Fundamentals of Psychoanalytic Technique Quotes
Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
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Fundamentals of Psychoanalytic Technique Quotes
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“Uma interpretação que contém um significado que pode ser facilmente compreendido não será uma interpretação psicanalí tica, precisamente falando. É, isso sim, equivalente à sugestão. A particularidade da interpretação psicanalítica, como as diversas outras técnicas psicanalíticas que já mencionei em capítulos anteriores, não serve para dar ao paciente algum significado em que ele se apegue, e sim para fazê-lo trabalhar. Questionamentos, pontuações, escansões são destinados a descobrir, revelar e, em alguns momentos, destruir os significados implícitos na fala do paciente, levando-o a se esforçar para colocar em palavras o que nunca disse antes.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
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“O que uma pessoa psicótica quer quando vem falar com um terapeuta? E deve o analista se recusar a dar à psicótica o que ela quer, assim como faz no trabalho com neuróticos? Em terapia, os psicóticos parecem procurar alguém para ouvi-los, e que não lhes dirá imediatamente que o que eles dizem faz parte da doença e deveria ser esquecido. Eles continuarão falando com alguém que aceite ser uma testemunha do que acontece com eles e que ainda está acontecendo sem julgamento, sem críticas, e sem necessaria mente acreditar ou não - alguém que seja capaz de aceitar dentro de um certo contexto, esse contexto estando dentro dos limites da situação analítica (enquanto poderia ser útil para o analista adotar a mesma posição nas primeiras entrevistas com neuróticos, eles provavelmente considerarão o analista um ingênuo ou tolo caso continue adotando essa posição além de certo ponto).
Isso não significa que o analista precisa aceitar todas as atitu des da psicótica fora do setting analítico, mas ele deve pelo menos aceitar o que ela tem a dizer, naquilo que poderíamos chamar de "parênteses" do setting analítico. Isso possibilita que a análise fique situada em um lugar diferente do que seria o restante da vida da paciente - em um lugar que seja isolado, retirado, ou equiparado com a vida diária, onde as palavras sejam levadas a sério, mesmo que não precisem insinuar quaisquer ações específicas. Uma trama de significados poderia ser fiada, parcialmente desfiada e novamente tecida e elaborada com muitos detalhes sem envolver qualquer coisa em particular feita fora do consultório .”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Isso não significa que o analista precisa aceitar todas as atitu des da psicótica fora do setting analítico, mas ele deve pelo menos aceitar o que ela tem a dizer, naquilo que poderíamos chamar de "parênteses" do setting analítico. Isso possibilita que a análise fique situada em um lugar diferente do que seria o restante da vida da paciente - em um lugar que seja isolado, retirado, ou equiparado com a vida diária, onde as palavras sejam levadas a sério, mesmo que não precisem insinuar quaisquer ações específicas. Uma trama de significados poderia ser fiada, parcialmente desfiada e novamente tecida e elaborada com muitos detalhes sem envolver qualquer coisa em particular feita fora do consultório .”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“Como temos visto, o ego neurótico, na grande maioria dos casos, é muito forte para seu próprio bem. É tão forte e rígido que a repressão ocorre todas as vezes que os pensamentos sexuais ou agressivos não se encaixam em sua visão de si mesmo, levando ao retorno dos sintomas reprimidos. Não haveria tais sintomas se o ego fosse fraco para empurrar tais impulsos para fora de si. As sim, uma das metas da análise com neuróticas é liberar a inflexibilidade do ego, pois é essa rigidez que faz com que tantas coisas sejam removidas da mente. Para isso, o analista levanta questão ou busca por lacunas na totalidade, o ego é constantemente re constituído na tentativa de racionalizar o comportamento e impulsos da paciente. O analista desconstrói a visão que a paciente tem de si, que se cristaliza constantemente, de tal modo que excclui uma parte de si mesma.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
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“Na visão de Freud, o afeto do Homem dos Ratos não era "inadequado" mas sim deslocado: o afeto (as autocensuras, autorrecriminações, e a sensação de ser um criminoso) estava conectado ao desejo duradouro do Homem dos Ratos de que seu pai morresse (seu afeto poderia assim ser caracterizado como "adequado'' àquele desejo, enquanto o seu senso moral o condenava), não ao fato de que ele houvesse perdido os últimos momentos de vida de seu pai. Esse último era uma "conexão falsa". Na verdade, sempre que a analista estiver tentada a qualificar o afeto de alguém como "inadequado", em vez disso, ela deveria pensar em deslocamento ou projeção.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
