Se quiser mudar o mundo Quotes

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Se quiser mudar o mundo: Um guia político para quem se importa Se quiser mudar o mundo: Um guia político para quem se importa by Sabrina Fernandes
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Se quiser mudar o mundo Quotes Showing 1-7 of 7
“O fascismo não surge do nada, mas sua semente permanece oculta em uma sociedade capitalista para que, em momentos de crise e/ou oportunidade, possa brotar como alternativa reacionária. Por isso, concretamente, o fascismo se manifesta como política contrária aos interesses da classe trabalhadora, mesmo que aparente estar a favor do povo (entendido de formas diversas). Essa contradição é carregada principalmente quando o fascismo começa a aflorar, pois há uma busca por consenso para não depender somente da coerção como via de governo.”
Sabrina Fernandes, Se quiser mudar o mundo: Um guia político para quem se importa
“O feminismo envolve muito mais que a igualdade de gênero. E envolve muito mais que gênero. O feminismo deve envolver a consciência em relação ao capitalismo – quer dizer, o feminismo a que me associo. E há múltiplos feminismos, certo? Ele deve envolver uma consciência em relação ao capitalismo, ao racismo, ao colonialismo, às pós-colonialidades, às capacidades físicas, a mais gêneros do que imaginamos, a mais sexualidades do que pensamos poder nomear.”
Sabrina Fernandes, Se quiser mudar o mundo: Um guia político para quem se importa
“quando discutimos sustentabilidade, é necessário, sim, olhar para o consumo, principalmente o consumismo como ideologia dominante e o padrão de consumo de países abastados, que se baseia numa noção de qualidade de vida que mais se preocupa com a quantidade de coisas que alguém deve ter do que com a qualidade do tempo com a família e o acesso pleno à saúde.7 Isso exige pautar outra visão sobre o que de fato é, ou pode ser, uma vida abundante. Como são vários padrões de consumo diferentes distribuídos de forma desigual ao redor do mundo, não adianta fazer uma abordagem simplesmente focada no consumo. É necessário mexer na produção, em especial no sistema econômico que alimenta um ciclo de produção infinita, para consumo infinito, para acumulação infinita por parte dos donos dos meios de produção. Isso significa que, enquanto alteramos formas de consumir, a produção segue em parte como antes e em parte se adapta a novas demandas de mercado. A produção como um todo não passa a ser sustentável com essa mudança na demanda, mas cria um nicho de produção “verde” desde que seja, na maioria, atrelada a lucro. A contradição do sistema é mantida e, se a contradição sistêmica persevera, não há como fugir, individualmente, da contradição formal e simbólica de ser contra a ordem vigente enquanto ela vigora.”
Sabrina Fernandes, Se quiser mudar o mundo: Um guia político para quem se importa
“Como escreve Talíria Petrone, “o feminismo que nos interessa é o feminismo compromissado com o direito à vida, com o bem viver, com a liberdade caracterizada pela responsabilidade com o outro e com a natureza. Porque nem todo feminismo serve a todas as mulheres, à humanidade, ao planeta”.”
Sabrina Fernandes, Se quiser mudar o mundo: Um guia político para quem se importa
“ser importante começar pelo entendimento de que conversas como “nem esquerda nem direita” criam rejeições formais em nome de um suposto “diálogo” e “meio-termo”. Mas há meio-termo possível entre o racismo e o antirracismo? Só um pouco de racismo? Não parece fazer sentido ficar em cima do muro.”
Sabrina Fernandes, Se quiser mudar o mundo: Um guia político para quem se importa
“É preciso normalizar a radicalidade, não o que já é normal; ou seja, transformar a realidade para que aquilo que parece distante ou radical demais hoje possa ser o estado normal das coisas amanhã. Creio ser importante enfatizar isso porque existe uma ideia equivocada sobre o papel dos “radicais” e dos “extremos” na política. Trata-se de uma noção que ganhou bastante apelo nos últimos anos, especialmente depois que a gente passou a viver sob as políticas e conflitos do governo Bolsonaro, classificado também como extrema-direita.”
Sabrina Fernandes, Se quiser mudar o mundo: Um guia político para quem se importa
“Já tratar de igualdade pela base da sociedade significa mexer nas estruturas para que elas não cheguem a produzir tantas diferenças de histórico além de questões pessoais e para que não seja necessário competir por pouquíssimas oportunidades.”
Sabrina Fernandes, Se quiser mudar o mundo: Um guia político para quem se importa