Motim e destituição Agora Quotes
Motim e destituição Agora
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“Ninguém organizará mais a autonomia dos outros.”
― Motim e destituição Agora
― Motim e destituição Agora
“Ver é conseguir sentir as formas. Contrariamente ao que uma má herança filosófica nos inculcou, a forma não revela a aparência visível, mas o princípio dinâmico. A verdadeira individuação não é a dos corpos, mas a das formas. Basta se debruçar sobre o processo de ideação para se convencer disso: nada ilustra melhor a ilusão do Eu individual e estável do que a crença de que eu teria ideias, quando o que é certo é que as ideias me vêm sem que eu nem mesmo saiba de onde — de processos neuronais, musculares, simbólicos tão enterrados que elas afluem naturalmente quando estou andando, ou quando adormeço e cedem as fronteiras do Eu. Uma ideia que surge é um bom exemplo de forma: em sua enunciação entram em constelação, no plano da linguagem, algo de infraindividual — uma parte de nós, um estalo de experiência, um pedaço de afeto — e algo de supraindividual. Uma forma é algo que mantém reunidos em si, em uma unidade tensa, dinâmica, elementos heterogêneos do Eu e do mundo. Em seu jargão idealista, dizia o jovem Lukács: “A essência da forma sempre residiu no processo por meio do qual dois princípios que se excluem absolutamente tornam-se forma sem se abolir de maneira recíproca; a forma é o paradoxo que tomou o corpo, a realidade da experiência vivida, a vida verdadeira do impossível. Pois a forma não é a reconciliação, mas a guerra, transposta para a eternidade, de princípios em luta.” A forma nasce do encontro entre uma situação e uma necessidade. Uma vez nascida, ela afeta muito para além dela mesma.”
― Motim e destituição Agora
― Motim e destituição Agora
“Não há nenhum sentido em partilhar coisas se não se começa por tornar comum a aptidão em ver. Sem isso, viver o comunismo se parece com uma dança furiosa em um escuro absoluto: nos machucamos, nos ferimos, ficamos cheios de roxos na alma e no corpo, sem nem mesmo o querer e sem saber a quem, justamente, repreender por isso. Acrescentar-se a capacidade de ver de uns e de outros em todos os domínios, compor novas percepções e refiná-las ao infinto, eis o objetivo central de toda elaboração comunista, o crescimento da potência imediata que tal elaboração determina. Aqueles que nada querem ver só podem produzir desastres coletivos. É preciso se fazer vidente, para si mesmo, assim como para os outros.”
― Motim e destituição Agora
― Motim e destituição Agora
“A vidência é a visão do que está tomando forma: […] Perceber exatamente o que acontece neste exato segundo é mais decisivo do que saber de antemão o futuro distante.” […] A aptidão à vidência não deve nada a um vasto saber, que com frequência serve para ignorar o essencial.”
― Motim e destituição Agora
― Motim e destituição Agora
“Heiner Müller ia mais longe: “Aquilo que o capitalismo oferece se dirige a conjuntos coletivos, mas está formulado de tal maneira que isso os faz explodir. Ao contrário, aquilo que o comunismo oferece é a solidão absoluta. O capitalismo jamais oferece a solidão, mas sempre e apenas o pôr-se em comum. McDonald's é a oferta absoluta da coletividade. Em qualquer lugar do mundo se está sentado sempre no mesmo local; come-se a mesma merda e todos estão contentes. Pois no McDonald's são um coletivo. Inclusive os rostos nos restaurantes McDonald se tornam cada vez mais parecidos. […] Há o clichê do comunismo como coletivização. Nada disso; o capitalismo é a coletivização. […] Diante de seu espelho, o comunismo não lhes dá nada. É sua superioridade. O indivíduo é reduzido à sua existência própria. O capitalismo pode sempre lhes dar algo, na medida em que ele distancia as pessoas delas mesmas.” (Heiner Müller, Fautes d'impression)
Sentir, escutar, ver não são faculdades politicamente indiferentes nem equitativamente repartidas entre os contemporâneos. E o espectro do que uns e outros percebem é variável. No mais, nas relações sociais atuais, a rigor se deve permanecer na superfície e temer que um convidado não tenha vertigem ao abismar seu olhar para dentro de si mesmo. Se todo circo social ainda dura, é porque todo mundo se esforça em manter a cabeça fora d'água, quando de fato se deveria aceitar cair até tocar algo de sólido.”
