Cansada

Cansei de viver, de querer, de tentar


Meu corpo é terreno estéril, não posso mexe-lo mais


Minha mente é território em conflito, em


Que nunca haverá de novo paz.

Cansei de imaginar, devanear, me iludir


Minha boca não tem as palavras claras e certas 


E meus tempos de reinado, de garota esperta 


Há tempos ficou para trás.

Cansei de me afogar nos “ses” da vida que não pude ter 


de me perguntar os porquês de um destino que não queria 


De não ter tido ouvidos quando me disseram “eu já sabia”

Cansei de não ter o que eles têm 


E de saber que fui esmagada por um trem


Que passou e levou toda a esperança 


Extirpando deste corpo frágil a alma de criança

Cansei de ser eu, a que nunca soube nada de verdade


A que nunca adquiriu nada nesta existência além da idade


A que nunca conseguiu ter de alguém a real sinceridade


A que sempre mendigou lasquinhas de sua bondade 

Farta, chega! 


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Published on December 20, 2015 21:32
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