Educação da tristeza Quotes

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Educação da tristeza Educação da tristeza by Valter Hugo Mãe
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Educação da tristeza Quotes Showing 1-7 of 7
“Quero emagrecer, passar um mês intenso no Brasil, mudar de terra, ler mais, parar com a mania dos desenhos, fazer filmes, dormir a horas populares, fazer a depilação da moda, chorar na auto-estrada a ouvir Mahler, ouvir mais vezes Mahler e não querer saber se ter cinquenta e três anos de idade é alguma sentença.”
Valter Hugo Mãe, Educação da tristeza
“E eu não queria rir tanto, porque a minha vida anda uma porcaria gigante e eu não penso que mereça graça. Mas não aguentei. Sucumbi. Ri.”
Valter Hugo Mãe, Educação da tristeza
“Por toda a vida fui muito impressionado pelas imagens do Sagrado Coração de Jesus. Ficam com o coração exposto, exatamente como símbolo de um amor infinito. Parecem lâmpadas acesas no peito, fazem do corpo um candeeiro. Eu acho lindas todas as metáforas da luz. Nós como bichos com luz própria, iluminados, acesos. Um homem aceso. Eu tenho em minha casa várias imagens do Sagrado Coração de Jesus, mas não preciso mais que Deus exista. Eu já aceitei que eu existo e que os outros existem também, e antes de acreditar em Deus estou certo de que a nossa obrigação é acreditar uns nos outros. Só depois de sermos gente de confiança podemos ter a arrogância de nos dirigirmos a Deus.”
Valter Hugo Mãe, Educação da tristeza
“Talvez às onze da noite já só fique o desamparo da imensa escuridão e a esperança magoada de haver uma manhã por vir de novo.

São as três. O teu silêncio tem o tamanho do meu medo e da tristeza toda.”
Valter Hugo Mãe, Educação da tristeza
“Os meus fantasmas estão luminosos ao centro de todas as salas. Meus fantasmas luminosos são mais do que dois sóis e incandescem onde quer que eu vá. Para todos os caminhos preciso de circundar onde se deixam, a meio de todos os caminhos se põem e eu passo-os uma e outra vez sem escutar senão o que era de antes, o que imagino, mas jamais o que podem agora dizer, porque estou fora de sua língua, não conheço suas palavras mortas. Essa cidadania.
Todos colecionamos fantasmas. No entristecimento das estações do ano, meus mais urgentes fogueiam em dobro.”
Valter Hugo Mãe, Educação da tristeza
“Desgosto de ver a normalidade, ainda que me conforte saber da alegria dos outros. A janela tornou-se uma espia para o impossível, mostrando as pressas que já não consigo ter, mostrando outro tempo, um feito de tudo como se houvesse lugar para tudo. Nós, agora, passamos por onde os lugares encolhem. E as janelas deviam deitar para dentro das casas de quem amamos e não podemos encontrar. As janelas, como os fantasmas, deviam mudar de dimensão, para espiarem o que se nos afasta e o que se nos morre. Onde vai o afecto. Onde vamos bocado a bocado.”
Valter Hugo Mãe, Educação da tristeza
“Acabaram as noites longas. Fico pela terra.”
Valter Hugo Mãe, Educação da tristeza