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Paula Mota
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Do pátio desta casa até ao céu de todas
cresce um damasqueiro
à sombra do qual escrevo.
Hoje há nuvens e pássaros que cantam
e temem a tempestada.
Há lençóis estendidos. Dir-se-ia
que os seca o silêncio.
Aqui eu fui menino. Aqui regresso para morrer
e morro e minto e sofro
e volto a partir.
(...)
— Oct 26, 2021 04:04AM
cresce um damasqueiro
à sombra do qual escrevo.
Hoje há nuvens e pássaros que cantam
e temem a tempestada.
Há lençóis estendidos. Dir-se-ia
que os seca o silêncio.
Aqui eu fui menino. Aqui regresso para morrer
e morro e minto e sofro
e volto a partir.
(...)
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Paula Mota
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OS DEUSES DENTRO
Os deuses sabem mais e melhor que nós
o que nos falta. pedimos-lhe um filho
e mandam-nos um lobo, e não os compreendemos.
A vida, todos os dias, esquece-os.
A morte, pela noite, inventa-os.
E as doenças, como bem disse o sábio,
são deuses que agonizam dentro do nosso corpo,
seu último templo em ruínas,
seu refúgio sem fé. Pedem piedade.
(...)
— Oct 29, 2021 02:52AM
Os deuses sabem mais e melhor que nós
o que nos falta. pedimos-lhe um filho
e mandam-nos um lobo, e não os compreendemos.
A vida, todos os dias, esquece-os.
A morte, pela noite, inventa-os.
E as doenças, como bem disse o sábio,
são deuses que agonizam dentro do nosso corpo,
seu último templo em ruínas,
seu refúgio sem fé. Pedem piedade.
(...)
Paula Mota
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INSTRUÇÕES PARA SAIR DO DESERTO
Para sair deste íntimo deserto
é preciso saber que não tem saída.
Esperar, caminhar, desesperar,
cultivar a paciência até perdê-la
quando tudo tu sejas já pura paciência.
É preciso sentir que o deserto és tu mesmo,
recordar com irónica ternura
aqueles dias só agora felizes
em que tivemos fé nas miragens
Já não há mais coração do que aquele que ardeu.
(...)
— Oct 27, 2021 05:18AM
Para sair deste íntimo deserto
é preciso saber que não tem saída.
Esperar, caminhar, desesperar,
cultivar a paciência até perdê-la
quando tudo tu sejas já pura paciência.
É preciso sentir que o deserto és tu mesmo,
recordar com irónica ternura
aqueles dias só agora felizes
em que tivemos fé nas miragens
Já não há mais coração do que aquele que ardeu.
(...)

