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Frankenstein: The 1818 Text
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Resenhas > Frankenstein

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Felipe Pierro | 1 comments Mod
A obra clássica escrita por Mary Shelley é muito clara em suas críticas, problemáticas e enredo. Gostei bastante da abertura do livro em que descobrimos que toda a história criada pela autora é contada pelo próprio Victor. A divisão do livro em cartas, na visão do "monstro" humano e do "monstro" não humano, dá uma chance de os personagens justificarem suas atitudes ao longo da história: de um lado, um jovem promissor correndo incessantemente atrás de seu sonho e criando a vida a partir do nada, como um Deus; de outro, uma vida fadada à solidão, lutando para conquistar seu lugar no mundo enquanto o mundo lhe vira as costas. Falando de maneira mais direta, os dois protagonistas têm momentos justificáveis e momentos injustificáveis, e o livro não tenta minimizar seus feitos. Entre assassinatos, promessas quebradas e trilhas recheadas de solidão e melancolia, tanto o criador quanto sua obra acabam tendo o mesmo destino. "O ser humano se torna Eu pela relação com o Você; à medida que me torno Eu, digo Você. Todo viver real é encontro". Mary Shelley acaba por antecipar uma pauta fenomenológica muito interessante, em que põe seu protagonista definido em uma relação "Eu-Isso". Nela, Victor desenvolve relações de utilidade para com os outros, em que não cria um ser por uma "paixão pela vida", mas para validar uma teoria, ou apenas um "Isso". Enquanto a criatura vive em uma busca contínua por uma relação autêntica "Eu-Tu", de reciprocidade e aceitação sincera (como quando buscava com a família De Lacey), Victor recusa-se a olhar para sua criação como igual. Ele faz o mesmo com Elizabeth, enquadrando um como criação e outro como posse. Não ficando muito para trás, a criatura se contamina pelos pecados de seu criador e passa a seguir também pela relação "Eu-Isso", utilizando Victor não mais como humano, mas como objeto de vingança. Conclui-se a tragédia da obra, na qual os dois vivem dependentes um do outro e, quando o fim de um chega, logo após vem o do outro. Senti poucos defeitos no livro que justificaram a nota; entre eles, talvez a redundância de alguns capítulos que segura a perseguição/tensão e a passividade das personagens femininas que, frente a diversos contratempos, não se voltaram contra eles, mesmo o livro sendo escrito por uma mulher.
4.25


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