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This is a new translation of Faust, Part Two by David Luke, whose translation of Faust, Part I was the winner of the European Poetry Translation Prize. Here, Luke expertly imitates the varied verse-forms of the original, and provides a highly readable and actable translation which includes an
introduction, full notes, and an index of classical mythology.

304 pages, Paperback

First published January 1, 1832

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About the author

Johann Wolfgang von Goethe

13.6k books7,321 followers
A master of poetry, drama, and the novel, German writer and scientist Johann Wolfgang von Goethe spent 50 years on his two-part dramatic poem Faust , published in 1808 and 1832, also conducted scientific research in various fields, notably botany, and held several governmental positions.

George Eliot called him "Germany's greatest man of letters... and the last true polymath to walk the earth." Works span the fields of literature, theology, and humanism.
People laud this magnum opus as one of the peaks of world literature. Other well-known literary works include his numerous poems, the Bildungsroman Wilhelm Meister's Apprenticeship and the epistolary novel The Sorrows of Young Werther .

With this key figure of German literature, the movement of Weimar classicism in the late 18th and early 19th centuries coincided with Enlightenment, sentimentality (Empfindsamkeit), Sturm und Drang, and Romanticism. The author of the scientific text Theory of Colours , he influenced Darwin with his focus on plant morphology. He also long served as the privy councilor ("Geheimrat") of the duchy of Weimar.

Goethe took great interest in the literatures of England, France, Italy, classical Greece, Persia, and Arabia and originated the concept of Weltliteratur ("world literature"). Despite his major, virtually immeasurable influence on German philosophy especially on the generation of Georg Wilhelm Friedrich Hegel and Friedrich Wilhelm Joseph von Schelling, he expressly and decidedly refrained from practicing philosophy in the rarefied sense.

Influence spread across Europe, and for the next century, his works inspired much music, drama, poetry and philosophy. Many persons consider Goethe the most important writer in the German language and one of the most important thinkers in western culture as well. Early in his career, however, he wondered about painting, perhaps his true vocation; late in his life, he expressed the expectation that people ultimately would remember his work in optics.

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4 stars
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1,084 (11%)
1 star
387 (4%)
Displaying 1 - 20 of 20 reviews
Profile Image for Priscila Jordão.
40 reviews44 followers
March 7, 2013
Para os leitores médios como eu, isto é, aqueles não versados em crítica literária ou profundos conhecedores da mitologia greco-romana, a segunda parte do Fausto de Goethe é potencialmente irritante.

Quem se aventura por esse monumental segundo volume, bastante grosso na edição bilíngue da Editora 34, provavelmente teve sua curiosidade atiçada pela primeira parte da tragédia, mais curta e que condensa altas doses de dramaticidade própria do romantismo alemão em um período histórico bem definido.

Mas, em contraste, a parte dois da obra abarca três mil anos de história humana e é palco de inúmeros virtuosismos poéticos de Goethe, pouco acessíveis ao leitor comum.

Em seu primeiro ato, Fausto II lembra o estilo de Fausto I ao nos apresentar a corte de um rei, na qual Fausto e Mefistófeles se introduzem a fim de lograrem favores senhoriais. O diabo demonstra sua astúcia apresentando um plano econômico ao rei, corroborado por Fausto.

Pouco depois, porém, inúmeros seres alegóricos e mitológicos pouco conectados com o enredo central começam a desfilar pela obra em paisagens tão diversas como podem ser o antigo Egito com suas esfinges, o rio onde foi concebida Helena de Tróia e um burgo medieval. Caso não se tenha em mãos uma edição comentada, torna-se difícil compreender as diversas referências de Goethe. E, mesmo em edições comentadas, a enorme quantidade de notas explicativas acaba roubando um pouco da atenção do leitor, que deixa de apreciar a lírica dos versos. Tal dificuldade dificilmente acometerá o leitor de Fausto I.

É provável que o velho Goethe, porém, não se sentisse abalado por tais críticas. Enquanto grande poeta, Goethe atribui a si intencionalmente o papel de borrar as fronteiras do espaço e superar a passagem do tempo, unindo personagens, cenários e mitos de diversas épocas em uma poesia atemporal e ao mesmo tempo moderna, como fez Dante Alighieri em sua Divina Comédia.

A própria concepção de Eufórion, filho de Fausto e Helena, ilustra esse ideal de Goethe: dotada das “asas da poesia”, a criança é fruto da união de personagens pertencentes a épocas históricas bastante distantes entre si. É desse ponto de vista que Fausto II pode ser visto como o Magnum Opus do poeta alemão, que nela também expõe seus diversos conhecimentos científicos sobre mineração, a teoria das cores e sobre estratégias de guerra.

