Tradução, desconstrução e psicanálise Quotes

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Tradução, desconstrução e psicanálise Tradução, desconstrução e psicanálise by Rosemary Arrojo
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“A partir de uma perspectiva psicanalítica, pode-se dizer que ao invés de uma transferência impessoal de significados, qualquer tradução reproduz uma relação transferencial entre tradutor e texto e entre tradutor e autor, na qual está em jogo uma teia de sentimentos contraditórios. Nessa relação transferencial, o autor/texto necessariamente desempenha um papel ativo que lhe atribuído por seu leitor/tradutor; ele não permanece quieto nem imóvel, nem tampouco esconde os significados que uma leitura "adequada" deveria descobrir. Não é, como sugere Barbara Johnson, "constativo", mas "performativo" e, como tal, joga e brinca com as fantasias e os desejos de seu leitor/tradutor”
Rosemary Arrojo, Tradução, desconstrução e psicanálise
“Transferência, aqui, no sentido do que Susan R. Suleiman chama de "emaranhamentos" (entanglements): Emaranhamentos entre pessoas, personagens, textos, discursos, comentários e contracomentários, traduções e notas de rodapé e outras notas de rodapé de histórias reais e imaginadas; emaranhamentos entre o desejo e a frustração, o domínio e a perda, a loucura e a razão [...] Resumindo numa palavra, amor. Que alguns chamam de transferência. Que alguns chamam de leitura. Que alguns chamam de escritura. Que alguns chamam de écriture. Que alguns chamam de deslocamento [displacement], deslizamento [slippage], fenda [gap]. Que alguns chamam de inconsciente.
Como envolve uma relação entre tradutor e texto ou tradutor e autor, além de uma relação entre duas línguas e culturas diferentes, não seria qualquer tradução também determinada por uma estrutura transferencial? Não seria sua base triangular um lugar exemplar para os "emaranhamentos" entre desejo e frustração, domínio e perda, comentário e contracomentário que, para Suleiman, "traduzem" a transferência? O próprio Laplanche, em outro contexto, vê uma "compulsão" na origem de qualquer tradução, o que lhe permite falar de uma "pulsão a traduzir", de "um prazer de traduzir" e de "um desejo de traduzir". Consequentemente, argumenta Laplanche, podemos encontrar três vetores fundamentais do movimento tradutivo: a) aquilo que nos incita a traduzir; b) aquilo que, em nós, incita a se traduzir, e, finalmente, c) aquilo que na obra incita a ser traduzido. (Volich, B-4,)”
Rosemary Arrojo, Tradução, desconstrução e psicanálise