Fabíola Borges > Fabíola's Quotes

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  • #1
    Italo Calvino
    “Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.
    – Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? — pergunta Kublai Khan.
    – A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra — responde Marco —, mas pela curva do arco que estas formam.
    Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:
    – Por que falar em pedras? Só o arco me interessa.
    Polo responde:
    – Sem pedras, o arco não existe. (p. 84)”
    Italo Calvino, Invisible Cities

  • #2
    Italo Calvino
    -Você avança com a cabeça voltada para trás? - ou então: - O que você vê está sempre às suas costas? - ou melhor: - A sua viagem só se dá no passado?
    Tudo isso para que Marco Polo pudesse explicar ou imaginar explicar ou ser imaginado explicando ou finalmente conseguir explicar a si mesmo que aquilo que ele procurava estava diante de si, e, mesmo que se tratasse do passado, era um passado que mudava à medida que ele prosseguia a sua viagem, porque o passado do viajante muda de acordo com o itinerário realizado, não o passado recente ao qual cada dia que passa acrescenta um dia, mas um passado mais remoto. Ao chegar a uma nova cidade, o viajante reencontra um passado que não lembrava existir: a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos.
    Marco entra numa cidade; vê alguém numa praça que vive uma vida ou um instante que poderiam ser seus; ele podia estar no lugar daquele homem se tivesse parado no tempo tanto tempo atrás, ou então se tanto tempo atrás numa encruzilhada tivesse tomado uma estrada em vez de outra e depois de uma longa viagem se encontrasse no lugar daquele homem e naquela praça. Agora, desse passado real ou hipotético, ele está excluído; não pode parar; deve prosseguir até uma outra cidade em que outro passado aguarda por ele, ou algo que talvez fosse um possível futuro e que agora é o presente de outra pessoa. Os futuros não realizados são apenas ramos do passado: ramos secos.
    - Você viaja para reviver o seu passado? - era, a esta altura, a pergunta do Khan, que podia ser formulada da seguinte maneira: - você viaja para reencontrar o seu futuro?
    E a resposta de Marco:
    - Os outros lugares são espelhos em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que não teve e o que não terá. (p. 31-32)”
    Italo Calvino, Invisible Cities

  • #3
    Italo Calvino
    “- Eu falo, falo - diz Marco -, mas quem me ouve retém somente as palavras que deseja. [...] Quem comanda a narração não é a voz: é o ouvido. (p. 129)”
    Italo Calvino, Invisible Cities

  • #4
    Italo Calvino
    “Talvez toda a questão seja saber quais palavras pronunciar, quais gestos executar, e em que ordem e ritmo, ou então basta o olhar a resposta o aceno de alguém, basta que alguém faça alguma coisa pelo simples prazer de fazê-la, e para que o seu prazer se torne um prazer para os outros; naquele momento todos os espaços se alteram, as alturas, as distâncias, a cidade se transfigura, torna-se cristalina, transparente como uma libélula. Mas é necessário que tudo aconteça como se por acaso, sem dar muita importância, sem a pretensão de estar cumprindo uma operação decisiva [...]. (p. 147)”
    Italo Calvino, Invisible Cities

  • #5
    Hermann Hesse
    “E eu via prados e declives, gretas de penhascos cobertas de grama, flores, fetos e musgos, aos quais a velha voz popular dera nomes tão singulares e tão cheios de significações. Viviam, filhos e netos que são das montanhas, coloridos e inofensivos, ali mesmo nos seus postos. Eu os apalpava, contemplava-os, aspirava-lhes o perfume e aprendia seus nomes. Impressionava-me ainda mais séria e profundamente com a contemplação das árvores. Via cada uma delas levando sua vida à parte, aperfeiçoando sua forma e coroa especiais, projetando sua sombra peculiar. A mim me pareciam ermitãs e lutadoras, mais estreitamente aparentadas com as montanhas, pois cada uma delas, sobretudo as que se erguiam nos pontos mais altos das montanhas, mantinham sua luta silenciosa e tenaz pela existência e desenvolvimento, contra o vento, o tempo e as rochas. Cada qual tinha que suportar seu próprio peso e se agarrar com força ao solo, resultando daí que cada uma possuía uma forma particular e chagas especiais. Havia pinheiros aos quais as tormentas só permitiam que apresentassem galhos de um só lado, e outros cujos troncos avermelhados se haviam enroscado, quais serpentes, ao redor de rochas, de tal maneira que árvores e rochas se agarravam umas às outras para se sustentarem. A mim elas se assemelhavam a guerreiros e despertavam no meu coração um sentimento de medo e de respeito. (p. 8)”
    Hermann Hesse, Peter Camenzind

