Quando o Sol Brilha Quotes

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Quando o Sol Brilha Quando o Sol Brilha by Rui Conceição Silva
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Quando o Sol Brilha Quotes Showing 1-7 of 7
“Quando lia, sentia-me transportado para os recantos mais ricos que existiam na minha alma, para um qualquer Éden maravilhoso, talvez profundo, onde morava o melhor de mim, à espera de novas janelas por onde me evadir e viajar.”
Rui Conceição Silva, Quando o Sol Brilha
“E como poderia eu aperceber-me de que os dias felizes são aqueles que nunca questionamos, que existem com tantas certezas que lhes desvalorizamos a importância? Que são quase sempre dias banais e não catalogados, em que passeamos pelos bosques com quem amamos, desfrutando secretamente do mundo? Que são aqueles em que ficamos em silêncio olhando os montes, admirando-os sem saber? Sim, como poderia eu saber que o coração gosta de dias cheios de nada?”
Rui Conceição Silva, Quando o Sol Brilha
“Neste teatro das relações humanas, existe nos atores uma pressa de brilhar, sempre acima dos outros, raramente igual aos outros, nunca menos do que os outros. Fazer parte dos outros é confundir-me-nos na multidão. Na multidão que faz barulho, mas que só aumenta o nosso silêncio, a nossa solidão. Talvez o único estado em que se possa ser verdadeiramente feliz seja quando a multidão já não nos causa solidão, quando deixarmos de a ouvir. Ao sermos nós, verdadeiros e livres, no meio dos outros.”
Rui Conceição Silva, Quando o Sol Brilha
“A verdadeira liberdade existe dentro de nós e não por fora. Se decidires ser um homem livre, sê-lo-ás sempre, independentemente da tua condição.”
Rui Conceição Silva, Quando o Sol Brilha
“Quando a tristeza se instala, o mundo fica desfocado, quase um corpo estranho ao nosso redor, onde não reconhecemos lugares de antigas alegrias. Descansar torna-se então a palavra doce. Descansar de ser-s, descansar de lutar contra destinos, repousar de batalhas imaginárias que travamos dentro de nós, contra monstros cavalgando desânimo e algozes guerreiros disparando pensamentos tristes. Indefesos, nem notamos que os maus silêncios matam tudo no nosso íntimo, deixando-nos à mercê dos dias piores, que sempre trazem sonhos-cadáveres para a nossa solidão. E o cheiro pútrido dos sonhos mortos torna-se intenso, cada vez mais difícil de suportar, quando um homem, já cansado, cai de joelhos no chão e sem forças para lutar. Prostrado, apenas olha o céu, num misto de ténue esperança e de rendição, incapaz de acreditar em que alguma vez os anjos passarão, convidando-o a ir com eles conhecer as maravilhas que em tempos imaginou, esculpiu e cinzelou no seu coração, agora cansado de viver e autoflagelar-se. Porque um coração, quando desiste de acreditar, torna-se um órgão obsoleto, um mero instrumento que mantém um corpo-máquina, sem que se distinga das peças mecânicas dos relógios.”
Rui Conceição Silva, Quando o Sol Brilha
“Porque os tempos são ventos, não mais do que sopros velozes, quase tão breves como a vida, tão cheia de insignificâncias. No fundo, talvez a vida nos ensine isso, que é preciso ser-se feliz no que resta do tempo. E que essa é a nossa obrigação, a de tentarmos ser felizes neste mundo, nem que para isso tenhamos de atravessar as nossas próprias fronteiras, escolhendo a liberdade de vaguear pelo que resta dos nosso sonhos.”
Rui Conceição Silva, Quando o Sol Brilha
“Sabia que o lastro de um homem durante toda a sua vida é de resguardar os sonhos em recantos da alma, sagrados, intocáveis, à espera do dia em que os milagres aconteçam e a alma reencontre a frescura perdida dos tempos de infância. Como a inocência dos pássaros que esvoaçam dentro de cada um de nós, num espaço exíguo, voando e batendo nas grades da gaiola em que os enclausurámos, até os seus voos ficarem cada vez mais repetitivos, tristes e raros. Pássaros cujas asas se tornaram inúteis de tanto tempo engaiolados, chilreando apenas melopeias tristes, carregadas de desilusão por tão servil rendição.”
Rui Conceição Silva, Quando o Sol Brilha