Mariposa Vermelha Quotes

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Mariposa Vermelha Mariposa Vermelha by Fernanda Castro
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“Um demônio ao meu lado, o cadáver de um inimigo aos meus pés e uma vida cheia de possibilidades no horizonte, bem ao alcance das minhas mãos. A magia cantando. O que mais uma mulher como eu poderia querer?”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Minha metamorfose, meus bichos-da-seda, eram eles a chave para a minha liberdade. A vida nunca mais seria a mesma, e esse era só o começo. Havia mundos e mundos a explorar. Eu só precisava de mais tempo.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“—Lembre-se dos meus olhos. Lembre-se de que fui eu quem o mandou para o inferno.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Você tem o poder, Amarílis. Não o usar porque é covarde demais para se olhar no espelho e perceber que é uma pessoa diferente da sua mãe é cuspir na cara de todos nós. Você fica aí sofrendo, com pena de si mesma, e esquece que nem tudo que acontece no mundo gira em torno do seu umbigo. Você não causou nada do que aconteceu conosco. Nada. Mas você podia ter impedido, se ao menos tivesse coragem de tentar.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“É assim que eles nos querem, percebe?—Rosalinda bateu com o dedo indicador na lateral da cabeça.—Mansos. Com medo. E eu estou cansada. Achei que podia jogar segundo as regras e ser tão boa no jogo que um dia reconheceriam meu mérito. Que um dia eu furaria a bolha. Mas é tudo mentira. Percebi nos olhos daquele homem com o cassetete, no jeito como caminhou para cima de nós… Somos lixo, menos que pessoas, pouco mais que ratos. Eu não quero mais fingir.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“—Não é você quem nos causa problemas, Amarílis. São eles.—Ela gesticulou na direção de um conjunto de pessoas imaginárias para além da janela do quarto.—Eles. A República sempre fez vista grossa para qualquer crime que lhe fosse conveniente. Somos apenas nós que não podemos ter nada, nunca, você não entende? Já viu algum figurão ser punido? Acha mesmo que somos tratados iguais?”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Ele indicou o próprio corpo, o torso descoberto.—Não fabriquei essa pessoa para Pimpinella, como teria sido o sensato a fazer. Eu fiz para você, porque queria impressioná-la. Mas não é quem eu sou de verdade. E seria injusto de minha parte usar uma fachada para conseguir sua afeição. Não precisa se forçar a gostar do que eu sou.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“—Acho que estou perdido, sabe? Você poderia me fazer ficar de joelhos se quisesse, e isso me deixa um tanto assustado, porque você seria tola em não se aproveitar da chance. Eu faria qualquer coisa que ordenasse.—Ele pôs um de meus cachos castanhos por trás da orelha.—Pouco antes de dormir, falei que você era um presente para o mundo. Mas, se me permitir o egoísmo, eu diria que você é também o meu presente. Um que nunca pensei encontrar.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Quando ouvi você me chamando—ele disse—e percebi que os oficiais estavam lá dentro, que estavam ameaçando você, experimentei algo que… Não sei, talvez a palavra que estou procurando seja inédito. Há alguma verdade no que dizem sobre os demônios, sabe? Nós realmente só nos importamos com as nossas sombras e promessas. Os humanos vêm e vão a cada pacto, entende? E o tempo continua correndo enquanto o deserto permanece, então não há razão para se apegar. Mas quando ouvi seus gritos, seu desespero… Quando vi aquele homem prestes a bater em você… Eu senti medo, Amarílis. Pânico. Tive medo de perder você. Ao mesmo tempo, descobri que era você a coisa mais preciosa que eu tinha. Que eu faria de tudo para mantê-la a salvo, mesmo às minhas custas. Mesmo que precisasse jogar meus planos fora.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Não sei dizer quando as coisas começaram a mudar—ele disse, a voz suave, gentil.—Talvez quando você me olhou na sala da sua chefe e me desejou com a mesma intensidade com que quis me estrangular. Ou quando me explicou sobre os bichos-da-seda, quando caminhou na chuva ou quando brigou comigo para defender seus amigos. Foi antes de eu tê-la beijado naquele bordel, tenho certeza, mas devo admitir que as coisas mudaram bastante depois dali. E eu sabia que estávamos brincando com fogo, você também sabia, mas acreditei de verdade que eu saberia conduzir aquela dança sem me queimar. Eu costumava ser bom nisso, afinal de contas. Mas então…—O demônio coçou a nuca, parecendo quase envergonhado.