Ao conceber o Fausto, Goethe desejava um tipo de leitor atento para sugestões, sutilezas e acenos, que pudesse apreciar toda a variedade de temas inseridos em seus versos. Esse leitor é cada vez mais raro, uma vez que entramos em um ritmo cada vez mais rápido na era da especialização e o erudito de conhecimento enciclopédico se torna uma figura do passado.

Mas, é claro, essa crítica só faz sentido considerando o momento histórico atual, em que é cada vez mais difícil interpretar esse tipo de obra. E, apesar das minhas reservas quanto ao virtuosismo poético de Goethe, é preciso admitir que, no fim das contas, ele cumpre seu papel.

A resistência de Fausto à tentação de Mefistófeles é muito mais completa e heroica à medida que lhe são oferecidas incontáveis oportunidades proporcionadas pela viagem no tempo e pelo encontro com diversas personagens sedutoras de perder a aposta com o diabo. Mesmo agraciado com a beleza clássica de Helena, ou com a posse de um feudo na idade média, Fausto nunca parou de “aspirar” a algo mais elevado, o que, no fim das contas, salvou a sua alma.
Profile Image for Marcos Junior.
353 reviews10 followers
February 17, 2015
A raiz de toda destruição do século XX, e que ainda perdura em vários lugares, está no homem Fáustico, que realiza um pacto com o mal para ter liberdade de perseguir seus desejos. Toda intervenção mágica de Mefistófeles pode ser representado pelo extraordinário avanço tecnológico, que deu ao superhomem sem limites morais o poder para subjugar o mundo e realizar seus sonhos. A tese de Goethe é que o mal se encontra a serviço do bem e por isso Fausto é salvo no final pela intervenção da Virgem Maria. Trata-se da concepção que o homem será salvo pela graça divina independente de suas obras. Fausto foi salvo porque tinha um intenso amor, mesmo que na prática seus atos tenham sido os mais vis que se pode imaginar, reforçando que os fins justificam os meios. Fausto é o homem revolucionário, que transforma o mundo com violência para realizar o seu paraíso idealizado. Meus amigos, Goethe descreveu Hitler, Stálin, Fidel e tantos outros.

Um século depois, seu maior discípulo, Thomas Mann, horrorizado com o que viu na II Guerra Mundial, escreveu Dr Fausto, negando a tese da salvação pela graça. O Dr Fausto arde no inferno, pagando por todas as suas vítimas. Do mal só vem o mal, como aprendemos com o horror nazista.
Profile Image for Marianne Frenhofer.
48 reviews1 follower
December 17, 2018
Goethe escreveu as duas partes dessa saga num intervalo muito longo - a primeira, quando era jovem, e a segunda, já bem idoso. Toda uma vida se passou nesse período, e isso fica muito visível ao ler os dois volumes.
A estória, todos conhecem: a vida de um homem que vende sua alma ao diabo para ter algum favor em troca é tão antiga quanto a própria história da humanidade. Um drama alquímico que inspirou autores como Jung - que ali viu um paralelo com o que ele chamou de processo de individuação.
Pessoalmente, gostei mais da parte II, mais hermética, esotérica e viajante do que a primeira. Acho que essa diferença fica bem clara nos capítulos Noite de Walpurgis Clássica e Noite de Walpurgis, presentes nos dois volumes. O tema é o mesmo: uma noite de festejos de bruxas em que tudo acontece, porém contadas de maneira muito mais visceral e grotesca em Fausto II.
Thomas Mann também escreveu sua própria versão, chamada Doutor Fausto, que conta a estória de um músico que vende sua alma a fim de ter tempo de vida suficiente para conseguir concluir sua obra-prima. É muito bom também, mas gosto mais do Goethe. Existe também uma versão escrita por Christopher Marlowe, que eu ainda não li.
Profile Image for Fábio.
237 reviews19 followers
June 26, 2020
Goethe concluiu a segunda parte de Fausto semanas antes de sua morte. Sua publicação, conforme acordado, só se daria com o seu falecimento. Trata-se da obra de uma vida, literalmente. Foram 60 anos redigindo, depurando esse poema, ao término do qual entrevemos as transformações estéticas e filosóficas pelas quais o agora octogenário poeta passou desde que fora o baluarte do movimento Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto).

