Cansei de viver, de querer, de tentar
Meu corpo é terreno estéril, não posso mexe-lo mais
Minha mente é território em conflito, em
Que nunca haverá de novo paz.
Cansei de imaginar, devanear, me iludir
Minha boca não tem as palavras claras e certas
E meus tempos de reinado, de garota esperta
Há tempos ficou para trás.
Cansei de me afogar nos “ses” da vida que não pude ter
de me perguntar os porquês de um destino que não queria
De não ter tido ouvidos quando me disseram “eu já sabia”
Cansei de não ter o que eles têm
E de saber que fui esmagada por um trem
Que passou e levou toda a esperança
Extirpando deste corpo frágil a alma de criança
Cansei de ser eu, a que nunca soube nada de verdade
A que nunca adquiriu nada nesta existência além da idade
A que nunca conseguiu ter de alguém a real sinceridade
A que sempre mendigou lasquinhas de sua bondade
Farta, chega!