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“Sandler (1987) sustentou que o estágio 3 no desenvolvimento do conceito de identificação projetiva veio com Wilfred Bion, que, do ponto de vista de Sandler, tem uma vantagem sobre Racker:
mais do que ver a analista atuando no papel da identificação, concordante ou complementar - sugere que a subjetividade da analista está de alguma forma envolvida -, Bion (1962) descreveu a analista como um objeto de várias espécies (oposto a um sujeito), como um "container" dentro do qual o paciente simplesmente coloca o que quiser, a analista não aceita nem rejeita algumas ou todas as projeções do paciente (Ogden, 1982, p. 161, chamou a analista de "um receptáculo no qual as partes indesejadas podem ser despejadas"). O efeito dessa reconceitualização é tirar a analista dessa igualação, de certa forma, sugerindo que a analista não pode, de forma alguma, ser culpada ou, ao contrário, ser responsabilizada pelo que está sentindo e experimentando: seus "sentimentos con tratransferenciais" na verdade não são totalmente contratransferenciais, uma vez que correspondem diretamente e de uma forma intuitiva à transferência do paciente.”
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mais do que ver a analista atuando no papel da identificação, concordante ou complementar - sugere que a subjetividade da analista está de alguma forma envolvida -, Bion (1962) descreveu a analista como um objeto de várias espécies (oposto a um sujeito), como um "container" dentro do qual o paciente simplesmente coloca o que quiser, a analista não aceita nem rejeita algumas ou todas as projeções do paciente (Ogden, 1982, p. 161, chamou a analista de "um receptáculo no qual as partes indesejadas podem ser despejadas"). O efeito dessa reconceitualização é tirar a analista dessa igualação, de certa forma, sugerindo que a analista não pode, de forma alguma, ser culpada ou, ao contrário, ser responsabilizada pelo que está sentindo e experimentando: seus "sentimentos con tratransferenciais" na verdade não são totalmente contratransferenciais, uma vez que correspondem diretamente e de uma forma intuitiva à transferência do paciente.”
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“Se há algo que pode ajudar uma analista a se autossupervisionar é escrever uma formulação completa do caso - coisa que eu recomendaria como uma introdução para ou preparação para supervisão por outra pessoa. Essa formulação incluiria: ( 1) tanto quanto possível a infância do paciente e sua história atual e como conseguir juntar as peças, em ordem cronológica; (2) o que o paciente informa como sendo seu atual problema, assim como o que apareceu durante o trabalho, são questões que precipitaram a busca pela terapia; (3) as principais articulações do trabalho que têm sido feitas até o momento, incluindo conexões importantes que foram elaboradas sobre a história e os relacionamentos do paciente, assim como qualquer mudança de perspectiva a que se chegou (por exemplo, o paciente deve ter colocado, inicialmente, todos os problemas da família em seu pai, concluindo depois que seu pai na verdade foi vítima e sua mãe passou a ser a culpada e, mais tarde ainda, chegou com uma ideia mais branda sobre os problemas);
( 4) todos os sintomas, os mais transitórios e os mais duráveis, que foram amplamente discutidos e seus possíveis significados, com hipóteses sobre o que o material reprimido fez para a sua forma ção; (5) as fantasias (de todos os tipos) que o paciente tem con tado e suas possíveis convergências em algo como uma fantasia fundamental, sugerindo o que sua atitude mais básica em direção ao Outro pode ser; e (6) diagnósticos (se o diagnóstico não estiver claro, as razões para se pensar que certo diagnóstico faz sentido deveriam ser elucidadas, assim como as razões para pensar que um diagnóstico diferente também faz sentido).”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
( 4) todos os sintomas, os mais transitórios e os mais duráveis, que foram amplamente discutidos e seus possíveis significados, com hipóteses sobre o que o material reprimido fez para a sua forma ção; (5) as fantasias (de todos os tipos) que o paciente tem con tado e suas possíveis convergências em algo como uma fantasia fundamental, sugerindo o que sua atitude mais básica em direção ao Outro pode ser; e (6) diagnósticos (se o diagnóstico não estiver claro, as razões para se pensar que certo diagnóstico faz sentido deveriam ser elucidadas, assim como as razões para pensar que um diagnóstico diferente também faz sentido).”
