Torquato Neto

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Torquato Neto


Born
in Teresina/PI, Brazil
November 09, 1944

Died
November 10, 1972

Genre


Torquato Pereira de Araújo Neto (November 9, 1944 – November 10, 1972) was a Brazilian journalist, poet and songwriter. He is perhaps best known as a lyricist for the Tropicália counterculture movement, which later expanded its influence to Música popular brasileira. He worked with Gal Costa, Gilberto Gil, Edu Lobo and Waly Salomão. He committed suicide at the age of 28.

Neto was the son of a public prosecutor and a primary schoolteacher from Teresina, the capital of the northeastern Brazilian state of Piauí. At the age of 16, he moved to Salvador, Bahia, to attend secondary school at the Colégio Nossa Senhora da Vitória, where he was a classmate of Gilberto Gil. While there, he also worked as an assistant on Glauber Rocha's first feature fi
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Average rating: 3.94 · 315 ratings · 30 reviews · 13 distinct works
50 poemas de revolta

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3.96 avg rating — 118 ratings — published 2017 — 2 editions
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26 Poetas Hoje

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3.58 avg rating — 92 ratings — published 1976 — 5 editions
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Destino: Poesia

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3.73 avg rating — 30 ratings — published 2010
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Torquato Neto: Essencial

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4.12 avg rating — 26 ratings — published 2017 — 2 editions
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Os Últimos Dias de Paupéria

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4.50 avg rating — 22 ratings — published 1973 — 2 editions
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Melhores Poemas

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really liked it 4.00 avg rating — 12 ratings
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O fato e a Coisa

4.40 avg rating — 10 ratings2 editions
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Torquatália: Geléia Geral

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Melhores poemas Torquato Neto

it was amazing 5.00 avg rating — 2 ratings
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Quotes by Torquato Neto  (?)
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“Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. é o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. nada no bolso e nas mãos. sabendo: perigoso, divino, maravilhoso. […] difícil, pra quem não é poeta, é não trair a sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. […] e fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. citação: leve um homem e um boi ao matadouro. o que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi. adeusão.

[…]

Escrever não vale quase nada para as transas difíceis desse tempo, amizade. palavras são poliedros de faces infinitas e a coisa é transparente – a luz de cada face distorce a transa original, dá todos os sentidos de uma vez, não é suficientemente clara, nunca. nem eficaz, é óbvio. depende apenas de transar com a imagem, chega de metáforas, queremos a imagem nua e crua que se vê na rua, a imagem – imagem sem mais reticências, verdadeira.”
Torquato Neto, Os Últimos Dias de Paupéria

“D’ENGENHO DE DENTRO (excertos) ​

12/10
eu queria escrever sobre ana, mas ainda é cedo, eu não sei, não sei se posso e, finalmente, vejo que não quero. sobre a vinda de mamãe e papai até aqui, também não: falta qualquer novidade a esse respeito – a não ser que valha a pena anotar que reencontrar papai depois de três anos é como reencontrar um velho amigo que não via há três dias; e reencontrar mamãe depois de dois anos é como ser apresentado a alguém cujo nome, fama e aventuras eu já conhecia de sobra e que, portanto, me pareceu estranha, distante, mítica. mais ou menos assim. mas prefiro escrever sobre este lugar e minha vida dentro dele. a melhor sensação é a de reconquistar inteiramente o anonimato no contato diário com meus pares de hospício. posso gritar: “meu nome é torquato neto, etc., etc.”; do outro lado uma voz sem dentes dirá: meu nome é vitalino; e outra: o meu é atagahy! aqui dentro só eu mesmo posso ter algum interesse: minhas aventuras, nem um pingo. meu nome podia ser, josé da silva – e de preferência, mas somente no que se refere a mim. a eles não interessa. O dr. Osvaldo não pode fugir. nem fingir: mas isso eu comecei a ver, de fato, logo mais quando teremos nossa primeira entrevista. o anonimato me assegura uma segurança incrível: já não preciso mais (pelo menos enquanto estiver aqui) liquidar meu nome e formar nova reputação como vinha fazendo sistematicamente como parte do processo autodestrutivo em que embarquei – e do qual, certamente, jamais me safarei por completo. mas sobre isso, prefiro dar mais tempo ao tempo: eu sou obrigado a acreditar no meu destino. (isso é outra conversa que só rogério entenderia). tem um livro chamado: o hospício é deus. eu queria ler esse livro. foi escrito, penso, neste mesmo sanatório. vou pedir a alguém para me conseguir esse livro.

13/10
eu: pronome pessoal e intransferível. viver: verbo transitório e transitivo, transável, conforme for. a prisão é um refúgio: é perigoso acostumar-se a ela. e o dr. Osvaldo? Não exclui a responsabilidade de optar, ou seja:?

20/10
É preciso não beber mais. Não é preciso sentir vontade de beber e não beber: é preciso não sentir vontade de beber.
É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso fechar para balanço e reabrir. É preciso não dar de comer aos urubus. Nem esperanças aos urubus. É preciso sacudir a poeira.
É preciso poder beber sem se oferecer em holocausto. É preciso.
É preciso não morrer por enquanto. É preciso sobreviver para verificar. Não pensar mais na solidão de Rogério, e deixá-lo. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso enquanto é tempo não morrer na via pública.

4/4/71
Debaixo da tempestade
sou feiticeiro de nascença
atrás desta reticência
tenho o meu corpo cruzado
a morte não é vingança

7/4/71
– Foi um caminhão que passou. bateu na minha cabeça. aqui. isso aqui é péssimo, não me lembro de nada.
– Eles não deixam ninguém ficar em paz aqui dentro. são bestas. Não deixam a gente cortar a carne com faca mas dão gilete pra se fazer a barba.
– Pode me dar um cigarro? eu só tenho um maço, eu tenho que pedir porque senão acaba. Pode me dar as vinte.”
Torquato Neto, 26 Poetas Hoje

“Make love, not beds.”
Torquato Neto
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