“O humor pode ser, então, uma estratégia para reagir ao sofrimento. Uma espécie de mau perder que leva o humorista, não a adaptar-se ao mundo, mas a afeiçoá-lo a si - mesmo que, para isso, tenha de dobrá-lo, torcê-lo, virá-lo do avesso. Essa acção opera sobre as coisas uma mudança, embora extraordinariamente radical, é apenas aparente - e, portanto , inútil. É uma atitude de valor equivalente à da criança que, depois de levar uma palmada, diz, de lágrimas nos olhos: "Não me doeu." No fundo, é sobretudo a concessão de uma derrota. Portanto, admito que não seja muito. Na verdade, é quase nada. Mas é o que há.”
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Ricardo Araújo Pereira,
A doença, o sofrimento e a morte entram num bar: Uma espécie de manual de escrita humorística