Pequeno Manual Antirracista Quotes

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Pequeno Manual Antirracista Pequeno Manual Antirracista by Djamila Ribeiro
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“Portanto, nunca entre numa discussão sobre racismo dizendo “mas eu não sou racista”. O que está em questão não é um posicionamento moral, individual, mas um problema estrutural. A questão é: o que você está fazendo ativamente para combater o racismo? Mesmo que uma pessoa pudesse se afirmar como não racista (o que é difícil, ou mesmo impossível, já que se trata de uma estrutura social enraizada), isso não seria suficiente — a inação contribui para perpetuar a opressão.”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Interesse pela cultura de certos povos não caminha lado a lado com o desejo de restituir a humanidade de grupos oprimidos”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“O privilégio social resulta no privilégio epistêmico, que deve ser confrontado para que a história não seja contada apenas pelo ponto de vista do poder. É danoso que numa sociedade, as pessoas não conheçam a história dos povos que a construíram”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Durante os quatro anos da minha graduação em filosofia, não me sugeriram a leitura de nenhuma autora branca, quem dirá negra”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Quando Gilberto Freyre, em Casa-grande & senzala, faz afirmações como: “O que a negra da senzala fez foi facilitar a depravação com a sua docilidade de escrava; abrindo as pernas ao primeiro desejo do sinhô-moço”,1 ele contribui para a fetichização. As mulheres negras escravizadas eram tratadas como mercadoria, propriedade, portanto não tinham escolha. Nesse contexto, não há como negar que elas eram estupradas pelos senhores de engenho.”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“As frases destacadas por Sueli Carneiro refletem a história da população negra no Brasil, que, após séculos de escravização, viram imigrantes europeus receberem incentivos do Estado brasileiro, inclusive com terras, enquanto a negritude formalmente liberta pela Lei Áurea era deixada à margem. Os incentivos para imigrantes fizeram parte de uma política oficial de branqueamento da população do país, com base na crença do racismo biológico de que negros representariam o atraso. Essa perspectiva marcou a história brasileira, valorizando culturas europeias em detrimento da cultura negra, segregando a população negra de diversas formas, inclusive por leis e pela esterilização forçada de mulheres negras, prática que o Estado brasileiro manteve até um passado recente, como comprovado pela CPI da Esterilização de 1992, proposta pela deputada federal Benedita da Silva e resultado da pressão feita por feministas negras nos anos 1980.”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Se só convivemos com pessoas de um determinado grupo ou classe social, acreditamos que só aquelas pessoas possuem capacidade para determinado cargo”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“O conceito de lugar de fala discute justamente o lócus social, isto é, de que ponto as pessoas partem para pensar e existir no mundo, de acordo com as suas experiências em comum”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Todo mundo tem lugar de fala, pois todos falamos a partir de um lugar social”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Simone de Beauvoir, em referência a Stendhal, autor que segundo a filósofa atribuía humanidade às suas personagens femininas, dizia que um homem que enxergasse a mulher como sujeito e tivesse uma relação de alteridade para com ela poderia ser considerado feminista. Esse mesmo raciocínio pode ser usado para pensar o antirracismo, com a ressalva de que sobre a mulher negra incide a opressão de classe, de gênero e de raça, tornando o processo ainda mais complexo.”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Como diz Silvio Almeida em seu livro Racismo estrutural: Consciente de que o racismo é parte da estrutura social e, por isso, não necessita de intenção para se manifestar, por mais que calar-se diante do racismo não faça do indivíduo moral e/ou juridicamente culpado ou responsável, certamente o silêncio o torna ética e politicamente responsável pela manutenção do racismo. A mudança da sociedade não se faz apenas com denúncias ou com o repúdio moral do racismo: depende, antes de tudo, da tomada de posturas e da adoção de práticas antirracistas.3”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“O primeiro ponto a entender é que falar sobre racismo no Brasil é, sobretudo, fazer um debate estrutural. É fundamental trazer a perspectiva histórica e começar pela relação entre escravidão e racismo, mapeando suas consequências. Deve-se pensar como esse sistema vem beneficiando economicamente por toda a história a população branca, ao passo que a negra, tratada como mercadoria, não teve acesso a direitos básicos e à distribuição de riquezas.”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“dizia que um homem que enxergasse a mulher como sujeito e tivesse uma relação de alteridade para com ela poderia ser considerado feminista”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Devemos aprender com a história do feminismo negro, que nos ensina a importância de nomear as opressões, já que não podemos combater o que não tem nome. Dessa forma, reconhecer o racismo é a melhor forma de combatê-lo. Não tenha medo das palavras “branco”, “negro”, “racismo”, “racista”. Dizer que determinada atitude foi racista é apenas uma forma de caracterizá-la e definir seu sentido e suas implicações. A palavra não pode ser um tabu,”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“pesquisa do Datafolha realizada em 1995, que mostrou que 89% dos brasileiros admitiam existir preconceito de cor no Brasil, mas 90% se identificavam como não racistas.”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Pessoas brancas devem se responsabilizar criticamente pelo sistema de opressão que as privilegia historicamente, produzindo desigualdades, e pessoas negras podem se conscientizar dos processos históricos para não reproduzi-los”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Se a polícia é o braço armado do Estado opressor, é também um dos lados que cai com a guerra”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Hoje a chamada “guerra às drogas” serve como pretexto para uma guerra contra a população negra.”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Não se trata aqui de dizer que nenhum policial é digno de crédito, porém um julgamento não pode se pautar única e exclusivamente pela palavra de quem prendeu, pois se corre o risco de tornar o policial juiz e carrasco do caso”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Na época, muitas pessoas se manifestaram diante desse absurdo. O que muitas dessas pessoas talvez ignorem é que esse não foi um caso isolado: ele integra uma política de segurança pública voltada para a repressão e o extermínio de pessoas negras, sobretudo homens”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“É uma postura ética: questionar suas próprias ações em vez de utilizar a pessoa amada como escudo. A escuta, portanto, é fundamental”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Apesar do avanço da legislação nos anos 2000, muitas vezes essa profissional não tem seus direitos assegurados nem condições dignas de trabalho, já que, segundo seus patrões ela “é quase da família”. É mais fácil amar pessoas negras quando elas estão “no seu devido lugar”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“É preciso questionar padrões estéticos que desumanizam as mulheres negras”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Numa sociedade racista, machos e heteronormativa, as mulheres negras ficam relegadas ao papel de servir: seja na cozinha, seja na cama”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Essa sexualização retira a humanidade das mulheres, pois deixamos de ser vistas com toda a complexidade do ser humano”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Ao afirmar que “nós carregamos a marca”, Luiz Bairros exemplifica bem a ultra sexualização dos corpos negros femininos que faz com que a imagem das mulheres negras seja vista sob o prisma da exotização”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“É importante refutar a visão colonial, que via os corpos negros como violáveis”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“O racismo conhece o potencial transformador da potência voz de grupos historicamente silenciados”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“Quando comecei a escrever né CartaCapital, comentando filmes, livros ou textos de outras pessoas, mais de uma vez alguém ligou furioso na redação, dizendo que eu não havia entendido o que quiseram dizer. Eu achava curioso, pois era como se a crítica de uma pessoa negra ao trabalho de uma pessoa branca rompesse com o pacto narcísico”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista
“A história da população negra no Brasil, que, após séculos de escravização, viram migrantes europeus receberem incentivos do Estado brasileiro, inclusive com terras, enquanto a negritude formalmente liberta pela Lei Áurea era deixada à margem.”
Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista

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