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Paula M.
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Prefácio à segunda edição (dos Novos Contos da Montanha)
S. Martinho de Anta, Setembro de 1945
Querido leitor,
Escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste livro.(…) Corre por estes montes um vento desolador de miséria que não deixa florir as urzes nem pastar os rebanhos. O social juntou-se ao natural, e a lei anda de mãos dadas com o suão a acabar de secar os olhos e as fontes .
— Aug 29, 2021 03:26PM
S. Martinho de Anta, Setembro de 1945
Querido leitor,
Escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste livro.(…) Corre por estes montes um vento desolador de miséria que não deixa florir as urzes nem pastar os rebanhos. O social juntou-se ao natural, e a lei anda de mãos dadas com o suão a acabar de secar os olhos e as fontes .
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Paula M.
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Olhou a muda agitação da seara. O povinho! O patarata do Zé Pagode a congeminar! Ele tratava-lhe da saúde ! Ainda tinha pulso para o dominar. Para o fazer rir ou chorar consoante lhe desse na real gana, e para lhe impingir no intervalo quantas porcarias coubessem no baú. Não queriam agora o chá da icterícia? Gramavam-no para outra vez. Tão certo como dois e dois serem quatro!
O charlatão
— Oct 11, 2018 03:25PM
O charlatão
Paula M.
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A rua das Esteiras tem pouco sol e é triste (...) Nos andares de cima, (...) seca roupa numa franqueza escancarada. Pelos remendos, grau de brancura, quantidade e natureza das peças expostas, fica patente à curiosidade alheia a condição de vida dos moradores. Até de cada ninhada de filhos o estendal dá relação. Se é grande, se é pequena,....
( ' Não venhas mais... ' | pág. 247 | A Rua)
— Oct 06, 2018 01:56PM
( ' Não venhas mais... ' | pág. 247 | A Rua)
Paula M.
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Apesar de a Gomes ter as farroncas que toda a gente sabia, a Melra foi-
-lhe àquele corpo que lho derreteu. A maior coça de que há memória em Feitais! (...)
A Melra fora sempre de aço. A ter filhos, era um ai que lhe dava; ao mato, punha cada carrego à cabeça, que até as mais se envergonhavam; a segar, enquanto as outras faziam cinco, ela fazia dez. Forte! Também lhe comia e bebia como uma valente. ( O bruxedo)
— Jun 11, 2018 10:35AM
-lhe àquele corpo que lho derreteu. A maior coça de que há memória em Feitais! (...)
A Melra fora sempre de aço. A ter filhos, era um ai que lhe dava; ao mato, punha cada carrego à cabeça, que até as mais se envergonhavam; a segar, enquanto as outras faziam cinco, ela fazia dez. Forte! Também lhe comia e bebia como uma valente. ( O bruxedo)
Paula M.
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(...) o certo é que no domingo seguinte , Nosso Senhor, sempre pela boca sem dentes do abade, recomeça a falar. Que o fim do mundo está perto e que não haja ilusões. Todos para as profundezas do inferno! Os velhos , as velhas e os novos. Ficam só as ovelhas.
Saudel, aí, desespera. Chora umas lágrimas negras, barrentas, e geme como quem uiva. Os rebanhos na serra sem pastor! O que teriam dito de Saudel no céu!
— Jun 09, 2018 01:26PM
Saudel, aí, desespera. Chora umas lágrimas negras, barrentas, e geme como quem uiva. Os rebanhos na serra sem pastor! O que teriam dito de Saudel no céu!
Paula M.
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Apesar de considerar todos os contos que integram "Os Bichos" maravilhosos, considero que o mais notável é " Ladino". Começa assim:
' Grande bicho aquele Ladino, o pardal. Tão manhoso, em toda a freguesia, só o padre Gonçalo. Do seu tempo, já todos tinham andado...'
( está dado o mote ;-)
— May 27, 2018 01:27PM
' Grande bicho aquele Ladino, o pardal. Tão manhoso, em toda a freguesia, só o padre Gonçalo. Do seu tempo, já todos tinham andado...'
( está dado o mote ;-)
Paula M.
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A alma enchera-se-lhe de silêncio em vinte anos de Marão. Naquela grande aridez, só a vida que pulsava sem ruído conseguia triunfar. A chamiça , a carqueja, o tojo molar, as lagartixas, as cobras e os saltaricos cresciam no mesmo cauteloso mutismo. No Março, a torga floria. Mas não chegava esse alarido de cor para acordar as fragas. E a lição que Ramiro recebia diariamente era a de uma irremediável afonia cósmica...
— May 27, 2018 03:29AM
Paula M.
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-Muita alegria tem tal bicho!
- A alegria passa-lhe...É deixar vir o inverno...
(... ...)
- E temo-lo aí, não tarda muito.
Evidentemente. Mas que lhe importava. A escolha estava feita. Que as folhas do calendário, como as das árvores, fossem caindo, e que os ceifeiros lançassem as gadanhas ao trigo maduro, numa condenação de galerianos. Que nas tulhas se acumulassem toneladas de grão.
( Cegarrega)
— May 26, 2018 06:25AM
- A alegria passa-lhe...É deixar vir o inverno...
(... ...)
- E temo-lo aí, não tarda muito.
Evidentemente. Mas que lhe importava. A escolha estava feita. Que as folhas do calendário, como as das árvores, fossem caindo, e que os ceifeiros lançassem as gadanhas ao trigo maduro, numa condenação de galerianos. Que nas tulhas se acumulassem toneladas de grão.
( Cegarrega)

