Sangue Quotes

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Sangue: uma antologia portuguesa Sangue: uma antologia portuguesa by Liliana Duarte Pereira
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“Assisti a tudo, gotas de suor formando-se na testa. Queria dizer para pararem, mas não tinha voz. Estava emudecida, os meus dedos procurando em vão uma fenda que já não existia. Senti lágrimas nos olhos quando vi a explosão no ecrã. Fechei os olhos por momentos, e, mesmo assim, vi crianças que morriam queimadas nas ruas estreitas onde brincavam, ruas paralelas à da imagem inicial; as mães, arranhando a própria cara, que gritavam pelos filhos que não mais iriam ver; velhos esfarrapados, a boca aberta num grito perante os pedaços de corpos humanos e animais, emaranhados no fim. Vi um edifício explodir, fragmentos pesados em todas as direcções, acertando em formigas de movimentos velozes. Só que não eram formigas! Onde estava a compaixão? A empatia? E o cumprimento das convenções assinadas, das regras?”
Vanessa Barroca dos Reis, Sangue: uma antologia portuguesa
“Durante a viagem, via pela pequena janela da porta da minha carruagem a carruagem da frente. Quando levava os olhos da paisagem para o caderno, ou da tinta para as folhas, ou ainda de volta do caderno para a paisagem, via a olhar-me, fixamente, um homem ao fundo da outra carruagem. Era um homem alto e magro, vestido com uma gabardina vermelha-acastanhada que contrastava com a sua pele e lábios pálidos. E olhava-me através da janelinha.”
Madalena Feliciano Santos, Sangue: uma antologia portuguesa