A Ilha das Trevas Quotes
A Ilha das Trevas
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José Rodrigues dos Santos1,291 ratings, 3.93 average rating, 66 reviews
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A Ilha das Trevas Quotes
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“ O som dos timorenses a rezar em coro Ave Maria em português, dentro de um cemitério e enquanto os indonésios os matavam, teve um efeito psique nacional.Não era já um povo distante, desconhecido e pouco familiar que os indonésios estavam a aniquilar. Era um povo que falava português, rezava como os portugueses aos domingos nas missas, parecia português. Eram portugueses sobretudo isso, eles eram portugueses. Os indonésios estavam a matar portugueses.”
― A Ilha das Trevas
― A Ilha das Trevas
“Não sei, minha querida Esmeralda, se alguma vez encontrarás no teu coração espaço para compreenderes ou perdoares o que fiz. Não te censuro não encontrares, porque eu também não encontro.
Ainda hoje me interrogo sobre o que aconteceu, sobre as nossas opções perante o destino, sobre o facto de que não passamos de meros peões das circunstancias, joguetes num tabuleiro cujo as regras não compreendemos nem dominamos.
O fantasma da Isabelinha, o eco das suas derradeiras palavras e a imagem de uma menina a baixar a cabeça para o acto final, tudo tinha sido uma presença constante no meu espírito nos últimos dezanove anos.
Frequentemente dou comigo a pensar como teriam sido as nossas vidas se as coisas fossem diferentes, se as circunstancias tivessem ido noutro sentido. E senão tivesse havido a invasão Indonésia, teríamos vivido felizes em Timor ? E se tivéssemos saído de Timor quando se tornou evidente que iria haver invasão, teríamos sido felizes na Austrália ou em Portugal ? E senão tivéssemos separado no Remexio, teríamos os três acabado por ir para a Jacarta e sobrevividos juntos ?
(...)
Tantas interrogações, tantas dúvidas, tantos fins diferentes, tantos "ses”
― A Ilha das Trevas
Ainda hoje me interrogo sobre o que aconteceu, sobre as nossas opções perante o destino, sobre o facto de que não passamos de meros peões das circunstancias, joguetes num tabuleiro cujo as regras não compreendemos nem dominamos.
O fantasma da Isabelinha, o eco das suas derradeiras palavras e a imagem de uma menina a baixar a cabeça para o acto final, tudo tinha sido uma presença constante no meu espírito nos últimos dezanove anos.
Frequentemente dou comigo a pensar como teriam sido as nossas vidas se as coisas fossem diferentes, se as circunstancias tivessem ido noutro sentido. E senão tivesse havido a invasão Indonésia, teríamos vivido felizes em Timor ? E se tivéssemos saído de Timor quando se tornou evidente que iria haver invasão, teríamos sido felizes na Austrália ou em Portugal ? E senão tivéssemos separado no Remexio, teríamos os três acabado por ir para a Jacarta e sobrevividos juntos ?
(...)
Tantas interrogações, tantas dúvidas, tantos fins diferentes, tantos "ses”
― A Ilha das Trevas