― Motim e destituição Agora
Sentir, escutar, ver não são faculdades politicamente indiferentes nem equitativamente repartidas entre os contemporâneos. E o espectro do que uns e outros percebem é variável. No mais, nas relações sociais atuais, a rigor se deve permanecer na superfície e temer que um convidado não tenha vertigem ao abismar seu olhar para dentro de si mesmo. Se todo circo social ainda dura, é porque todo mundo se esforça em manter a cabeça fora d'água, quando de fato se deveria aceitar cair até tocar algo de sólido.”
― Motim e destituição Agora
“Heiner Müller ia mais longe: "Aquilo que o capitalismo oferece se dirige a conjuntos coletivos, mas está formulado de tal maneira que isso os faz explodir. Ao contrário, aquilo que o comunismo oferece é a solidão absoluta. O capitalismo jamais oferece a solidão, mas sempre e apenas o pôr-se em comum. McDonald's é a oferta absoluta da coletividade. Em qualquer lugar do mundo se está sentado sempre no mesmo local; come-se a mesma merda e todos estão contentes. Pois no McDonald's são um coletivo. Inclusive os rostos nos restaurantes McDonald se tornam cada vez mais parecidos. [...] Há o clichê do comunismo como coletivização. Nada disso; o capitalismo é a coletivização. [...] Diante de seu espelho, o comunismo não lhes dá nada. É sua superioridade. O indivíduo é reduzido à sua existência própria. O capitalismo pode sempre lhes dar algo, na medida em que ele distancia as pessoas delas mesmas." (Heiner Müller, Fautes d'impression)
Sentir, escutar, ver não são faculdades politicamente indiferentes nem equitativamente repartidas entre os contemporâneos. E o espectro do que uns e outros percebem é variável. No mais, nas relações sociais atuais, a rigor se deve permanecer na superfície e temer que um convidado não tenha vertigem ao abismar seu olhar para dentro de si mesmo. Se todo circo social ainda dura, é porque todo mundo se esforça em manter a cabeça fora d'água, quando de fato se deveria aceitar cair até tocar algo de sólido.”
― Motim e destituição Agora
Sentir, escutar, ver não são faculdades politicamente indiferentes nem equitativamente repartidas entre os contemporâneos. E o espectro do que uns e outros percebem é variável. No mais, nas relações sociais atuais, a rigor se deve permanecer na superfície e temer que um convidado não tenha vertigem ao abismar seu olhar para dentro de si mesmo. Se todo circo social ainda dura, é porque todo mundo se esforça em manter a cabeça fora d'água, quando de fato se deveria aceitar cair até tocar algo de sólido.”
― Motim e destituição Agora
“O essencial se passa no nível do ínfimo.”
― Motim e destituição Agora
― Motim e destituição Agora
“A experiência banal da vida, em nossos dias, é muito mais a de uma sucessão de encontros que pouco a pouco nos desfazem, nos desagregam, nos furtam progressivamente todo ponto de apoio certo.”
― Motim e destituição Agora
― Motim e destituição Agora
“A palavra “vida”, em hebreu, é um plural, assim como a palavra “rosto”. Porque em uma vida há muitas vidas e porque em um rosto há muitos rostos. Os vínculos entre os seres não se estabelecem de entidade a entidade. Todo vínculo se dá de fragmento de ser a fragmento de ser, de fragmento de ser a fragmento de mundo, de fragmento de mundo a fragmento de mundo. Ele se estabelece aquém e além da escala individual. Agencia imediatamente entre elas porções de seres que, de uma só vez, descobrem no mesmo nível, experimentam-se como contínuos. Essa continuidade entre fragmentos é o que se sente como “comunidade”.”
― Motim e destituição Agora
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