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uma vez, uma única vez em minha vida, não durante a anemia cerebral do sono, mas sim na realidade, uma porta se colocou diante de mim, a qual a pessoa que estava lá dentro não teria aberto, pois protegia a visão de seu abandono e terrível estado físico, ainda que o telhado sobre sua cabeça já ardesse em chamas. Eu era a única que tinha o poder de mover aquela fechadura: a pessoa que girou a chave acreditava mais em mim do que em deus, e eu também pensava assim, que, naquele instante fatal, eu era deus, sábia, ponderada, boa e racional. Nós duas estávamos enganadas, ela, que tinha confiança em
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tenho que desacostumá-la a expressar o seu apego a mim tão sem disciplina e das formas mais absurdas. Hoje, eu sei o que então não sabia, que afetos não podem ser expressados de maneira contida, canalizada, articulada, e que não posso determinar sua forma em nome de outra pessoa.
Emerenc era a única habitante do seu reino de uma pessoa só, mais soberana que o papa em Roma,
o que Emerenc odiava era o poder, não importa em que mãos estivesse, se aparecesse algum homem capaz de resolver todos os problemas dos cinco continentes, Emerenc ficaria contra ele também, simplesmente porque seria o vencedor.
A senhora tem um temperamento terrível – disse Emerenc –, como o sapo, a senhora incha tanto, um dia ainda vai explodir. Não entende nada, só é boa em mandar seu colega no helicóptero fazer dançar as árvores, numa enganação. A senhora nunca entende o que é simples, quer sempre entrar pelos fundos, quando a outra porta está bem na sua frente.

