Antologia Quotes
Antologia
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Wenceslau de Moraes4 ratings, 3.75 average rating, 0 reviews
Antologia Quotes
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“A mão e o pé japoneses - parte I
Pousada é um deleite. Em movimento, na mímica trivial dos seus misteres, é uma pasmosa revelação de estética asiática, na sua feição mais transcendente, que escraviza os nossos olhos, e quantas vezes os nossos corações!...Segundo a clássica e lendária compreensão dos fenómenos psíquicos desta gente, indica-se que a coragem reside na barriga, a paixão no coração, o raciocínio na cabeça; e admite-se que, por uma rigorosa disciplina educativa, a alma nipónica pode localizar-se de preferência em qualquer destes centros que indiquei.
Sendo assim e convindo que a mulher japonesa seja particularmente educada para o enlevo do lar, para o arranjo das pequeninas coisas domésticas, para o carinho da família, eu quero que a alma dela resida nas pontas dos seus dedos. Nisto creio;e asseguro que não há maior encanto, debaixo de um ponto de vista estético, do que seguir com o olhar o gesto meigo da filha do Nippon, nas suas ocupações comezinhas, preparando o chá, penteando-se, colhendo flores ou insectos, tocando no shamicen, afagando um filho ou um irmão... - Um tal encanto tende a transformar-se em culto; e chegamos até a invejar os mortos, por cuja bem-aventurança, junto do altar dos antepassados, quotidianamente aquela mão se eleva em prece fervorosa.”
― Antologia
Pousada é um deleite. Em movimento, na mímica trivial dos seus misteres, é uma pasmosa revelação de estética asiática, na sua feição mais transcendente, que escraviza os nossos olhos, e quantas vezes os nossos corações!...Segundo a clássica e lendária compreensão dos fenómenos psíquicos desta gente, indica-se que a coragem reside na barriga, a paixão no coração, o raciocínio na cabeça; e admite-se que, por uma rigorosa disciplina educativa, a alma nipónica pode localizar-se de preferência em qualquer destes centros que indiquei.
Sendo assim e convindo que a mulher japonesa seja particularmente educada para o enlevo do lar, para o arranjo das pequeninas coisas domésticas, para o carinho da família, eu quero que a alma dela resida nas pontas dos seus dedos. Nisto creio;e asseguro que não há maior encanto, debaixo de um ponto de vista estético, do que seguir com o olhar o gesto meigo da filha do Nippon, nas suas ocupações comezinhas, preparando o chá, penteando-se, colhendo flores ou insectos, tocando no shamicen, afagando um filho ou um irmão... - Um tal encanto tende a transformar-se em culto; e chegamos até a invejar os mortos, por cuja bem-aventurança, junto do altar dos antepassados, quotidianamente aquela mão se eleva em prece fervorosa.”
― Antologia
“O Jujutsu
“O homem, ao nascer, é flexível e fraco; na morte, firme e rígido; assim com as causas: - firmeza e rigidez são as concomitâncias da vida; por este modo, aquele que confia na sua própria força, não será o conquistador.”
― Antologia
“O homem, ao nascer, é flexível e fraco; na morte, firme e rígido; assim com as causas: - firmeza e rigidez são as concomitâncias da vida; por este modo, aquele que confia na sua própria força, não será o conquistador.”
― Antologia
“O pé japonês
“Falemos dos pés agora. O assunto é ainda mais interessante, pelo contraste que oferece com esses outros membros, atrofiados ou repelentes, da gente ocidental, que pés também se denominam. Se a mão japonesa é um enlevo, o pé é outro enlevo. (…)
Agora, naturalmente, vamos pousar o olhar sobre os pés da musumé; pousar é o termo próprio, como uma borboleta amorosa vai pousar sobre a corola de uma açucena. Naturalmente, pelos mimos do sexo, o pé da japonesa é mais gentil que o pé do nipónico; e quando a japonesa vive uma existência suficientemente recatada para poder esquivar-se aos poderes das intempéries (…), o seu pé nu, sobre a esteira doméstica e assente sobre a gheta gentil se sai para a rua, apresenta de ordinário uma extrema graciosidade, que qualquer explicação verbal não lograria definir. Para o estrangeiro recém-chegado, esta ponta de nudez inesperada, que surde da fímbria da seda do quimono, é encantadora; os gestos deste pé, as curvas ocasionais em que se requebra, a sua verdadeira mímica não só encantam, mas assombram, como uma intensíssima revelação estética, de que a Europa nem sequer nos oferece um vislumbre fugidio…por causa dos mofinos sapateiros!...”
