Find & Share Quotes with Friends

Quando Quotes

Rate this book
Clear rating
Quando Quando by Carla Madeira
464 ratings, 4.40 average rating, 105 reviews
Quando Quotes Showing 1-6 of 6
“se a pessoa morre sem ter morrido é mais difícil parar de chorar por causa dela do que se ela morre morrendo mesmo”
Carla Madeira, Quando
“comparar a dor das pessoas é sempre cruel... enfim, somos cruéis, às vezes. Aquele que grita, chora e se revolta recebe o remédio e até nossa compaixão, mas não nossa admiração. Damos um jeito de dizer a ele: segura sua onda. Aquele que sofre calado, que passa pela dor com resignação, ah, como nós o admiramos, rezamos por ele, sorrimos pra ele, exaltamos sua dignidade... Mamãe faz parte desse bloco: o dos elegantes. Mas sabe o que eu acho? Que uma mãe que perde um filho deveria fazer um escândalo, quebrar coisas, desmaiar em público, tratar mal quem está perto e não consegue lhe oferecer uma gota de alívio... escancarar, pra quem quiser ouvir, que a dor não é decente.”
Carla Madeira, Quando
“O veneno do que não é dito se diverte nas conversas banais com maliciosa ironia. A provocação do rosto que escuta sabendo o que o outro não sabe é mordaz. A ofensa que a boca cala o corpo exala, porque quem esconde um segredo não tem silêncio. Já o segredo, por sua vez, guarda, mais secretamente do que a si mesmo, o desejo de se revelar, e aguarda a hora certa esticado no sereno feito uma carne no sal pegando gosto. Que graça tem morrer com um segredo se o grande momento é justamente o olhar perplexo que se avista ao revelá-lo, o desmoronamento que ele precipita?”
Carla Madeira, Quando
“a vontade de ferir é o fungo do amor e trabalha duro por sua decomposição, de maneira que, da substância restante, amorfa, esfarelada, a vida ressurge, segundo Margarida, bem piorada; sim, talvez, mas não para todos, porque o amor que se esmigalha abre espaço para outros amores, mesmo que abra também vazios para o ódio, esse excremento corriqueiro da reciclagem amorosa, e está aí o que confunde a todos: a intensa promiscuidade entre amor e ódio nas substâncias de um corpo”
Carla Madeira, Quando
“Você sabe o que é morrer, Fran? Sei, uma vez, eu vi um passarinho bater no vidro da janela do meu quarto, ele caiu assim, vóVi, com as asas abertonas, e depois foi murchando, murchando até virar uma asica de nada, bem vazia, sem nenhum voo dentro, É isso mesmo, Fran, bem assim, uma asa vazia, isso é morrer”
Carla Madeira, Quando
“desde os primeiros tragos de colostro os homens delegam para as mulheres seus estômagos vazios, e a maldade arquetípica das sogras é passar adiante seus filhos despreparados”
Carla Madeira, Quando