Memórias de um gigolô Quotes

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Memórias de um gigolô Memórias de um gigolô by Marcos Rey
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Memórias de um gigolô Quotes Showing 1-3 of 3
“Com a ausência da minha senhora, ele tornou-se o maior casmurro a bordo. E também o maior engolidor de whiskey sour. A tal ponto que resolvi apelidá-lo de Dom Casmurro, em homenagem ao meu colega de letras Machado de Assis, escritor carioca, autor de vários e excelentes livros sobre a arte e prática da masturbação. Abrindo aqui um parêntese, digo que foi esse escritor, um falso vesgo, o pai espiritual de Nabokov, tão pecaminosos eram seus desejos em relação às petizes de Mata-Cavalos. Parece que é esse mesmo o mais evidente traço de união entre todos os homens de bom gosto.”
Marcos Rey, Memórias de um gigolô
“Não posso ser julgado responsável pelas crises de ciúme que, periodicamente, acometem os homens calvos. São criaturas incontroláveis, talvez devido à violência e a verticalidade dos raios solares. O sol é o grande desconhecido, cura uns, mata outros e não raro enlouquece pobres mortais. Os calvos não deviam frequentar as praias, a não ser protegidos por casquetes e sombreros. Vi trêfegos carecas darem vexame no Gonzaga e no Guarujá, investindo contra as mais puras donzelas em autênticas agressões sexuais. Afastem suas filhas desses tipos. O Gallup já fez importantes e instrutivas pesquisas sobre o comportamento sexual, político e social dos calvos. Sabe-se, por exemplo, que evitam usar chapéu por puro masoquismo. São megalomaníacos, mórbidos românticos e tristemente impetuosos sob o bombardeio do infravermelho. Podem estar calmos agora, sugando refrescos de tamarindo por canudinho, mas já no momento seguinte perdem o controle e as mulheres que se acautelem. Aparentemente ajustados, sonham com um mundo ditatorial e nirvânico, povoado de odaliscas, eunucos e servis mercadores.”
Marcos Rey, Memórias de um gigolô
“Primeiramente, senti o contato do meu corpo nas asas de um anjo, depois veio a sensação do voo-teste de um paraquedista em domingo no clube, seguida do velejar britânico no litoral do Taiti, acompanhado da delícia de uma orquestra caprichando a mais bela melodia, que se transformou numa suave intoxicação por champanhe francês e por fim algo que se abria, com toda a certeza as montanhas de Ali Babá, oferecendo um banquete de diamantes em seu interior exclusivo, úmido e misterioso.”
Marcos Rey, Memórias de um gigolô