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“O amor do paciente pelo conhecimento, conhecimento que espera encontrar na analista, tem um importante papel em uma análise que já irá se encerrar. Como os discípulos de Sócrates, que acreditavam que Sócrates tinha muito conhecimento, mesmo que ele dissesse que não tinha (exceto em relação ao amor), e foram em busca do conhecimento precisamente porque acreditavam que ele o possuía, os pacientes são capazes de se engajar em uma árdua tarefa na busca de conhecimento sobre eles mesmos, precisamente porque acreditam que a analista o possua. De fato, Lacan considerou essa crença uma força motriz indispensável na análise com neuróticos.”
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“Em numerosos casos, o analista deve perguntar, a cada poucas sessões, se a paciente se lembra de algumas fantasias de masturbação (assim a paciente percebe que o analista quer que ela preste atenção, recorde-se e fale sobre elas) ou quaisquer fantasias sexuais, se o termo não parecer demais. Perguntar uma vez raramente é suficiente! E mesmo quando a paciente menciona tais fantasias, ela provavelmente as descreverá em termos vagos; o analista tem sempre que fazer inúmeras perguntas "indiscretas" para conseguir um sentido genuíno sobre o que envolvia a fantasia.
A paciente talvez não esteja inclinada a falar a respeito de tais fantasias mas sim de outros aspectos da sua vida, sentindo que sua diversão secreta (isto é, orgasmo) será retirada dela ou destruída de alguma forma se ela falar sobre isso. O analista não deve ceder aos esforços requeridos para superar a resistência da paciente de falar sobre tais coisas, pois caso contrário ele permitirá que sua própria resistência desvie a terapia de assuntos delicados. Os sintomas dos pacientes são sempre relacionados à sexualidade, de alguma forma, e a discussão aberta e completa sobre o que excita o paciente deve surgir mais cedo ou mais tarde em análise.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
A paciente talvez não esteja inclinada a falar a respeito de tais fantasias mas sim de outros aspectos da sua vida, sentindo que sua diversão secreta (isto é, orgasmo) será retirada dela ou destruída de alguma forma se ela falar sobre isso. O analista não deve ceder aos esforços requeridos para superar a resistência da paciente de falar sobre tais coisas, pois caso contrário ele permitirá que sua própria resistência desvie a terapia de assuntos delicados. Os sintomas dos pacientes são sempre relacionados à sexualidade, de alguma forma, e a discussão aberta e completa sobre o que excita o paciente deve surgir mais cedo ou mais tarde em análise.”
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“Devaneios e fantasias parecem mais difíceis de serem lembra dos para a maioria das pessoas em suas apresentações noturnas.
