Conferências introdutórias à psicanálise 1916-1917 Quotes

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Conferências introdutórias à psicanálise 1916-1917 (Obras completas, vol 13) Conferências introdutórias à psicanálise 1916-1917 by Sigmund Freud
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“Como na paranoia, também na melancolia — da qual, de resto, descrevem-se formas clínicas muito diferentes — encontramos um ponto que nos possibilita vislumbrar a estrutura interna da afecção. Vimos que as autoacusações com que os melancólicos se torturam da maneira mais impiedosa dirigem-se, na verdade, a outra pessoa, ao objeto sexual que perderam ou que se desvalorizou por culpa dele próprio. Disso pudemos concluir que, de fato, o melancólico retirou sua libido do objeto, mas este, mediante um processo que cabe chamar de “identificação narcisista”, foi estabelecido em seu próprio Eu, foi como que projetado para o Eu. Aqui posso lhes oferecer apenas uma imagem ilustrativa, não uma descrição topológico-dinâmica ordenada. Esse Eu passa, então, a ser tratado como o objeto abandonado e sofre todas as agressões e manifestações do desejo de vingança que tinham por alvo o objeto. Mesmo a tendência ao suicídio do melancólico torna-se mais compreensível quando consideramos que a amargura do doente atinge de um só golpe tanto o próprio Eu como o objeto amado-odiado. Na melancolia, assim como em outras afecções narcisistas, evidencia-se de forma patente um traço da vida sentimental que, desde Bleuler, acostumamo-nos a designar como ambivalência. Chamamos assim o direcionamento para a mesma pessoa de sentimentos opostos, ternos e hostis. No curso de nossas palestras, infelizmente não pude relatar-lhes mais acerca dessa ambivalência de sentimentos.”
Sigmund Freud, Conferências introdutórias à psicanálise 1916-1917
“Em primeiro lugar, como se diferenciam conceitualmente narcisismo e egoísmo? Creio que o narcisismo é o complemento libidinal do egoísmo. Quando se fala em egoísmo, tem-se em vista apenas o proveito do indivíduo; no narcisismo, porém, leva-se em consideração também sua satisfação libidinal. Como motivos práticos, os dois podem ser examinados separadamente ao longo de alguma distância. É possível ser absolutamente egoísta e, ainda assim, manter fortes investimentos objetais libidinais, desde que a satisfação libidinal com o objeto seja parte das necessidades do Eu. O egoísmo cuidará, então, para que a aspiração pelo objeto não cause nenhum dano ao Eu. É possível ser egoísta e, ao mesmo tempo, fortemente narcisista, isto é, ter uma necessidade objetal muito pequena, seja na satisfação sexual direta, seja naquelas aspirações mais elevadas, que derivam da necessidade sexual, as quais eventualmente contrapomos à “sensualidade”, sob o nome de “amor”. Em todas essas relações, o egoísmo é o evidente, o constante, e o narcisismo, o elemento variável. O contrário do egoísmo, o altruísmo, não coincide conceitualmente com o investimento objetal libidinal, diferencia-se dele pela ausência das aspirações por satisfação sexual. Quando alguém se enamora totalmente, contudo, o altruísmo e o investimento objetal libidinal convergem. Em regra, o objeto sexual atrai para si uma parte do narcisismo do Eu, e isso se faz notar no que chamamos “superestimação sexual” do objeto. Se, além disso, há a transposição altruísta do egoísmo para o objeto sexual, este se torna extremamente poderoso: absorve o Eu, por assim dizer.”
Sigmund Freud, Conferências introdutórias à psicanálise 1916-1917