A Instrumentalina Quotes

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A Instrumentalina A Instrumentalina by Lídia Jorge
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“O estendal ficava nas traseiras da casa, àquela hora era já completamente escuro, e o meu coração batia com a força dum martelo dentro do peito. Contudo, superando o medo, corria na direcção da luz, e vinha colocar-me perto da porta do compartimento onde o tio estivesse. Mas não entrava, só espreitava, esperando uma nova ocasião de ver sem ser vista. Aliás, não era preciso esconder-me, pois a certa altura eu tinha sido tomada da certeza de que o tio Fernando, mesmo que se esforçasse e me quisesse recompensar com uma palavra que fosse, não poderia fazê-lo, porque não me via. A minha dúvida consistia apenas em saber se lhe era opaca como a porta ou transparente como o ar.”
Lídia Jorge, A Instrumentalina
“Primeiro havia abalado um, depois outro e por fim os últimos dois, espalhando-se pelos vários cantos da Terra como se fossem inimigos, que não eram. Eles mesmos tinham vindo trazer para a casa comum do pai as jovens mulheres que deixavam, com suas arcas, crianças e fogões. Como nós três - éramos dois irmão - havíamos sido os últimos a chegar, tínhamos ocupado o quarto de abóbada, o que dava para trás, o mais sombrio. Mas havia quem dormisse nos corredores e sítios desvãos duma casa grande demais para se viver. E nesse ambiente de meninos e mulheres, exercendo o seu magistério de homem director, inválido, sentado numa cadeira de imóvel, desesperava o meu avô. A menos que mandasse chamar o filho mais novo, aquele que depois, para sua arrelia, havia de riscar a poeira das estradas, a correr, a correr na sua Instrumentalina.”
Lídia Jorge, A Instrumentalina