Além do período da adolescência e início da vida adulta, quando muitas pessoas passam bastante tempo devaneando, deliberada mente enfeitando seus devaneios e conduzindo-os a certas direções, poucas pessoas conseguem ao menos perceber que continuam devaneando - sem dúvida pelo menos em parte, dada a natureza contraintuitiva de seus devaneios. Os pensamentos que surgem em suas mentes os chocam por serem desagradáveis ou muito atrozes, e nem mesmo pensam neles como devaneios, que no linguajar comum deveriam ser agradáveis, realizadores de desejos. Fazem o que podem para esquecê-los o mais rápido possível.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Além do período da adolescência e início da vida adulta, quando muitas pessoas passam bastante tempo devaneando, deliberada mente enfeitando seus devaneios e conduzindo-os a certas direções, poucas pessoas conseguem ao menos perceber que continuam devaneando - sem dúvida pelo menos em parte, dada a natureza contraintuitiva de seus devaneios. Os pensamentos que surgem em suas mentes os chocam por serem desagradáveis ou muito atrozes, e nem mesmo pensam neles como devaneios, que no linguajar comum deveriam ser agradáveis, realizadores de desejos. Fazem o que podem para esquecê-los o mais rápido possível.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“Freud (1940/1964, p. 175) alertou contra o seguinte: "Por mais que o analista seja tentado a se tornar professor, modelo ou ideal para outra pessoa e criar o homem à sua imagem, ele não deveria esque cer que não é sua tarefa no relacionamento analítico, e na verdade que ele será desleal em sua tarefa se se permitir ser levado por suas inclinações. Se o fizer, estará somente repetindo o erro dos pais que comprimem a independência em seus filhos, por sua influência, e estará só substituindo a antiga dependência que o paciente tinha, por uma novà: Esse erro é, todavia, repetido por numerosos pro fissionais que acreditam na formação de uma "aliança" entre a chamada parte saudável do ego do paciente e da analista.”
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“Os analistas costumam fazer interpretações que lhes parecem ir ao alvo no impulso da ação, no contexto das palavras que o pa ciente proferiu, mas que podem muito bem vir a pensar mais tarde como apenas parcial ou até mesmo fora de propósito. Assim as interpretações não são úteis, mas criam algo como um enigma atemporal em termos de precisão. O que parece preciso em algum momento na sessão, talvez não pareça mais alguns minutos de pois, após o paciente ter contado suas lembranças e associações.
Mas essas outras lembranças e associações poderiam nunca ter sido contadas se a interpretação imprecisa não tivesse sido feita.
Alguém pode achar que é a imprecisão (ou a precisão parcial) da interpretação que permitiu a evolução da análise, pois em muitos casos o paciente não menciona certos pensamentos ou lembran ças até ouvir a interpretação desajeitada do analista.
O paciente nem sempre compreende o efeito que a interpretação teve sobre ele, mas inconscientemente volta a ela na sessão seguinte sob um novo ângulo, indicando certo impacto no sonho, devaneio, ou simplesmente nos pensamentos sobre o que viesse a falar em seguida. Houve o impacto sem que ele percebesse. De fato, a analista poderia comentar, ele algumas vezes mal consegue se lembrar da interpretação conscientemente, mas o impacto, por outro lado, foi real.
Talvez seja mais comum que o paciente nem reconheça, como interpretação, o que o analista disse. Combina tanto com o que o pa ciente tem dito ou é tão breve e enigmática que não se encaixa na noção preconcebida do paciente sobre o que seja uma interpretação.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Mas essas outras lembranças e associações poderiam nunca ter sido contadas se a interpretação imprecisa não tivesse sido feita.
Alguém pode achar que é a imprecisão (ou a precisão parcial) da interpretação que permitiu a evolução da análise, pois em muitos casos o paciente não menciona certos pensamentos ou lembran ças até ouvir a interpretação desajeitada do analista.
O paciente nem sempre compreende o efeito que a interpretação teve sobre ele, mas inconscientemente volta a ela na sessão seguinte sob um novo ângulo, indicando certo impacto no sonho, devaneio, ou simplesmente nos pensamentos sobre o que viesse a falar em seguida. Houve o impacto sem que ele percebesse. De fato, a analista poderia comentar, ele algumas vezes mal consegue se lembrar da interpretação conscientemente, mas o impacto, por outro lado, foi real.
Talvez seja mais comum que o paciente nem reconheça, como interpretação, o que o analista disse. Combina tanto com o que o pa ciente tem dito ou é tão breve e enigmática que não se encaixa na noção preconcebida do paciente sobre o que seja uma interpretação.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“A verdade tem uma classe de temporalidade estranha na psicanálise. O paciente algumas vezes tem a impressão de estar dizendo algo absolutamente fundamental, no exato momento em que o diz, mas, uma vez que aquela verdade tenha sido articulada, pode já não ter mais o peso da verdade para ele. Cada vez mais frequentemente ele vai sentir só mais tarde o impacto do que disse: em minha experiência, os pacientes sempre comentam em uma sessão, como ficaram mexidos depois da última sessão, por algo que tenham dito naquela sessão. Mas a convicção subjetiva que eles tinham daquela importância, no intervalo entre as sessões, acaba sempre se perdendo pela sessão subsequente, e eles sentem às vezes que já não conseguem mais explicar o que os fez ficar tão mexidos.
