“Então saltou à frente meu senhor Galvão e disse que estava preparado para defender sua dama, que ela não merecia morrer de tal maneira, e que provará serem
desleais os que pronunciaram esse julgamento. Outro tanto fez Caio o senescal, e se ofereceu vigorosamente para a batalha. Mas Lancelote, ali presente, que ouvira a condenação à morte daquela que amava de todo o coração, suportaria muito a contragosto que outros se armassem para livrá-la. Tanto o inflamavam ira e amor que acreditava firmemente que seu corpo poderia levar a bom termo o quanto seu coração ousasse tentar. Adiantou-se e disse a Caio para recuar.
- Pois nesta batalha, falou, não vos metereis. Procurai outra que vos convenha.
- Como? exclamou Caio; estais disposto a combater por minha dama contra três cavaleiros?
- Por certo que sim, respondeu ele. Eu me baterei seguramente. E sabei que gostaria de estar em ainda maior desvantagem, à condição de que um rei de tal espécie como este aqui seja o quarto. Assim verdadeiramente, que Deus me ajude, ele nunca mais carregaria coroa.”
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Antonio L. Furtado,
Aventuras da Távola Redonda: Estórias medievais do Rei Artur e seus Cavaleiros