Na segunda parte da tragédia, acompanhamos Fausto e Mefistófeles em uma jornada pelo “grande mundo”. Não mais uma sucessão de eventos restritos temporal e especialmente (como é a vida humana, mortal), essa jornada atravessa, perpassa e funde antiguidade clássica, medievo romântico e os arroubos de uma modernidade industrial nascente. Não se trata de viagem no tempo: mas de uma “plasmação” de lugares, histórias, mitologias, personagens... e estéticas. Ao meu ver, nisso reside o maior brilhantismo da obra: a utilização de diferentes métricas e rimas e sua recombinação para traduzir essa fusão de elementos. Ver Fausto buscar uma métrica próxima ao ritmo jâmbico grego e Helena de Tróia aprender a rima (desconhecida de seu povo) é um dos maiores prazeres literários que se pode fruir. Com relação a isso, não poderia recomendar outra que não a tradução de Jenny Klabin Segall — um trabalho que também atravessou uma vida: foram 30 anos até a conclusão de sua versão.

Sobre a temática? Ciência, tecnologia, mitologia, filosofia, economia, política, arte… A criação de impérios, a criação da vida. A destruição de impérios, a destruição da vida. É o livro que, após ser lido, parece brotar em todo lugar. Claro: nada ficou de fora dele!

Ao final, a exortação do espírito humano: “Percorra, assim, o trânsito terreno;/ Em meio a assombrações ande sereno,/ No avanço encontre ele êxtase ou tormento,/ Insatisfeito embora, hoje é a qualquer momento.” Espírito inquieto, eternamente insatisfeito e, portanto, atestado da impossibilidade de se contentar com algum fatídico e formoso momento: “À liberdade e à vida só faz jus,/ Quem tem de conquistá-las diariamente.” A isso se deve, parcialmente, a salvação de Fausto. O outro elemento redentor de sua alma é o binômio amar/ser amado. Um amor manifesto no “Eterno-Feminino”, a partir do qual inúmeras leituras foram e seguem sendo feitas. Nas palavras de Adorno: “Esperança não é a lembrança fixada, mas sim o retorno do esquecido.”
Profile Image for Aline Aleixo.
31 reviews
July 22, 2020
Quer dizer que eu devo aceitar que o Fausto se safa do pacto depois de todas as esmerdalhadas que ele faz com a ajuda do Mefistófeles só porque as criaturas de Deus devem retornar a ele depois de mortas? E eu ainda devo acreditar que a Margarida, que teve a vida literalmente destruída por esse homem, intercede em seu favor no céu?
Toda essa segunda parte me pareceu nada mais do que um grande e enfadonho exercício literário do autor pra mostrar erudição e conhecimento da tradição clássica.
E devo dizer que as notas da edição preparada pela Editora 34 são um tanto exaustivas e acabaram atrapalhando a fluidez da minha leitura.
Mas bem, quem sou eu pra contestar o cânone, não é mesmo?
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1 review
June 30, 2023
Comentário sobre a cena Noite Escura (Tiefe Nacht), do Segundo Fausto de Goethe:

No momento em que, no local onde me encontro, a contemplação frequente do verde e do azul, outrora absolutos nestas paragens, tem dado lugar ao triste soterramento de um passado idílico, de vida e de natureza, devido às grandes obras e à ação do progresso - força humana imparável de subjugação da ordem natural - , ganham esses acontecimentos um aspecto de reminiscência, ao ler hoje a História do casal de velhos Baucis e Filemon, de sua cabana e de suas duas Tílias milenares, no alto do morro.

Última fronteira intocada, que escapa do reino de maravilhas da engenharia moderna do Colonizador Fausto, com seus canais, aterros e drenagens (”portentos”, inclusive exaltados por um simples e humilde Filemon), o recanto dos idosos é cruelmente incendiado (em conjunto com eles próprios), ao tentar-se cumprir a ordem de Fausto determinando o expurgo do casal da área cobiçada - o último grão de terra a escapar do arbítrio do soberano, que viria a ser um grande mirante para a admiração do novo reino.

É importante notar aqui o contraste entre ordem (idealização de Fausto) e execução (perpetrada, não por acaso, por Mefistófeles), o qual adquire uma conotação política muito forte: o ganancioso Fausto, munido de um discurso atenuante (uma bela quinta a ser oferecida ao casal de idosos, em compensação pela cessão de sua propriedade milenar), vê sua ordem gerar efeito catastrófico, que é a violenta aniquilação do humilde recanto, de seus ocupantes e de sua história, carregada de simbolismos (”o que a vista deliciava com os séculos se foi”).