A verdade, como experimentada pelo paciente no contexto da análise, tem a ver com o que ainda resta a ser dito, com o que ainda não foi dito. Aquilo que já foi dito sempre parece vazio, enquanto que o que está sendo dito, pela primeira vez, é o que tem potencial para mexer com as coisas, é o que sente importante, verdadeiro.
Para o paciente, a verdade está sempre em outro lugar: em sua frente, ainda para ser descoberta.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
A verdade, como experimentada pelo paciente no contexto da análise, tem a ver com o que ainda resta a ser dito, com o que ainda não foi dito. Aquilo que já foi dito sempre parece vazio, enquanto que o que está sendo dito, pela primeira vez, é o que tem potencial para mexer com as coisas, é o que sente importante, verdadeiro.
Para o paciente, a verdade está sempre em outro lugar: em sua frente, ainda para ser descoberta.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“Não sou o único a a firmar que escansão assemelha-se com a técnica conhecida como Zen ...
Sem ir aos extremos a que esta técnica conduz, já que eles seriam contrários a certas limitações impostas por nós mesmos, uma discreta aplicação dos princípios básicos em análise parece muito mais aceitável para mim do que certos métodos da então chamada análise das resistências, na medida em que não comportam em si, nenhuma ameaça de alienação do sujeito.
Em vez disso, quebra o discurso somente para levar adiante a conversa.
Lacan (2006, pp. 315-316)”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Sem ir aos extremos a que esta técnica conduz, já que eles seriam contrários a certas limitações impostas por nós mesmos, uma discreta aplicação dos princípios básicos em análise parece muito mais aceitável para mim do que certos métodos da então chamada análise das resistências, na medida em que não comportam em si, nenhuma ameaça de alienação do sujeito.
Em vez disso, quebra o discurso somente para levar adiante a conversa.
Lacan (2006, pp. 315-316)”
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“Embora os analistas pontuem as sessões de um jeito ou de outro (obviamente, eles não aplicam as mesmas técnicas de pontuação), e embora eu nunca tenha ouvido qualquer analista discordar das noções de pontuação de Lacan, muitos têm sérias questões com a escansão. Enquanto a maioria deles recorre à importância do "enquadre terapêutico", ao qual voltarei em breve, muitos têm expressado preocupação de que eles próprios poderiam encerrar as sessões quando entediados, cansados, irritados, ou apenas queren do fazer qualquer outra coisa, o que me leva a desconfiar de seus próprios motivos quando intervêm em suas formas, quaisquer que sejam elas, nas análises que conduzem. Falam da sessão de tempo fixo como se ficar de mãos amarradas fosse salutar, como se sentis sem que não são confiáveis para controlar uma pontuação daquela magnitude, e como se seus pacientes precisassem ser protegidos por um comum acordo vinculado às suas próprias descrenças. Per gunto sobre sua fé na própria capacidade de pontuar partes po tencialmente importantes da fala do paciente, se existe tão pouca confiança em sua habilidade de encerrar sessões, nos momentos que seriam melhores para o progresso da análise.