—Eu me sinto um grande idiota por não ter notado antes.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Eu não sabia o que responder. Por um lado, entendia os motivos dele. Olhando a imensidão solitária daquele deserto, eu entendia perfeitamente que alguém estivesse disposto a fazer qualquer coisa para escapar. Não era muito diferente da existência de um operário de fábrica sem sonhos ou ambições, que só repete o trabalho uniformizado, mais uma formiga na multidão esperando a chegada derradeira da morte. Eu calhara de ser uma humana desconhecida no lugar e na hora certa.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“É um desperdício que uma mulher como você viva enjaulada. Você é um presente para o mundo, Amarílis. Nunca peça desculpas por ser quem é.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Mas, minha querida… caso se permita viver eternamente com medo, então a República já venceu. Você vai suprimir uma parte de você, uma parte tão importante, tão necessária, que vai enlouquecer um pouco a cada dia.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Tolú trazia o pior de mim à tona. E a verdade era que eu gostava. Eu gostava.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Se quiser mesmo entrar nessa vida, Amarílis, saiba que você vai mudar. Mas tome cuidado para que essa nova versão seja do seu agrado. Seja leal a si mesma. E tente dar um jeito de, no futuro, olhar no espelho e conseguir gostar do que está vendo.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Precisa parar de viver como se fosse a sua própria sombra. Porque se não fizer isso… se você não parar de se esconder, o mundo nunca vai olhá-la de volta. Não deixe que passem por cima de você, Amarílis. Não dê a eles essa satisfação. Não deixe que eles vençam.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“A comida cai na cabeça deles, todas as necessidades são atendidas… e eles não ligam. Têm apenas esse impulso, essa compulsão de viver e de extrair tudo o que é possível, sem pensar nas consequências. Se a pessoa não tomar cuidado, as mariposas podem se atirar na água ou no fogo em busca de um parceiro, porque não enxergam nada além do desejo. E isso… me atrai. A falta de barreiras, mesmo em um mundo confinado. Gosto de cuidar dos bichos-da-seda e de tentar tecer algo belo a partir da morte e do caos, porque assim eu também me sinto… é como ser…
—Uma deusa.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Mas jamais imaginei vê-lo com ele, tão bem-vestido e educado. Meu único parente vivo. Um príncipe.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“De um jeito estranho, era prazeroso olhar as lagartas e pensar que eu era apenas mais uma tecelã sem importância à espera da morte.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Caótica demais, desafiadora das leis dos homens. Mundana. Afinal, não era possível manipular uma sociedade na qual o poder brotava de forma tão espontânea nas mãos de qualquer maltrapilho.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“O olhar que ele me deu em resposta continha fome o suficiente para devorar o mundo inteiro.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Ele tentou se afastar com a dor de quem na verdade quer permanecer, e a noção daqueles centímetros a mais entre nós dois percorreu meu corpo como um choque físico.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“havia algo dentro de mim que as pessoas não percebiam de imediato e que eu precisava mostrar para o demônio. Certa loucura. O vazio hereditário de minha mãe.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“O que de pior poderia acontecer? De que valia uma vida anônima e sem graça como a que eu levava? Eu poderia experimentar... Eu poderia colocar para fora... Eu poderia matar um homem.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Não vai ser caçada, Amarílis, eu prometo. Dessa vez, nós estaremos caçando. E você vai poder fazer o que quiser, porque é uma vergonha ver uma mulher como você se escondendo na lama.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Era esse o fascínio, a mulher mágica que fazia suas próprias regras e o encarava com olhos de mariposa. Éramos criaturas da noite, dos cantos escuros, da floresta e não dos jardins. Cores discretas, olhos estampados em nossas costas. E eu era como ela.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha
“Minha mãe era bruta como o oceano. Ela era o caos da natureza, nossas arestas e contradições, a magia entrelaçada com a mesma força que faz uma serpente devorar um filhote de pardal ainda no ninho. Feia e bela, imperfeita e imaculada. Cheia de segredos.”
Fernanda Castro, Mariposa Vermelha