Não obstante o desconforto com uma “ordem mal dada e mal cumprida”, ou ainda “dada depressa e executada ainda mais depressa”, no original em alemão, indicando, talvez, um desconforto maior com o “quando” do que com o “como”, Fausto rapidamente recupera o estado de espírito anterior, propondo a construção de um Belvedere ao lado das cinzas e ruínas, de onde seria possível não apenas contemplar a grandiosidade de seu Império, como também o novo recanto de descanso do casal de velhos - o cemitério.

Retornando à discrepância entre a “intelecção política” da ação e o seu resultado prático, nota-se que ela já se observara, com motivos semelhantes, na maquinação feita anteriormente pela associação Fausto-Mefistófeles, para a sedução de Margarida por Fausto, no Fausto I. Na ocasião, ansioso por ver adormecida a mãe de Margarida, para que ele possa unir-se em segredo à sua amada em sua casa, Fausto assiste incrédulo a materialização abominável desse desejo, sempre catalizada através da figura de Mefisto (ação), em que a mãe de Margarida acaba sendo envenenada e morta.

Em ambos os casos, é flagrante a contradição entre a idealização, maquinação e justificação do ato, em sujeito passivo, e a materialização factual do mesmo, que faz emergir uma maldade que já existia antes, inerente ao planejamento da ação, ou seja, em sua raiz, ainda que presente apenas subliminarmente, sem ser percebida pelo sujeito. No entanto, esse mal surge agora num caráter potencializado, absurdo e bestial, já fora do controle do idealizador, a quem coube apenas dar vazão à caixa de Pandora.

Conforme citado por comentaristas anteriores, nesse trecho da peça que narra o fim de Baucis, Filemon, sua cabana e suas duas Tílias milenares, está sentenciada pelo autor a impossibilidade de coexistência entre ação, beleza e realidade. O mundo idílico corresponde à contemplação (beleza e realidade), a que se opõe a ação e o progresso. Essa figura é ilustrada pelo discurso do sentinela Linceu, que observa impotente a destruição do belo cenário que há pouco exaltava. Já o mundo do progresso evoca a manifestação dos vetores ação e realidade, e é fácil observar que nesse momento a beleza é posta de lado, com a destruição da vida e da ordem harmônica da natureza. O progresso é ilustrado, nesse momento, pela figura do Fausto Colonizador e pela realização de suas obras mirabolantes, que colocam o natural sob o jugo do intelectual.

Essa equação se resolve em ainda mais uma derradeira expressão, que, carregada de forte conotação conservadora, afirma: da associação beleza e ação pode-se apenas depreender a ausência da realidade, e a isso está relacionada a idealização intelectual e fantástica de Fausto, em sonho, da justificação de suas ações enquanto Fausto Colonizador.

Essa conclusão catastrófica trata-se, é claro, de um grandioso exagero estético, mas que, pode-se dizer, tem acertado mais do que errado - basta olhar nosso piccolo mondo ao redor (para não falar do grande mundo!). E, se tratamos de lembrar-nos agora de importantes exceções, isso significa apenas que, possivelmente, estejamos falando de uma regra. Mas isso é conversa para um outro momento.

Christian van Bellen
Profile Image for Fernanda.
157 reviews55 followers
May 27, 2021
Literatura alemã não é o meu forte, dificilmente me abala. O único livro desse nicho que posso dizer com tranquilidade que foi uma das melhores leituras que já fiz foi Fausto I. O fato de eu estar no curso de alemão na época provavelmente me ajudou a apreciar melhor a obra no sentido estético, mas de qualquer forma eu gostei muito do mote e da sua densidade. Isso foi há uns bons 6 anos e eu não li a continuação imediatamente porque a biblioteca não tinha a cópia disponível. Eu resisti em comprar, mas ano passado cedi. Eu imaginava que não seria comparável à experiência de leitura da primeira parte, mas também não imaginava que ficasse tão desiludida a ponto de esse provavelmente ser o livro alemão que eu menos gostei de ler. A ironia.

À exceção da primeira cena, que é belíssima e me animou horrores, todo o resto pra mim foi plano. Chato. Eu não poderia descrever de outra forma. E é bem possível que em outro momento eu tivesse gostado mais, tivesse tido mais paciência ou lido de outra forma, mas a realidade é que eu não gostei e tem uma dimensão que vai além da subjetividade; eu sinto que é um livro complicado pro leitor contemporâneo. Ouso dizer que até poucos da época, só uma elite intelectual, poderia aproveitar a obra pelo que ela se propõe a ser.