Suspeito que a falta de confiança deles na habilidade de pon tuar efetivamente, em maior ou menor grau, esteja relacionada a uma mudança radical na opinião dos analistas contemporâneos, de como e por que a análise é curativa: ao invés de enfatizar o preenchimento de lacunas da história e autoconhecimento do paciente, conforme Freud (1916-1917/1963, p. 282), ou enfatizar que apenas a dimensão simbólica é o que cura, conforme Lacan, os analistas contemporâneos endossam, com frequência, a ideia de que é o relacionamento em si, do paciente com o analista, que é curativo (o relacionamento, muitas vezes, está incluído sob o tópico de "fatores inespecíficos" ou "fatores comuns"), não algo em particular que o analista diz ou leve a paciente a falar. A atenção, dessa forma, é afastada do trabalho de simbolização na terapia, e o que é considerado de genuína importância é um relacionamento seguro, bem estruturado e protetor. Essa abordagem foi adotada na França dos anos 1950: Lacan citou um de seus colegas como tendo dito que "o analista cura não tanto pelo que ele diz e sim pelo que ele é". É a ênfase colocada na personalidade do analista e em seu relacionamento - ao contrário do trabalho feito pela paciente e analista para articular a história e desejo da paciente - que levou à crescente importância conferida pelos profissionais, no final do século XX e começo do século XXI, ao "enquadre terapêutico".”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Suspeito que a falta de confiança deles na habilidade de pon tuar efetivamente, em maior ou menor grau, esteja relacionada a uma mudança radical na opinião dos analistas contemporâneos, de como e por que a análise é curativa: ao invés de enfatizar o preenchimento de lacunas da história e autoconhecimento do paciente, conforme Freud (1916-1917/1963, p. 282), ou enfatizar que apenas a dimensão simbólica é o que cura, conforme Lacan, os analistas contemporâneos endossam, com frequência, a ideia de que é o relacionamento em si, do paciente com o analista, que é curativo (o relacionamento, muitas vezes, está incluído sob o tópico de "fatores inespecíficos" ou "fatores comuns"), não algo em particular que o analista diz ou leve a paciente a falar. A atenção, dessa forma, é afastada do trabalho de simbolização na terapia, e o que é considerado de genuína importância é um relacionamento seguro, bem estruturado e protetor. Essa abordagem foi adotada na França dos anos 1950: Lacan citou um de seus colegas como tendo dito que "o analista cura não tanto pelo que ele diz e sim pelo que ele é". É a ênfase colocada na personalidade do analista e em seu relacionamento - ao contrário do trabalho feito pela paciente e analista para articular a história e desejo da paciente - que levou à crescente importância conferida pelos profissionais, no final do século XX e começo do século XXI, ao "enquadre terapêutico".”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“Um bom pintor pode ser visto como alguém que olha para ''a mesma coisa" que outra pessoa olha, vendo-a diferente e tornando-a visível para nós: o pintor revela - torna perceptível - algo que não havíamos visto antes. No caso de van Gogh, poderia ser a humanidade em um velho par de sapatos, no caso de Monet, poderiam ser as cores cintilantes em um jardim sob a influência de um sol quente de verão. Uma fotógrafa faz algo similar com luz e texturas: usa filmes, filtros, obturador de velocidades, e configurações de abertura para revelar algo que está lá - já está lá, esperando pura ser visto, de certo modo -, mas que não é visto sem sua ajuda.
Um músico novato se empenha em tocar as notas escritas na partitura, mais ou menos na velocidade correta, mas o consumado músico sutilmente revela, com a variação da velocidade e de tensão, as múltiplas melodias ou vozes implicitamente lá, naquelas mesmas notas (como na fuga de Bach).
Este pode ser um modo frutífero de pensar sobre o que nós, terapeutas, igualmente fazemos: revelamos algo que está ali - já está ali esperando para ser ouvido -, mas que não é ouvido sem nossa ajuda. Como um de meus pacientes colocou uma vez, seu desejo era como um sopro, um sopro no coração tão fraco que ninguém jamais havia ouvido antes, nem mesmo ele, até começar sua análise.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Um músico novato se empenha em tocar as notas escritas na partitura, mais ou menos na velocidade correta, mas o consumado músico sutilmente revela, com a variação da velocidade e de tensão, as múltiplas melodias ou vozes implicitamente lá, naquelas mesmas notas (como na fuga de Bach).
Este pode ser um modo frutífero de pensar sobre o que nós, terapeutas, igualmente fazemos: revelamos algo que está ali - já está ali esperando para ser ouvido -, mas que não é ouvido sem nossa ajuda. Como um de meus pacientes colocou uma vez, seu desejo era como um sopro, um sopro no coração tão fraco que ninguém jamais havia ouvido antes, nem mesmo ele, até começar sua análise.”
