Quimera Quotes
Quimera
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Prisca Agustoni22 ratings, 3.82 average rating, 4 reviews
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Quimera Quotes
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“Esfinges
do que morrem
os gatos
quando morrem
no silêncio da morte
lenta que lenta
os consome
longe dos olhos
antes da inexorável
consciência da morte?
como suportam morrer
cada dia um pouco
os gatos sem a palavra
e sem poder traduzir
em lamentos
o desespero
sobre a morte lenta
que os corrói?
onde vão
quando se vão
os gatos que
nos devolvem
à indefesa solidão
enquanto entram
no império do menos
do pouco
e lá
ficam esperando por nós?”
― Quimera
do que morrem
os gatos
quando morrem
no silêncio da morte
lenta que lenta
os consome
longe dos olhos
antes da inexorável
consciência da morte?
como suportam morrer
cada dia um pouco
os gatos sem a palavra
e sem poder traduzir
em lamentos
o desespero
sobre a morte lenta
que os corrói?
onde vão
quando se vão
os gatos que
nos devolvem
à indefesa solidão
enquanto entram
no império do menos
do pouco
e lá
ficam esperando por nós?”
― Quimera
“Vênus de Laussel
A mulher-totem
esculpida na pedra
recusa a divindade
prefere a história:
voltada para o gênesis
fecunda o mundo
com seus dois orifícios
interligados
que são um único:
a boca-vagina.
Dela nascem ritos,
fábulas sobre os mênstruos
cantos e alegorias
de rubra argila tingidos.
Na mão segura um corno
com treze entalhes treze
novilúnios:
a outra mão aponta
para a genitália.”
― Quimera
A mulher-totem
esculpida na pedra
recusa a divindade
prefere a história:
voltada para o gênesis
fecunda o mundo
com seus dois orifícios
interligados
que são um único:
a boca-vagina.
Dela nascem ritos,
fábulas sobre os mênstruos
cantos e alegorias
de rubra argila tingidos.
Na mão segura um corno
com treze entalhes treze
novilúnios:
a outra mão aponta
para a genitália.”
― Quimera
“Gato
Minhas unhas
— armadilhas
espalhadas
pela casa
pontas de flechas
arpões
largados pela estrada
gestos de alerta
para os demais,
balizas
de minha soberania,
centelhas
contra as invasões
de meus iguais
outras vezes
bandeiras brancas
cravadas
no campo de batalha
vírgulas
de um texto
em construção
: viver é semear sinais”
― Quimera
Minhas unhas
— armadilhas
espalhadas
pela casa
pontas de flechas
arpões
largados pela estrada
gestos de alerta
para os demais,
balizas
de minha soberania,
centelhas
contra as invasões
de meus iguais
outras vezes
bandeiras brancas
cravadas
no campo de batalha
vírgulas
de um texto
em construção
: viver é semear sinais”
― Quimera
