Woolf
    “Serão medidas terapêuticas — transes durante os quais as mais torturantes lembranças, os eventos que parecem capazes de inutilizar a vida para sempre são varridos com uma folha escura que alisa sua aspereza e doura mesmo os mais feios e mais desprezíveis com brilho e incandescência? Terá o dedo da morte que ser colocado no tumulto da vida, de tempos em tempos, para que não sejamos dilacerados? Será que somos feitos de tal forma que devemos receber a morte em pequenas doses diariamente, ou não podemos continuar com o direito à vida?”
    Virginia Woolf, Orlando

  • #26
    Virginia Woolf
    “[...]toda a pompa é construída sobre a corrupção; como o esqueleto jaz por baixo da carne; como nós, que dançamos e cantamos na superfície, ficaremos embaixo; como o veludo púrpura se transforma em pó; como o anel (aqui Orlando, inclinando sua lanterna, apanharia um anel de ouro faltando uma pedra que rolara para um canto) perdia seu rubi e como o olho, que fora tão radiante, deixara de brilhar.”
    Virginia Woolf, Orlando
    tags: death

  • #27
    Virginia Woolf
    “Pois, uma vez que a doença da leitura se instale no organismo, enfraquece-o, tornando-o presa fácil desse outro flagelo que habita no tinteiro e apodrece na pena. O infeliz dedica-se a escrever.”
    Virginia Woolf, Orlando

  • #28
    Sylvia Plath
    “I saw my life branching out before me like the green fig tree in the story. From the tip of every branch, like a fat purple fig, a wonderful future beckoned and winked. One fig was a husband and a happy home and children, and another fig was a famous poet and another fig was a brilliant professor, and another fig was Ee Gee, the amazing editor, and another fig was Europe and Africa and South America, and another fig was Constantin and Socrates and Attila and a pack of other lovers with queer names and offbeat professions, and another fig was an Olympic lady crew champion, and beyond and above these figs were many more figs I couldn't quite make out. I saw myself sitting in the crotch of this fig tree, starving to death, just because I couldn't make up my mind which of the figs I would choose. I wanted each and every one of them, but choosing one meant losing all the rest, and, as I sat there, unable to decide, the figs began to wrinkle and go black, and, one by one, they plopped to the ground at my feet.”
    Sylvia Plath, The Bell Jar

  • #29
    Haruki Murakami
    “A morte não é o oposto da vida, mas uma de suas partes constituintes.”
    Haruki Murakami, Norwegian Wood
    tags: morte, vida

  • #30
    Haruki Murakami
    “Gaivota desapareceu, mas eu continuei a admirar as flores da cerejeira. Na penumbra primaveril, as flores pareciam uma carne viva irrompendo de uma ferida infeccionada. O jardim se enchia do aroma putrefato, doce e pesado daquela carne podre. foi então que pensei no corpo de Naoko. Seu lindo corpo estendido na escuridão, e surgindo de sua pele inúmeros brotos de plantas, pequenos e verdes, oscilando ligeiramente ao sabor da brisa.”
    Haruki Murakami, Norwegian Wood



Rss
« previous 1