O Paradoxo de Einstein Quotes

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O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico (Mente Ateísta Livro 2) (Portuguese Edition) O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico (Mente Ateísta Livro 2) by Jorge Guerra Pires
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O Paradoxo de Einstein Quotes Showing 1-9 of 9
“A pergunta mais importante que todo ateu secular deveria se fazer: seria possível uma sociedade 100% ateia? Sem ilusões?
Se for a qualquer grupo ateu no Facebook, eles vão responder em massa que sim. Eu diria que não. É difícil dizer com precisão, mas as evidências parecem indicar que não. Humanos deixaram religiões, mas criaram outras. A histórias é um cemitério de deuses, mas também um berçário de novos deuses. Talvez, por mais que essa seja talvez uma resposta que ateus não queiram ouvir: vamos ver algo similar ao que vimos com Einstein: pessoas nas fases anteriores, que eram a maioria da população nos tempos de Einstein; pessoas na terceira, Einstein e outros; e pessoas na quarta, Russell e outros. Mesmo hoje temos pessoas ateias ainda apelando para o Deus de Spinoza. O caso mais famoso é John Gray no livro “Sete tipos de ateísmo”: ele critica o novo ateísmo, e deixa claro sua aproximação com o Deus de Spinoza.”
Jorge Guerra Pires, O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico (Mente Ateísta Livro 2)
“Da mesma forma, podemos assistir a filmes como Invocação do Mal, baseados em relatos reais ancorados em uma cosmovisão cristã, sentir medo genuíno durante a experiência e, ao final, continuar ateus sem qualquer conflito.
O medo que sentimos do escuro, e de um filme de terror extremamente real, não prova a existência de demônio, não mais que um filme do predador prova a sua existência como alienígena otimizado para matar e caçar.
Aqui mora um fenômeno que exploro no livro “Seria a Bíblia um livro científico?”: crenças crescem apesar das evidências. O fato de um filme hoje criar a mitologia cristã não explica que temos mais evidências para demônios, não mais que havia quando os textos foram escritos.”
Jorge Guerra Pires, O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico (Mente Ateísta Livro 2)
“Entre cientistas de elite contemporâneos, apenas cerca de 7% afirmam acreditar em um Deus pessoal. Em contraste, cerca de 60% dos primeiros laureados com o Prêmio Nobel se identificavam como cristãos ou religiosos; os cristãos adoram citar isso sem contexto para dizer que ciência e religião não são incompatíveis. Esse contraste não deve ser lido ingenuamente como simples “progresso da razão”, mas como resultado de mudanças profundas na estrutura educacional, institucional e cultural da ciência. Mesmo cientistas, por mais geniais que sejam, são produtos do seu tempo. Isaac Newton chegou a dizer que ser ateu era tão repugnante que a prova disso era que havia poucos ateus; na verdade, havia poucos ateus porque eles eram mortos, perseguidos fisicamente pelos cristãos do seu tempo. Ser ateu nos tempos de Newton era uma sentença de morte.”
Jorge Guerra Pires, O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico (Mente Ateísta Livro 2)
“Sam Harris ocupa uma posição peculiar dentro do novo ateísmo. Entre seus principais representantes, é, sem dúvida, o mais inovador do ponto de vista conceitual. Em The Moral Landscape, ele tenta algo ambicioso: construir um sistema moral inteiramente secular, ancorado no bem-estar humano, sem qualquer apelo a fundamentos religiosos ou transcendentais.”
Jorge Guerra Pires, O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico (Mente Ateísta Livro 2)
“Já muitos grupos evangélicos contemporâneos, em particular os pentecostais, ao enfatizarem elementos do Antigo Testamento e o medo, operam majoritariamente na primeira fase, centrada no medo, na punição e na intervenção direta. Muitos destes grupos focam em ideias como “o retorno de Cristo”, que gera um medo constante do retorno de Cristo. Muitos evangélicos, e isso é bem documentado, vivem no terror do retorno de Cristo a qualquer momento, onde os bons serão levados e os pecadores deixados para trás para serem punidos. Isso é basicamente “o homem do saco” para adultos.”
Jorge Guerra Pires, O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico (Mente Ateísta Livro 2)
“É importante notar que essa redução, a de que o ateísmo seria somente mais uma religião, mas “negativa”, não resiste a uma análise filosófica mais rigorosa. O ateísmo, enquanto posição conceitual mínima, não constitui um sistema religioso alternativo, mas a rejeição ou suspensão de proposições teístas específicas. Transformá-lo em “religião negativa” implica ampliar semanticamente o termo religião até que ele perca qualquer delimitação operacional. Como gosto de explicar: a ausência de barco não é um tipo de barco; careca não é um corte de cabelo.”
Jorge Guerra Pires, O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico (Mente Ateísta Livro 2)
“Nesse processo [da engenharia da domesticação], opera-se uma distribuição simbólica de traços: quem "respeita" a religião é selado como “maduro”, enquanto vozes incisivas e honestas, como a de Bertrand Russell, são pintadas como imaturas ou agressivas. Einstein é, assim, reconstruído como o modelo ideal de gênio respeitoso da fé alheia, enquanto Russell é inflado até se tornar um "espantalho" de hostilidade. Essa operação cultural desloca o valor real do pensamento do físico para um capital simbólico autônomo, onde o nome de Einstein passa a ser invocado para validar agendas religiosas, ignorando que, em privado, ele frequentemente demonstrava uma hostilidade à fé tradicional maior do que a do próprio Russell.”
Jorge Guerra Pires, O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico (Mente Ateísta Livro 2)
“Einstein não se encaixa confortavelmente nem na categoria de ateu, nem na de crente. Ele rejeitava um Deus pessoal, recusava as religiões reveladas, criticava o ateísmo combativo como atitude identitária e mantinha um profundo compromisso com um naturalismo racional, frequentemente expresso em linguagem religiosa metafórica. Forçar esse conjunto de posições em rótulos modernos é um anacronismo conceitual. O erro não está em discordar de Einstein, mas em utilizá-lo como selo de autoridade para disputas contemporâneas que ele explicitamente recusava.”
Jorge Guerra Pires, O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico (Mente Ateísta Livro 2)
“Apesar de que Einstein tentou ser assertivo na sua posição com relação a um Deus pessoal, isso aparece na carta ao ateu militante Lewis, Einstein sempre manteve uma linguagem ambígua. Para os ateus, ele era cripto-ateísta, e para muitos crentes, ele era místico. Para entendermos Einstein, podemos recorrer a Russell. Russell dividia a igreja em três componentes: a instituição, os dogmas, e o assombro religioso. Tanto Einstein quanto Russell mantiveram o terceiro. Einstein projeta no Deus de Spinoza, e Russell simplesmente aceita como algo humano, nada mais, nada externo para projetar. Ele admite o sentimento de reverência estética diante do universo, mas insiste que isso não autoriza nenhuma ontologia adicional. É um estado psicológico humano. Einstein claramente, tanto em textos privados quanto públicos, rejeitava a igreja e seus dogmas.”
Jorge Guerra Pires, O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico (Mente Ateísta Livro 2)