Divã Quotes

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Divã Divã by Martha Medeiros
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“Cada pessoa tece a sua própria versão dos fatos. Cada um de nós tem uma maneira particular de perceber as coisas, e há diversos graus de intensidade no sentir, o que torna absolutamente infrutífera essa perseguição pelo senso comum.”
Martha Medeiros, Divã
“Se você olhar para o seu relógio agora, vai ver que falta pouco mais de um minuto para eu ir embora. Você tem sessenta segundos para reparar que estou com as unhas feitas, o cabelo limpo, as pernas cruzadas e a bolsa combinando com o vestido. Meu tom de voz não está alterado. Minhas contas estão em dia. Meu carro está estacionado em local permitido. Meu olhar não está parado. Sei que dia é hoje e em que cidade estamos. Não há nada em mim que você possa usar para justificar uma internação. Lopes, que bando de artistas somos nós.”
Martha Medeiros, Divã
“Somos todas iguais, temos todas a mesma história pra contar. No trajeto, tentei recapitular minha própria história e descobrir em que momento resolvi que não faria parte do mundo, não do jeito que ele me convoca. Quando foi que me exilei, Lopes, e por quê? Nenhuma vida é original. Nascemos e morremos, e no espaço entre uma coisa e outra estudamos, trabalhamos, casamos, temos filhos e netos, praticamos exercícios, adoecemos. Ninguém escapa desse script, não há outras opções. Por isso o álcool, o jazz, o esoterismo, a religião, o Kama Sutra: é preciso encontrar alguma fresta, é preciso reinventar uma história que não seja cópia, que não entre para as estatísticas, que escape. Mas mesmo a marginalidade é rotulada, também ela é convencionada, estabelecendo códigos de parecença e grupos fechados onde todos têm, quem diria, a mesma história pra contar. Talvez isso explique aquela sensação de sermos estrangeiros na própria terra, e a paixão por viajar que a maioria tem. Talvez isso explique a insistência de todos falarem sempre a mesma coisa, fazerem as mesmas perguntas e esperarem pelas mesmas respostas, e satisfazerem assim suas necessidades de convivência social. Em que outro idioma nos faríamos entender, se não o da socialização? Lopes, preciso urgentemente reaprender esses códigos, tenho falado muito sozinha.”
Martha Medeiros, Divã
“Para onde vai tudo o que a gente pensa e reprime, tudo o que a gente ouve e estoca, tudo o que a gente lê e compreende, tudo o que a gente vê e não toca? Para onde vão as ideias que a gente consome e os sentimentos que nos envergonham? Vida interior. Nem mil anos bastariam para eu assimilar tudo o que sinto e acomodar toda essa trupe em mim.”
Martha Medeiros, Divã
“Exponho minha vaidade. O que eu calo é que é verdade.”
Martha Medeiros, Divã
“A gente nunca fica satisfeita com os desfechos de nossos relacionamentos: se não conseguimos esquecer alguém, sofremos. Se conseguimos, lamentamos o quão pueril tornou-se o passado. Senti uma fisgada hoje pela manhã que nada mais era do que a dor da perda, mas não a perda de uma pessoa, e sim de uma etapa vencida.”
Martha Medeiros, Divã
“A falta de definição, por si só, define a vida. Tudo é transitório, Lopes, nossas manias, nossos pensamentos, nossos amores, nossos pontos de vista. Sabemos quem somos e o que sentimos, mas não sabemos até quando. Estamos em trânsito, e a definição só virá quando não estivermos mais aqui para entendê-la.”
Martha Medeiros, Divã
“Sozinha a gente apenas se preserva. A nossa existência, pra valer, só se confirma através dos outros.”
Martha Medeiros, Divã
“Vida é memória. Dei pra pensar que tudo o que há de mais vivo em mim foi aquilo que já se foi.”
Martha Medeiros, Divã