Os Transparentes Quotes
Os Transparentes
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Ondjaki1,513 ratings, 4.14 average rating, 211 reviews
Os Transparentes Quotes
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“- a verdade é ainda mais triste, Baba: não somos transparentes por não comer... nós somos transparentes porque somos pobres.”
― Os Transparentes
― Os Transparentes
“- tudo dá errado há muito tempo, Raago. não te preocupes, depois a gente dá um jeito, este é o modo angolano de ir fazendo as coisas, se fizéssemos logo tudo bem havia inúmeras desvantagens, primeiro parecia que o trabalho era fácil e rápido, depois não tínhamos hipótese de brilhar com as correções, entendes?”
― Os Transparentes
― Os Transparentes
“Odonato já não tinha força para desenhar nos lábios um gesto mínimo de espanto ou o que fosse um vulgar sorriso, a temperatura chegava-lhe à alma, os olhos ardiam por dentro
chorar afinal não tinha que ver com lágrimas, antes era o metamorfosear de movimentos internos, a alma tinha paredes - texturas porosas que vozes e memórias podiam alterar”
― Os Transparentes
chorar afinal não tinha que ver com lágrimas, antes era o metamorfosear de movimentos internos, a alma tinha paredes - texturas porosas que vozes e memórias podiam alterar”
― Os Transparentes
“a velha chegou a Luanda dias depois da morte da verdadeira mãe de Xilisbaba e, não aguentando com a fome, irrompeu pela cerimónia fúnebre confessando entre lágrimas a urgência da sua necessidade, pediu desculpas pela sua atitude e, marcando o uso definitivo de um umbundu cerrado, olhou Xilisbaba no fundo dos olhos e falou
— posso rezar pela morte de quem morreu. a minha voz chega até o outro lado...
Xilisbaba, que já sabia ler a vida pelo seu lado mais verdadeiro, acolhei a velha com um copo de vinho tinto, cedeu o seu lugar, pediu que trouxessem um prato de comida com o melhor calulú do comba e teve o cuidado de prevenir que não servissem funji de mistura porque a senhora era como ela, precisava de fuba de milho para aguentar as loucuras e os ritmos de Luanda
— a tua mãe está a rir — a velha falou
— a minha mãe agora és tu — respondeu Xilisbaba”
― Os Transparentes
— posso rezar pela morte de quem morreu. a minha voz chega até o outro lado...
Xilisbaba, que já sabia ler a vida pelo seu lado mais verdadeiro, acolhei a velha com um copo de vinho tinto, cedeu o seu lugar, pediu que trouxessem um prato de comida com o melhor calulú do comba e teve o cuidado de prevenir que não servissem funji de mistura porque a senhora era como ela, precisava de fuba de milho para aguentar as loucuras e os ritmos de Luanda
— a tua mãe está a rir — a velha falou
— a minha mãe agora és tu — respondeu Xilisbaba”
― Os Transparentes
“— os mais-velhos diziam na minha terra que é bom olhar para longe. atravessar o rio já a pensar na outra margem
— na minha terra os mais-velhos diziam que para atravessar o rio é bom conhecer as horas do jacaré”
― Os Transparentes
— na minha terra os mais-velhos diziam que para atravessar o rio é bom conhecer as horas do jacaré”
― Os Transparentes
“era um prédio, talvez um mundo,
para haver um mundo basta haver pessoas e emoções. as emoções, chovendo internamente no corpo das pessoas, desaguam em sonhos. as pessoas talvez não sejam mais do que sonhos ambulantes de emoções derretidas no sangue contido pelas peles dos nossos corpos tão humanos. a esse mundo pode chamar-se "vida".
...
nós somos a continuidade do que nos cabe ser. a espécie avança, mata, progride, desencanta, permanece. a humanidade está feia – de aspecto sofrido e cheiro fétido, mas permanece
porque tem bom fundo.”
― Os Transparentes
para haver um mundo basta haver pessoas e emoções. as emoções, chovendo internamente no corpo das pessoas, desaguam em sonhos. as pessoas talvez não sejam mais do que sonhos ambulantes de emoções derretidas no sangue contido pelas peles dos nossos corpos tão humanos. a esse mundo pode chamar-se "vida".
...
nós somos a continuidade do que nos cabe ser. a espécie avança, mata, progride, desencanta, permanece. a humanidade está feia – de aspecto sofrido e cheiro fétido, mas permanece
porque tem bom fundo.”
― Os Transparentes
“— vai ver sim, mãezinha, a mãe ainda vai viver muitos anos, a árvore entorta mas não parte, não é?
— vocês mesmo que mijam nas árvores? não têm vergonha? — a velha muxoxou e cuspiu
— não diga isso, mãezinha — JoãoDevagar sorriu — os cães é que gostam assim do em baixo das árvores
— mentira, os cães com a guerra ficaram com medo, já não encostam em mais nada. vocês homens é que mijam em todo lado, falta de respeito”
― Os Transparentes
— vocês mesmo que mijam nas árvores? não têm vergonha? — a velha muxoxou e cuspiu
— não diga isso, mãezinha — JoãoDevagar sorriu — os cães é que gostam assim do em baixo das árvores
— mentira, os cães com a guerra ficaram com medo, já não encostam em mais nada. vocês homens é que mijam em todo lado, falta de respeito”
― Os Transparentes
“— o tempo é um lugar que também fica parado — dizia AvóKunjikise”
― Os Transparentes
― Os Transparentes
“uma mulher precisa de estar quieta para ir tão longe
e vai
regressa de lá com uma lágrima que não chega à boca, interceta a lágrima antes que o sabor do sal lhe tinja o paladar, pois isso seria conhecer uma lágrima duas vezes
vinda de tão longe, basta-lhe ter provado a lágrima uma só vez
e pensa
"a vela deve permanecer na cozinha, para que outros, na escuridão, se possam servir da luz.”
― Os Transparentes
e vai
regressa de lá com uma lágrima que não chega à boca, interceta a lágrima antes que o sabor do sal lhe tinja o paladar, pois isso seria conhecer uma lágrima duas vezes
vinda de tão longe, basta-lhe ter provado a lágrima uma só vez
e pensa
"a vela deve permanecer na cozinha, para que outros, na escuridão, se possam servir da luz.”
― Os Transparentes
“— sofro de uma desorganização de saudades
— não me faças rir, Nato
— é verdade, hoje é que entendi bem isso. tenho saudades em todas as direções, não tenho só saudades do passado. tenho saudades até de coisas que ainda não aconteceram”
― Os Transparentes
— não me faças rir, Nato
— é verdade, hoje é que entendi bem isso. tenho saudades em todas as direções, não tenho só saudades do passado. tenho saudades até de coisas que ainda não aconteceram”
― Os Transparentes
“um sorriso invadiu-lhe o canto da boca, as coisas mudam, a vida é assim mesmo, com os seus ritmos e regras
sofre, portanto, quem se deixa ficar, de lembrança e coração, no desértico lugar a que chamam passado, o "seu" terraço, a "sua" decoração, tudo havia sido alterado — e é sempre assim que sucede quando num terreno coletivo usamos plantar as raízes da nossa singular intimidade”
― Os Transparentes
sofre, portanto, quem se deixa ficar, de lembrança e coração, no desértico lugar a que chamam passado, o "seu" terraço, a "sua" decoração, tudo havia sido alterado — e é sempre assim que sucede quando num terreno coletivo usamos plantar as raízes da nossa singular intimidade”
― Os Transparentes