Wenceslau de Moraes, in Antologia”
― Antologia
“Falemos dos pés agora. O assunto é ainda mais interessante, pelo contraste que oferece com esses outros membros, atrofiados ou repelentes, da gente ocidental, que pés também se denominam. Se a mão japonesa é um enlevo, o pé é outro enlevo. (…)
Agora, naturalmente, vamos pousar o olhar sobre os pés da musumé; pousar é o termo próprio, como uma borboleta amorosa vai pousar sobre a corola de uma açucena. Naturalmente, pelos mimos do sexo, o pé da japonesa é mais gentil que o pé do nipónico; e quando a japonesa vive uma existência suficientemente recatada para poder esquivar-se aos poderes das intempéries (…), o seu pé nu, sobre a esteira doméstica e assente sobre a gheta gentil se sai para a rua, apresenta de ordinário uma extrema graciosidade, que qualquer explicação verbal não lograria definir. Para o estrangeiro recém-chegado, esta ponta de nudez inesperada, que surde da fímbria da seda do quimono, é encantadora; os gestos deste pé, as curvas ocasionais em que se requebra, a sua verdadeira mímica não só encantam, mas assombram, como uma intensíssima revelação estética, de que a Europa nem sequer nos oferece um vislumbre fugidio…por causa dos mofinos sapateiros!...”
Wenceslau de Moraes, in Antologia”
― Antologia
“A mulher japonesa e os seus mil encantos
Como mãe, o sentimento da maternidade absorve-a inteira; não se compreende maior dedicação, maiores desvelos; é um instinto de ave, de rola passando os dias imóvel, dando calor à prole. O bebé é rei neste país. Ocupando-se metade do povo na indústria das quinquilharias, dos bonecos, dos bolos, do completo tesouro das crianças, e a outra metade, pelo menos na tarefa de fazê-las, parece indiscutível que a grande preocupação japonesa seja o bebé; o ar despótico do pequenino pimpão , todo em galas de sedas e enfeites, mesmo entre a gente pobre fala por si.
Nunca vi uma mamã bater no filho, ralhar com ele; os dedos finos só se estendem em afagos; e as bocas, junto das boquinhas, deliciam-se no beijo indígena, sorvendo os hálitos; é ele que ralha, que exige, que ordena, e que é obedecido. Os peitos brancos, ligeiramente pendentes, de cabra criadeira, oferecem-se solícitos, não sei por quantos anos; por fim, o leite deixa de ser um alimento, é uma carícia, um doce hábito, um tributo humildoso, que o garoto vem reclamar em grandes berros, indo depois saciar-se em frutos e pastéis. Numa carruagem de caminho-de- ferro, onde melhor se apanha em flagrante o viver íntimo, não é ocioso observar como a mãe vai julgando seu o espaço: aqui senta-se ela, defronte o seu menino, sobre fofas colchas e almofadas trazidas para o caso: segue-se o estendal dos embrulhos com bolos, com maçãs, com cavalos de pau, com cornetas de latão; e é um nunca acabar de passeios ora dando o peito sem recatos, ora conchegando as roupinhas, ora inventando diversões; e que os vizinhos se arranjem como possam, uns de encontro aos outros, conquanto que sobre campo para o rei, a quem todos devem obediência, o rei que além se vai rojando pelos bancos e molhando as fraldas...”
― Antologia
Como mãe, o sentimento da maternidade absorve-a inteira; não se compreende maior dedicação, maiores desvelos; é um instinto de ave, de rola passando os dias imóvel, dando calor à prole. O bebé é rei neste país. Ocupando-se metade do povo na indústria das quinquilharias, dos bonecos, dos bolos, do completo tesouro das crianças, e a outra metade, pelo menos na tarefa de fazê-las, parece indiscutível que a grande preocupação japonesa seja o bebé; o ar despótico do pequenino pimpão , todo em galas de sedas e enfeites, mesmo entre a gente pobre fala por si.
Nunca vi uma mamã bater no filho, ralhar com ele; os dedos finos só se estendem em afagos; e as bocas, junto das boquinhas, deliciam-se no beijo indígena, sorvendo os hálitos; é ele que ralha, que exige, que ordena, e que é obedecido. Os peitos brancos, ligeiramente pendentes, de cabra criadeira, oferecem-se solícitos, não sei por quantos anos; por fim, o leite deixa de ser um alimento, é uma carícia, um doce hábito, um tributo humildoso, que o garoto vem reclamar em grandes berros, indo depois saciar-se em frutos e pastéis. Numa carruagem de caminho-de- ferro, onde melhor se apanha em flagrante o viver íntimo, não é ocioso observar como a mãe vai julgando seu o espaço: aqui senta-se ela, defronte o seu menino, sobre fofas colchas e almofadas trazidas para o caso: segue-se o estendal dos embrulhos com bolos, com maçãs, com cavalos de pau, com cornetas de latão; e é um nunca acabar de passeios ora dando o peito sem recatos, ora conchegando as roupinhas, ora inventando diversões; e que os vizinhos se arranjem como possam, uns de encontro aos outros, conquanto que sobre campo para o rei, a quem todos devem obediência, o rei que além se vai rojando pelos bancos e molhando as fraldas...”
― Antologia
