O Homem que Sabe Quotes
O Homem que Sabe
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Viviane Mosé69 ratings, 4.20 average rating, 8 reviews
O Homem que Sabe Quotes
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“As primeiras aparições do mito, segundo Cassirer[34], caracterizam-se pela criação dos deuses momentâneos, que não personificam forças da natureza nem características humanas, apenas manifestam forças que não chegam a se configurar como um mito propriamente dito e desaparecem tão rápido quanto surgiram. Os gregos chamavam essas forças momentâneas de Daimon, e mantiveram essa ideia mesmo depois de configurada sua complexa mitologia[35]”
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
“A vida é sempre superior ao pensamento, é o que pensa Nietzsche, é ela sempre quem diz, em seu jogo infinito e incessante, por isso nossa sociedade ainda sobrevive, e não foi vítima deste processo castrador e limitado que chamamos de má consciência.”
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
“O pensamento que se torna consciente é a menor parte, a mais superficial. O que chega a nossa consciência é aquilo que pode ser traduzido em palavras, em signos de comunicação. Então o pensamento consciente é o pensamento reduzido a signos. Mas a vida é um texto contínuo, e o pensamento não é uma atividade unicamente intelectual, que se dá através do cérebro; ao contrário, “todo organismo pensa, todas as formas orgânicas tomam parte no pensar, no sentir, no querer – por conseguinte, o cérebro é apenas um enorme aparelho de centralização”
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
“O ser humano nasce como uma força bruta, uma força criadora que é própria da natureza, mas que precisa da contenção da vontade humana, do limite da lei, para poder transbordar, para dar vazão àquilo de que é capaz. Mas a ordem não pode sobrepujar a força. A lei não pode ter como função impedir a participação do humano na vida. O objetivo da lei é permitir os afetos e o transbordamento das paixões, ao invés de impedi-los; por isso lei e transgressão são faces da mesma moeda. O pensamento resulta, portanto, de um afastamento da natureza, que pode estar fundado em uma afirmação ou uma negação da vida, mas o que marcou a cultura ocidental, diz Nietzsche, terminou por se tornar uma vontade de negação e substituição da vida, uma contranatureza. Um pensamento que retorne para a vida, um pensamento que afirme a natureza é o desafio.”
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
“O erotismo, diz Bataille, é uma experiência de morte, porque é a experimentação da ausência de limites[17]. Uma morte vislumbrada, experimentada como potência e não como ato, mas que nos faz reencontrar uma unidade perdida com a vida. O erotismo reinstaura uma possível cena primitiva, sem a restrição e os limites trazidos pela consciência; como a ausência total de limites nos levaria à indeterminação, à morte, o erotismo, ao nos permitir morrer sem morrer, é uma experiência que potencializa a vida; não é à toa que os franceses chamam o orgasmo de petit mort.”
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
“se não tivéssemos aprendido a controlar nossas paixões, não teríamos desenvolvido cultura, pensamento, linguagem, porque seríamos engolidos pelos ciclones de imensidades que nos atravessam e dominam. A condição para a constituição de um si mesmo é a adoção de limites, por isso a consciência da morte é, ao mesmo tempo, o nascimento do indivíduo, ou seja, de um ser que se distingue da espécie.”
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
“Agir é, antes de tudo, controlar seus próprios impulsos e paixões, dando uma direção às forças, o que significa se afastar da violência da natureza presente em seu próprio corpo.”
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
“humano é um ser que cria limitações para si mesmo. Sua grande liberdade é dizer não a si mesmo.”
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
“Talvez seja isso o que queira dizer Montaigne quando afirma que a filosofia é um modo de aprender a morrer”
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
“Aristóteles considera, ainda, que todo conhecimento humano tem origem em um movimento próprio da natureza, que se regozija com os sentidos. “Todos os homens”, ele diz, “por natureza, desejam conhecer. Uma indicação disso é o deleite que obtemos dos sentidos; pois estes, além de sua utilidade, são amados por si mesmos; e acima de todos os demais o sentido da visão. Pois não só com vistas à ação, mas, mesmo quando não vamos fazer nada, preferimos ver a tudo o mais”
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
“Por meio da contemplação ele se vê vivendo e morrendo, então age: luta, se reúne, constrói, se ilude, se diverte, se comunica... O ser humano não apenas vive, mas sabe que vive, porque se vê de fora, e interfere em si mesmo, se transforma. O pensamento diz respeito à ação; pensar é agir.”
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
“Pensar é um gesto que acontece no vazio cavado pela incorporação da morte. Ao mesmo tempo, ao ter consciência do limitado, o ser humano ganha também a percepção do ilimitado, do grandioso, do sublime.”
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
“O ser humano é o único animal que sabe que vai morrer, o único que tem a morte presente durante toda a vida, o único a ter um ritual funerário[7]. O Homo sapiens é o animal que sabe, e este saber se manifesta na consciência da provisoriedade da vida; o que nos constitui como espécie é, antes de tudo, a constatação da morte como o eterno limite.”
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
― A espécie que sabe: do Homo Sapiens à crise da razão