De fato parece ótima pra ser estudada. A quantidade de camadas e o potencial interpretativo parece infinito, mas pra mim isso não é o que sustenta um bom livro, o fato dele ter uma profunda erudição costurada. Sendo que tem vários elementos que pessoalmente me interessam, principalmente os mitológicos, mas nem assim me pareceram acessíveis. É bem verdade que tem muitas notas, que devem compor talvez mais da metade do livro, e isso também é um problema. Por mais que elas me esclarecessem muitas passagens (embora uma ou outra vez fossem meio condescendentes com o leitor), elas proporcionam uma quebra contínua na leitura. No entanto, se eu não lesse as notas grande parte do significado permaneceria inacessível pra mim. Não saberia dizer como equilibrar essa situação.

Embora minha leitura não tenha sido engajada e eu contasse os dias pra terminar (me arrastei por mais de dois meses, um recorde pessoal, provavelmente), a impressão que me deu é que tem grandes blocos narrativos que se juntam, mas que são um pouco esquecidos, como se o tom da obra mudasse ou pelo menos sua perspectiva. No início tem toda uma discussão político-econômica, a criação do papel-moeda (a pior parte), depois vêm os seres mitológicos e a viagem à Grécia, e mais pro fim começa uma incursão profundamente medieval-cristã. O primeiro volume, em alguma medida, tinha uma simplicidade que me conquistou. Já esse é um tanto megalomaníaco em sua concepção e eu simplesmente não consegui acompanhar. Não me importei o suficiente e provavelmente não é demérito da obra em si. De todo modo, não gostei em geral, mas fico feliz de ter passado por esse grande cânone e fechar o meu ciclo com Fausto.
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Profile Image for Daniel Berça.
51 reviews4 followers
May 2, 2022
Muitas obras clássicas da literatura são consideradas de difícil leitura. Os motivos para isso são vários: a linguagem poética - tanto por suas inversões sintáticas como pelo uso de imagens, as alegorias, as múltiplas referências e intertextualidades, a tradução, etc. Alguns desses livros acabam sendo lidos apenas em parte, a que é considerada mais fácil. Assim, o número de leitores do Inferno de Dante é muito superior ao da Divina Comedia completa. Imagino que ocorra o mesmo com o Fausto II. No entanto, vale a pena o esforço, pois é justamente na leitura da obra completa que podemos contemplar a grandiosidade da obra. E mesmo que fique um sentimento de incompreensão, não tem problema. Grandes obras são para serem lidas e relidas durante a vida toda e iluminam outras leituras, que por sua vez podem nos dar uma nova visão acerca da obra original. Além disso, o apoio de outros leitores, discussões em grupo e cursos como o Convivium, ministrado pelo caro @ronaldrobson1, são uma excelente forma de superar as dificuldades com o texto.

Escrito ao longo de 60 anos, o Fausto é um livro, com o perdão do clichê, colossal. A segunda parte foi finalizada em 1832, às vésperas da morte de Goethe, e publicada postumamente. Dividida em cinco atos, aqui acompanhamos Fausto sendo conduzido por Mefisto ao 'grande mundo' - política, economia, história, cultura - através de alegorias em que o tempo se dissolve e o real e o irreal se misturam. A dupla participa da criação do papel-moeda em uma corte imperial falida; descobrem que Wagner, antigo assistente de Fausto, tornou-se um erudito e criou um 'homúnculo', ser artificial quase humano, cujo maior desejo é "vir a ser" plenamente; participam de uma espécie de carnaval repleto de referências mitológicas; Fausto se envolve com o espírito de Helena - causadora da Guerra de Troia - e tem um filho com ela; voltam ao 'mundo real', lutam na guerra civil que não conseguiram evitar com o papel moeda; Fausto torna-se um grande colonizador de terras antes submersas, e por fim, morre. No entanto, seu destino eterno recebe um tratamento bastante inesperado e bem diverso de outras obras relacionadas ao mito fáustico.

Johann Wolfgang von Goethe nasceu em Frankfurt am Main em 1749 e faleceu em Weimar em 1832. Foi um verdadeiro polímata: poeta, romancista, dramaturgo, pensador, cientista, diplomata, estadista.