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“A repetição, pelo analista, da pergunta por quê? vem associada, em alguns casos, a um desejo de saber o porquê. Lacan (1998a, p. 1) sugeriu que nossa atitude em geral na vida é um desejo de não saber: não saber o que nos aflige, não saber por que fazemos o que fazemos, não saber o que secretamente nos dá prazer, não saber por que nos divertimos, o que nos diverte, e assim por diante.
Um forte motivo, um considerável investimento, é necessário para que superemos a vontade de não saber e uma das mais complexas tarefas para o analista é achar o caminho para despertar em seus pacientes tais investimentos. Talvez seja a vontade do analista de saber, pelo menos em parte, conforme demonstrado em suas frequentes perguntas, que inspira o desejo que seus pacientes se conheçam; é a persistência em fazer perguntas que lhe permite ser a causa do querer saber dos pacientes, a causa do desejo da paciente conhecer o porquê.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Um forte motivo, um considerável investimento, é necessário para que superemos a vontade de não saber e uma das mais complexas tarefas para o analista é achar o caminho para despertar em seus pacientes tais investimentos. Talvez seja a vontade do analista de saber, pelo menos em parte, conforme demonstrado em suas frequentes perguntas, que inspira o desejo que seus pacientes se conheçam; é a persistência em fazer perguntas que lhe permite ser a causa do querer saber dos pacientes, a causa do desejo da paciente conhecer o porquê.”
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“Lacan (2006, p. 251) coloca que isso é uma questão, e só pode mos ter certeza de que a paciente tem um interesse subjetivo na análise quando ela formula uma questão (ou mais de uma) dela própria. É o investimento que ela faz nessa questão - seja por estar muito brava, porque desenvolveu determinada orientação sexual, por não conseguir se desenvolver na área de seu interesse ou ocupar-se com coisas que ela queira - que a motivará a buscar respostas nos sonhos, devaneios, fantasias, e em todos os segmentos de sua vida. É isso que a faz continuar a análise mesmo quando esta se torna difícil ou dolorosa.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
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“De forma similar, nossa melhor aposta no trabalho analítico é fazer perguntas abertas ao invés de perguntar, "Aquilo fez você rir ou chorar?" (a resposta comum seria, "Nenhum dos dois, fiquei ruim do estômago!"). Ao invés de propor se A ou B, ou mesmo escolher entre A, B, ou C, geralmente é melhor evitar colocar palavras na boca da paciente. Ao invés de tentar adivinhar a provável reação da paciente em uma situação, é sempre bem melhor dizer simplesmente, "E?" ou "Como assim?" ou "Como você reagiu?" (já mencionei anteriormente uma regra geral, em que perguntas mais precisas são melhores). Isso facilita para a paciente responder o que ela quiser.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
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“Contudo, é muito importante que o analista faça com que a paciente discuta acontecimentos particulares - e as formações in conscientes como os sonhos, devaneios e fantasias - com bastante detalhe, e assegure que os detalhes que a paciente esteja mais inclinada a omitir sejam levantados, em algum momento. Uma vez que o analista esteja atento aos tipos de estratégias retóricas usadas pelos pacientes para contornarem o assunto e evitar o que consi deram detalhes desagradáveis ou repreensivos, ele deve se empe nhar bastante para assegurar que tais detalhes não sejam sempre contornados e nem evitados por tempo indeterminado. Ainda que o analista não force a paciente a revelar coisas que ela ainda não es teja pronta para enfrentar, ele não deve se intimidar em encorajá-la a falar sobre assuntos dolorosos ou difíceis.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
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“Uma vez que a analista saiba se sintonizar nos lapsos e deslizes, poderá percebê-los em si mesma e nos amigos e colegas; porém pode ainda levar algum tempo antes dela conseguir ouvi-los nas sessões com os pacientes, porque ela estará muito mais focalizada no significado da situação analítica do que em qualquer outra coisa.
Para aperfeiçoar nossa capacidade de aplicar a atenção flutuante naquilo que o paciente realmente fala, precisamos sempre, nas palavras da professora de música, "praticar, praticar, praticar".”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Para aperfeiçoar nossa capacidade de aplicar a atenção flutuante naquilo que o paciente realmente fala, precisamos sempre, nas palavras da professora de música, "praticar, praticar, praticar".”