  • #6
    Hermann Hesse
    “O alegre e claro espelho de minha alma era muitas vezes embaçado por uma espécie de melancolia mas, por ora, não havia sido seriamente danificado. Ela aparecia de tempos em tempos, durante um dia ou uma noite, como uma tristeza sonhadora e solitária; desaparecia depois sem deixar traços, voltando após algumas semanas ou meses. Aos poucos fui me habituando a ela, como a uma amiga e confidente, não a recebendo como um tormento, mas como um cansaço inquieto, que não deixava de ter seu encanto. Quando ela me surpreendia de noite eu ficava, em vez de dormir, horas inteiras à janela, olhava o lago mergulhado na escuridão, as silhuetas das montanhas desenhadas no palor do céu e bem no alto, as belas estrelas. Então apossava-se de mim com frequência um sentimento doce e vigoroso, como se eu fosse contemplado por toda aquela formosura da noite, com uma justa censura. Como se estrelas, montanhas e lagos aspirassem por alguém que compreendesse sua beleza e o sofrimento da sua natureza calada e a expressasse, como se eu fosse aquele ser e como se fosse essa a minha verdadeira missão. a de dar, em poesias, uma expressão à natureza muda. De que maneira isso seria possível não sei, jamais pensei nisso, apenas sentia que a bela e severa noite esperava por mim, impaciente, numa ânsia silente. (p. 42)”
    Hermann Hesse, Peter Camenzind

  • #7
    Leo Tolstoy
    “A man can live and be healthy without killing animals for food; therefore, if he eats meat, he participates in taking animal life merely for the sake of his appetite. And to act so is immoral.”
    Leo Tolstoy

  • #8
    Charles Bukowski
    “The Laughing Heart

    your life is your life
    don’t let it be clubbed into dank submission.
    be on the watch.
    there are ways out.
    there is a light somewhere.
    it may not be much light but
    it beats the darkness.
    be on the watch.
    the gods will offer you chances.
    know them.
    take them.
    you can’t beat death but
    you can beat death in life, sometimes.
    and the more often you learn to do it,
    the more light there will be.
    your life is your life.
    know it while you have it.
    you are marvelous
    the gods wait to delight
    in you.”
    Charles Bukowski, Betting on the Muse: Poems & Stories
    tags: life

  • #9
    Caio Fernando Abreu
    “[...] deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim dum jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver nascer uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço [...] (Para uma avenca partindo, p. 46-47)”
    Caio Fernando Abreu, Além do Ponto e Outros Contos

  • #10
    Caio Fernando Abreu
    “[...] sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? (Para uma avenca partindo, p. 47-48)”
    Caio Fernando Abreu, Além do Ponto e Outros Contos

  • #11
    Charles Bukowski
    “If you're going to try, go all the way. Otherwise, don't even start. This could mean losing girlfriends, wives, relatives and maybe even your mind. It could mean not eating for three or four days. It could mean freezing on a park bench. It could mean jail. It could mean derision. It could mean mockery--isolation. Isolation is the gift. All the others are a test of your endurance, of how much you really want to do it. And, you'll do it, despite rejection and the worst odds. And it will be better than anything else you can imagine. If you're going to try, go all the way. There is no other feeling like that. You will be alone with the gods, and the nights will flame with fire. You will ride life straight to perfect laughter. It's the only good fight there is.”
    Charles Bukowski, What Matters Most is How Well You Walk Through the Fire

  • #12
    Ludwig Wittgenstein
    “If we take eternity to mean not infinite temporal duration but timelessness, then eternal life belongs to those who live in the present.”
    Wittgenstein Ludwig



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