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Paula Mota
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"Desde o dia em que jurei nunca mais pôr os pés no escritório, perdi por completo a faculdade de trabalhar em qualquer coisa que não fosse a crítica apaixonada ao trabalho forçado; é a isso que me dedico todos os dias, durante magníficas jornadas de ócio e incerteza."
— Sep 08, 2026 08:12AM
Escritos para desocupados

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Paula Mota
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"O ensaio tem sido oficialmente condenado a desaparecer sob a tirania da informação,da polémica e do entretenimento,as 3 formas predilectas da falsa democracia da cultura de massas.Para quê fustigá-lo ainda mais?O mercado e a academia,as tecnocracias do conhecimento,há muito o puseram de joelhos(.)Gosto de pensar no ensaio como o género literário + ocioso,1 género indómito e errante

[Este "Contra-ensaio" é fabuloso]
— 13 hours, 7 min ago
Escritos para desocupados


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"Imaginemos q a era da cultura hierárquica chegou para ficar,que a domesticação é geral,que o império do mesmo conquistou uma prolongada,sórdida e impenetrável regressão estética e vital.Imaginemos q os filósofos se converteram irremediavelmente em burocratas do pensamento;os escritores,em jovens promessas vulgares(.)Imaginemos q ninguém sente incómodo no meio deste panorama(.)Este seria o momento de lançar uma bomba
— Oct 06, 2026 01:31AM
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"Os freegans entregaram-se abertamente ao proselitismo de uma nova forma de vida: a vida ociosa. Não admira que as pessoas os considerem parasitas e chalupas; afinal de contas, faltaram às normas da urbanidade mais básicas: desnudaram-se do capitalismo à vista de todos. (...)Eles optaram pelo desemprego deliberado, os enclaves de trabalho zero, a ajuda mútua, o auto-emprego, o activismo.
— Oct 05, 2026 09:42AM
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"A própria terra não se alimenta. por acaso, de excrementos e fruta podre? Só na civilização existe lixo: esta mistura de seringas, embalagens de esferovite, garrafas e sacos de plástico que há muito flutua no Pacífico, onde os leões-marinhos se agiram até à agonia. Os nossos resíduos tornaram-se, após dois séculos de actividade industrial, nos cumes da civilização: só eles, hoje, desafiam a eternidade."
— Oct 02, 2026 05:05AM
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"O cabaz familiar deve ir do sabor ao saber", disse Caruso, porta-voz napolitanos da organização [Il Desobbedienti, cujos membros faziam shopsurfing, consumo sem gasto]"Os livros converteram-se em objectos de luxo para nós, que fazemos parte dos 10 milhões de italianos que não chegam ao fim do mês... Nós queremos o pão, mas também as rosas. Comer, mas também ler."
— Oct 01, 2026 08:20AM
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"A desempregada voluntária sabe que corre um risco.O risco do desprezo. O risco da precariedade.O risco do escárnio.(.)Como poderia ser popular alguém que se pronuncia contra a pátria do trabalho?Na maioria das vezes,é vista como uma traidora.Coloca em risco a subsistência da própria tribo.(.)
"Se nem o isolamento, nem a dissidência são a tua posição habitual ou cómoda,este é um processo complexo e difícil.-S.Sontag.
— Sep 27, 2026 04:16AM
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"O excesso de trabalho gera excesso de mercadorias. E que faremos com elas? Expandir os mercados! Ou seja, descobrir consumidores, estimular-lhes os apetites, criar-lhes necessidades fictícias (e obrigá-los a trabalhar o dobro!) (..) Viver para trabalhar (e consumir até morrer). Alguns audazes chamam a isso de bem-estar."
— Sep 24, 2026 05:36AM
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"Durante a tarde, passei várias horas deitada na cama, pensando em como me tornei ociosa. Porque nem sempre fui ociosa. De facto, foi o excesso de trabalho que me tornou assim. Houve um tempo em que fui trabalhadora, demasiado trabalhadora. Digamos que, na minha juventude, me esgotei. Fui tão longe na minha aflição pelo estudo e pelo trabalho que apenas me restava descansar. Continuar a exceder-me era impossível."
— Sep 23, 2026 08:03AM
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Orgulho-me de um único privilégio: levantar-me da cama à hora que me dá na gana.

"Se o vinho te impede de trabalhar, elimina o trabalho" (cartaz encontrado no exterior de um bar parisiense, Chez Robert)

Contra o que lutamos nós, os ociosos? Contra a privatização do tempo.
— Sep 17, 2026 03:53AM
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"Existe também a servidão do ócio:a preguiça mercantilizada.Essa versão vazia,impermeável,codificada e sempre sedutora do entretenimento(.)Aí,reinam os prazeres indiferentes oferecidos pela liberdade do poder de compra,a única liberdade na qual acreditam os animais de consumo,a liberdade de escolher entre uma infinita variedade do mesmo(.)As pessoas já não honram o trabalho,mas,sim,as coisas que podem comprar com ele
— Sep 14, 2026 06:03AM
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