“Essa é uma das razões pelas quais as religiões organizadas não me inspiram confiança. Que líderes dos principais credos reconhecem que suas crenças talvez sejam incompletas ou errôneas, e criam institutos para revelar possíveis deficiências doutrinárias? Além do teste da vida cotidiana, quem verifica sistematicamente as circunstâncias em que os ensinamentos religiosos tradicionais talvez ja não se apliquem? (É concebível que as doutrinas e a ética que podem ter funcionado muito bem nos tempos patriarcais, patrísticos ou medievais sejam totalmente inválidas no mundo bastante diferente que habitamos hoje.) Que sermões examinam imparcialmente a hipótese de Deus? Que prêmios os céticos religiosos ganham das religiões estabelecidas - ou, nesse aspecto, que recompensas os céticos sociais e econômicos recebem da sociedade em que vivem?
A ciência, observa Ann Druyan, está sempre nos sussurrando ao ouvido: "Lembre-se, você é novo nisso. Pode estar equivocado. Já errou antes". Apesar de todo o discurso da humildade, mostrem-me algo comparável na religião. Acredita-se que as Escrituras sejam de inspiração divina - uma expressão com muitos significados. Mas e se forem simplesmente criadas por seres humanos falíveis?”
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Carl Sagan,
The Demon-Haunted World: Science as a Candle in the Dark