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“A visão de Lacan aqui é que quando a analista se torna obcecada em compreender o significado do que o paciente tenta conscien temente transmitir, seguindo todas as complexidades da história que ele está contando, ela sempre deixa de ouvir o modo como ele transmite o que diz - as palavras e expressões que ele usa e seus lapsos e sons indistintos. É melhor tapar o ouvido que escuta apenas o significado, ele sugere, do que submeter o ouvido que ouve discursos supérfluos adicionando um terceiro. Quando, por exemplo, o paciente começa a sentença com "por um lado': pode mos ter certeza de que ele tem outro "lado" em mente; toda via, no momento em que o primeiro "lado" for apresentado, ele provavelmente terá esquecido o segundo "lado", e nesse caso ele provavelmente dirá, "Bom, sei lá", e pensará alegremente em ou tra coisa. A analista não deve, porém, deixar assim tão leve: o que, realmente, era o outro lado? Sua importância está naquilo que está pelo menos momentaneamente esquecido.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
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“Se nossas tentativas de "entender" nos levam a reduzir inevitavelmente o que outra pessoa está falando àquilo que pensamos já saber (de fato, isso poderia servir como uma definição bastante exata de entendimento de modo geral), um dos primeiros passos que devemos dar é parar de tentar compreender tão rapidamente.
Não é mostrando ao paciente que entendemos o que ele está dizendo que construiremos uma aliança com ele - especialmente pelo fato de que na tentativa de mostrar a ele que o entendemos, muitas vezes isso falha e demonstramos exatamente o oposto -, mas, sem dúvida, ouvindo o paciente como ele nunca antes foi ouvido. Tendo em vista que "o próprio fundamento do discurso inter-humano é o mal-entendido" (Lacan, 1993, p. 184), não podemos contar com o entendimento para estabelecer um relacionamento sólido com o paciente. Em vez disso, devemos "apresentar um sério interesse por ele" (Freud, 1913/1958, p. 139) através de uma escuta que mostre a ele que estamos prestando atenção naquilo que ele diz, de uma forma até então desconhecida por ele.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Não é mostrando ao paciente que entendemos o que ele está dizendo que construiremos uma aliança com ele - especialmente pelo fato de que na tentativa de mostrar a ele que o entendemos, muitas vezes isso falha e demonstramos exatamente o oposto -, mas, sem dúvida, ouvindo o paciente como ele nunca antes foi ouvido. Tendo em vista que "o próprio fundamento do discurso inter-humano é o mal-entendido" (Lacan, 1993, p. 184), não podemos contar com o entendimento para estabelecer um relacionamento sólido com o paciente. Em vez disso, devemos "apresentar um sério interesse por ele" (Freud, 1913/1958, p. 139) através de uma escuta que mostre a ele que estamos prestando atenção naquilo que ele diz, de uma forma até então desconhecida por ele.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“Acredita-se que nós seres humanos compartilhamos dos mes mos e diversos sentimentos e reações ao mundo, que é o que pos sibilita existir entendimento, uns com os outros, e que constitui a fundação da nossa humanidade compartilhada. Na tentativa de combater certos estereótipos dos psicanalistas, como um cientis ta desinteressado, insensível, ao invés de um ser humano que tem vida e que respira, alguns terapeutas sugeriram que o analista de veria ser regularmente empático com o paciente, ressaltando o que eles têm em comum, para estabelecer uma aliança terapêutica sólida.
Embora esses profissionais tenham boas intenções (por exemplo, acabar com a crença da objetividade do analista), as expressões de empatia podem enfatizar a humanidade em que vivem analista e paciente, de modo a encobrir ou superar aspectos humanos que não são compartilhados.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Embora esses profissionais tenham boas intenções (por exemplo, acabar com a crença da objetividade do analista), as expressões de empatia podem enfatizar a humanidade em que vivem analista e paciente, de modo a encobrir ou superar aspectos humanos que não são compartilhados.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
