Status Updates From Riacho Doce
Riacho Doce by
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Luís
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Edna sentia-se feliz. Calma. Boa para o amor do homem que a esperava. E entrou de mar adentro. Foi nadando, foi nadando. Com pouco os primeiros raios de sol brilharam nos seus cabelos loiros. Raios de sol cobriam o mar. A grande cabeça de luz resplandecia como um Deus nascendo. E Edna nadava, nadava para ele, como se Nô estivesse de lá chamando-a, chamando-a para a vida. Nadou, nadou.
— Mar 25, 2022 11:41AM
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Luís
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Ainda de longe ela ouvia a cantoria dos reis e das rainhas de Ipioca. Por fim uma lua magra apareceu no céu, sem luz, quase comida. Uma pobre lua de fim de vida. E a paz reinou outra vez na terra, menos na cabeça de Edna, que não parava, que tinha um formigueiro de pensamentos tristes bulindo, se mexendo, roendo tudo.
— Mar 25, 2022 09:05AM
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Luís
is on page 203 of 249
Foi mais além, correu para longe. A Ponta Verde entrava no mar com a cabeleira dos seus coqueiros. Agora estava ali, sozinha, sem o olhar de ninguém, sem a presença de ser humano algum. Estava protegida pelo silêncio e a solidão, que como dois muros enormes a separavam da humanidade. Só, estava só, sem Carlos, sem o mundo, sem a velha Elba, a velha Aninha, mas faltava-lhe Nô. (...)
— Mar 24, 2022 03:38PM
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Luís
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A galega estava vermelha como camarão. Dentro do samburá, uma cioba grande. Nô ficou arrumando as coisas, e Edna subiu para casa. O marido já devia ter voltado para o trabalho. Os homens se chegaram para Nô, indagando dos lances. A jangada de Juca Nunes, a maior de todas de Riacho Doce, foi chegando, de vela enorme, orgulhosa, como se fosse dona do mar. (...)
— Mar 24, 2022 02:05PM
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Luís
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O canto continuava, manso e magoado. A voz de Sinhá Benta foi-se sumindo para os ouvidos de Edna. O mar, os coqueiros, murmuravam mais baixo. Nô cantava. Ela via-o, de olhos grandes, de cabelos negros, de voz macia, corpo moreno, chegando para ela. Vinha devagar, vinha com mãos de veludo pegando pelas suas mãos, pelos seus braços, seus seios, suas coxas. (...)
— Mar 24, 2022 12:10PM
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Luís
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A carne da galega era como carne de peixe: devia ser fria, e os homens dali não gostavam daquilo. Sinhá Aninha olhava para Edna sem medo e sem susto. Podia ela correr pelas praias, nadar, andar com os homens de jangada. O diabo não lidava com ela. Ele gostava era de acender as carnes da morena, de botar fogo nas Chicas.
(...)
— Mar 24, 2022 09:28AM
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(...)
Luís
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A vida era boa, apesar de tudo. Diziam que o Riacho Doce não daria mais febre. E no entanto os filhos de Lucas estavam de cama, todos com febre. A água doce, boa de se beber, boa para banho, que fazia espuma no sabão, continuava dando febre, botando gente para tremer. Nô se fora. Diziam que agora tomaria o navio que atravessava o mar de lado a lado. As moças não esperavam mais por ele. Era de outra terra. (...)
— Mar 24, 2022 06:34AM
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Luís
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O navio ia ficando longe, todo iluminado na escuridão. Ficava para lá a terra de Edna, o acordeão do tripulante, a voz de Frei Jorge. Ficava para lá o mundo. Quisera um dia morrer naquele mundo! E agora fugia para um outro ...
— Mar 23, 2022 04:15PM
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Luís
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Ficou ali, deixando-se possuir pelo vento que vinha cheirando a mar. Que ele entrasse pelo seu corpo, lambesse as suas carnes, dormisse com ela. Faiscavam as estrelas como as pedrarias de um vestido de princesa encantada. Por cima de sua cabeça, um céu resplandecente. E acariciando o seu corpo, mãos macias de um amante sequioso. Quando ouviu foi o chamado de Carlos. Tinha dormido ao relento.
— Mar 23, 2022 02:29PM
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Luís
is on page 63 of 249
Ester não existia mais no seu consciente. O que lhe aparecia, com uma insistência de ideia fixa, era o desejo de fugir, de abandonar a sua gente. Que todos morressem, que todos fossem esmagados por uma torrente de gelo. Que os corpos deles se reduzissem a gelo, a blocos de gelo que que saíssem boiando pelo mar. E que ela, sozinha no mundo, pudesse viver. Viver como milhões viviam. Ester quase que sucumbira. (...)
— Mar 23, 2022 10:52AM
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Luís
is on page 50 of 249
(...)
E correu para o quarto de seu pai. Ouviu lá em baixo a velha Elba falando, a voz rouca, a voz que se parecia com a de Nicolau. Abriu a gaveta. E a pistola de cano comprido, a pistola que fora de seu avô, lá estava estendida, como num sono profundo. Não queria mais nada do mundo. Ester ... Ester ... Os cabelos pretos cobririam o seu corpo morto. E um tiro estrondou na casa.
— Mar 23, 2022 07:29AM
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E correu para o quarto de seu pai. Ouviu lá em baixo a velha Elba falando, a voz rouca, a voz que se parecia com a de Nicolau. Abriu a gaveta. E a pistola de cano comprido, a pistola que fora de seu avô, lá estava estendida, como num sono profundo. Não queria mais nada do mundo. Ester ... Ester ... Os cabelos pretos cobririam o seu corpo morto. E um tiro estrondou na casa.
Luís
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Passou uma noite agitada. A mãe procurou-a, veio para consolá-la. Era uma filha ferida pela calúnia. Acariciou-a, contou-lhe história, o rei saíra pela terra para conhecer o que havia de triste pelo mundo. Contou outras histórias.
— Mar 22, 2022 03:19PM
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