Amor, sexualidade, feminilidade Quotes
Amor, sexualidade, feminilidade
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Sigmund Freud35 ratings, 4.57 average rating, 6 reviews
Amor, sexualidade, feminilidade Quotes
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“Há algum tempo, o acaso deu-me a oportunidade de entender o sonho de uma recém-casada que podia ser reconhecido como reação à sua desvirginização. Ele delatava, sem coerção, o desejo da mulher de castrar o jovem esposo e de guardar para si o seu pênis. Por certo também havia espaço para a interpretação mais inofensiva, de que teria desejado o prolongamento e a repetição do ato, no entanto, alguns pormenores do sonho contrariavam esse significado, e tanto o caráter como a conduta posterior da sonhadora testemunhavam a favor da concepção mais séria. Por trás dessa inveja do pênis, agora vem à luz a amargura hostil da mulher contra o homem, nunca totalmente ausente nas relações entre os sexos, e da qual existem os mais claros indícios nos esforços e nas produções literárias das “emancipadas”. Essa hostilidade da mulher Ferenczi reconduz – não sei se ele foi o primeiro –, em uma especulação paleobiológica, a uma época da diferenciação dos sexos. No início, diz ele, a cópula acontecia entre dois indivíduos semelhantes, dos quais, no entanto, um desenvolveu-se como mais forte e forçou o mais fraco a tolerar a união sexual. A amargura por essa sujeição persistiria ainda na disposição atual da mulher.
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Portanto, podemos dizer, concluindo: a defloração não tem apenas uma consequência cultural de atar, de maneira duradoura, a mulher ao homem; ela também desata, contra o homem, uma reação arcaica de hostilidade que pode assumir formas patológicas, exteriorizando-se com bastante frequência no aparecimento de inibições na vida amorosa do casal, e às quais podemos atribuir o fato de que segundos casamentos tantas vezes dão mais certo que os primeiros. O estranho tabu da virgindade, o horror com que, entre os primitivos, o marido evita a defloração, encontram nessa reação hostil sua completa justificativa.
Mas é interessante que, como analistas, possamos encontrar mulheres nas quais ambas as reações opostas de sujeição e hostilidade encontraram expressão e permaneceram em íntima conexão recíproca. Há certas mulheres que parecem totalmente em desacordo com seus maridos e que, mesmo assim, só conseguem fazer vãos esforços para deles se separar. Todas as vezes que tentam endereçar seu amor a um outro homem intervém a imagem do primeiro, mesmo que não mais amado, como inibidora. A análise ensina, então, que essas mulheres, de fato, ainda dependem da sujeição ao seu primeiro marido, mas não mais por ternura. Não se liberam deles porque não completaram sua vingança contra eles e, em casos mais acentuados, nem sequer tomaram consciência da sua moção vingativa.”
― Amor, sexualidade, feminilidade
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Portanto, podemos dizer, concluindo: a defloração não tem apenas uma consequência cultural de atar, de maneira duradoura, a mulher ao homem; ela também desata, contra o homem, uma reação arcaica de hostilidade que pode assumir formas patológicas, exteriorizando-se com bastante frequência no aparecimento de inibições na vida amorosa do casal, e às quais podemos atribuir o fato de que segundos casamentos tantas vezes dão mais certo que os primeiros. O estranho tabu da virgindade, o horror com que, entre os primitivos, o marido evita a defloração, encontram nessa reação hostil sua completa justificativa.
Mas é interessante que, como analistas, possamos encontrar mulheres nas quais ambas as reações opostas de sujeição e hostilidade encontraram expressão e permaneceram em íntima conexão recíproca. Há certas mulheres que parecem totalmente em desacordo com seus maridos e que, mesmo assim, só conseguem fazer vãos esforços para deles se separar. Todas as vezes que tentam endereçar seu amor a um outro homem intervém a imagem do primeiro, mesmo que não mais amado, como inibidora. A análise ensina, então, que essas mulheres, de fato, ainda dependem da sujeição ao seu primeiro marido, mas não mais por ternura. Não se liberam deles porque não completaram sua vingança contra eles e, em casos mais acentuados, nem sequer tomaram consciência da sua moção vingativa.”
― Amor, sexualidade, feminilidade
“Lá onde o primitivo estabeleceu um tabu, é onde ele teme um perigo, e não se pode negar que em todas essas regras de evitação está expresso um horror fundamental à mulher. Talvez esse horror esteja justificado pelo fato de a mulher ser diferente do homem, eternamente incompreensível e misteriosa, estranha, e por isso parecer hostil. O homem teme ser enfraquecido pela mulher, ser contaminado por sua feminilidade e então mostrar-se incapaz. O efeito relaxante, diluidor das tensões relacionadas ao coito pode ser o modelo para esse temor, e a percepção da influência que a mulher ganha sobre o homem através da relação sexual, a consideração a que ela obriga por isso, justificam a ampliação desse medo [Angst].”
― Amor, sexualidade, feminilidade
― Amor, sexualidade, feminilidade
“Sendo assim, talvez precisássemos nos familiarizar com o pensamento de que de nenhuma maneira é possível equiparar as exigências da pulsão sexual com as demandas da cultura, de que renúncia e sofrimento, bem como o perigo de extinção da espécie humana, não podem, no futuro mais remoto, ser evitados em consequência do desenvolvimento de sua cultura. Este sombrio prognóstico repousa, na verdade, em uma única suposição, a de que a insatisfação cultural é a consequência necessária de certas particularidades que a pulsão sexual adotou sob a pressão da cultura. A mesma incapacidade de a pulsão sexual produzir satisfação, tão logo for submetida aos primeiros requisitos da cultura, torna-se, no entanto, a fonte das mais grandiosas realizações culturais, que são obtidas através de uma sublimação sempre contínua dos seus componentes pulsionais. Pois que motivos teriam os seres humanos para colocar as forças pulsionais a outros serviços se em qualquer outra distribuição se poderia obter delas total satisfação prazerosa? Nunca deixariam esse prazer e não produziriam nenhum outro progresso. Parece, então, que através da diferença incomparável entre as exigências de ambas as pulsões – das sexuais e das egoístas – os homens se tornaram capazes das mais elevadas realizações [Leistungen], é verdade que sob uma ameaça permanente, à qual atualmente sucumbem os mais fracos na forma de neurose.”
― Amor, sexualidade, feminilidade
― Amor, sexualidade, feminilidade
“Pensemos, por exemplo, na relação daquele que bebe com o vinho. Não é verdade que o vinho sempre oferece ao bebedor a mesma satisfação tóxica que na poesia tantas vezes foi comparada com a satisfação erótica e que também se pode comparar do ponto de vista da concepção científica? Alguma vez já se ouviu falar que o bebedor precisa constantemente trocar de bebida porque beber sempre a mesma logo não vai ter o mesmo sabor? Ao contrário, o hábito sempre estreita cada vez mais o laço entre o homem e o tipo de vinho que ele bebe. Acaso sabemos, sobre o bebedor, de uma necessidade de ir a um país no qual o vinho seja mais caro ou em que a fruição do vinho seja proibida, para que sua satisfação decrescente possa ser auxiliada pela interpolação dessas dificuldades? De maneira alguma. Se ouvirmos o que dizem os nossos grandes alcoólatras, por exemplo, Böcklin, sobre sua relação com o vinho, ela soa como a mais pura harmonia, como o modelo de um casamento feliz. Por que será tão diferente a relação do amante com seu objeto sexual?”
― Amor, sexualidade, feminilidade
― Amor, sexualidade, feminilidade