A edição bilíngue da @Editora34 é primorosa, com tradução de Jenny Klabin Segall, apresentação, comentários e notas de Marcus Vinicius Mazzari e ilustrações de Max Beckmann.

https://medium.com/@danielberca
Profile Image for Dario Andrade.
805 reviews26 followers
May 1, 2018
Fausto é uma obra que demandou um esforço bastante razoável e foi possível conhecer melhor o texto, nas versões do Silvio Meira (Fausto I), D’Ornellas (Fausto II) e Jenny Klabin (Fausto II) em razão das várias leituras adicionais que fiz. Cito, Haroldo de Campos (Deus e o Diabo em o Fausto de Goethe), que trata muito de questões estéticas, mas também Marshall Berman (Tudo é sólido desmancha no ar), Binswanger e Gustavo Franco (Dinheiro e magia), que tratam muito bem dos simbolismos abordados pelo livro, em suas duas partes. Acho que é difícil escolher uma tradução melhor (afinal todas acabam por ter as suas virtudes e problemas), mas essa edição de Fausto vale sobretudo pelas notas. O texto é bem complexo e as informações trazidas pelo autor das referências são muito uteis para a compreensão do texto. Jenny Klabin fez a escolha de ser fiel tanto em termos de métrica, quanto de rima, o que às vezes, em minha opinião, pode tornar a tradução um tanto mais rebuscada e menos compreensível.
Profile Image for Sorein.
6 reviews22 followers
January 3, 2026
Considero esta a leitura mais difícil da minha vida. Um livro extremamente único e tão absurdo que nem parece ter sido lançado em 1800. Comentarei sobre ambas as partes separadamente. Parte um: A primeira parte do livro possui uma bela introdução e após isso o foco é no início do pacto de Fausto e posteriormente sobre seu amor com Margarida. Honestamente, a primeira parte é relativamente simples tirando o linguajar arcaico. Fausto parte um é uma bela peça de tragédia, que, narrativamente me soou bem comum, porém, é radical em sua forma que possui monólogos e intervenções divinas que saem dos padrões dramáticos de seu tempo. O texto é belo e por isso acho Fausto parte um uma excelente tragédia, mas, apenas isto. Fausto parte dois: Fausto dois é a obra mais megalomaníaca e difícil que já li. A narrativa se torna extremamente volúvel e não seria possível resumir em poucas palavras. A partir deste momento vários arcos dentro da obra irão surgir cada um explorando temáticas do interesse de Goethe, como geopolítica, religião e até a própria literatura. Com uma narrativa tão fragmentada e uma forma tão arcaísta essa obra se torna tão mítica que diversos trechos foram extremamente confusos na minha leitura. Falando mais diretamente das qualidades de Fausto dois, é impressionante como aqui a forma poética se torna ainda mais intensa e diversa dado a variedade de arcos. O monólogo inicial é uma das cenas mais bonitas da literatura. Interessante como a figura feminina é tratada de modo etéreo em especial nas aparições de Helena. O final do livro é espetacular é fecha muito bem toda a narrativa, com poesias lindas com carga altíssima de religião, o que foi bem bonito para a conclusão da história de Fausto.
Profile Image for Luis.
58 reviews
September 4, 2020
Escrito ao longo de sessenta anos, o fausto de Goethe é não só a opera della vita de seu autor, mas um poema "incomensurável" que, no dizer de Thomas Mann, "abrange em seu interior três mil anos de história humana".
Esta tragédia, reconhecida como uma das obras máximas da literatura mundial, teve sua primeira parte publicada em 1808; a segunda foi finalizada semanas antes da morte do autor, em março de 1832.
Com rigorosa supervisão do professor Marcus Vinicius Mazzari, da Universidade de São Paulo, a presente edição traz, ao lado do original alemão, a tradução completa da segunda parte realizada por Jenny Klabin Segall, pela primeira vez totalmente revista, acrescida de notas e comentários que orientam a leitura deste livro monumental - e atualíssimo.
Este volume reproduz também a série integral de 143 ilustrações a bico de pena de um dos maiores nomes do Expressionismo alemão, Max Beckmann (1884-1950), criadas pelo artista no exílio em plena Segunda Guerra Mundial.
Profile Image for Thadeu.
14 reviews1 follower
November 9, 2020
Poesia, Literatura, História, Geologia, Teologia, Mitologia, Alquimia, Política e muito mais... couberam no Fausto, obra de uma vida inteira. Uma leitura é pouca para desvendar a riqueza de detalhes e significado desta obra, mas ainda assim rende dias de reflexão para quem atina para o relacionamento de todas estas matérias na formação da mente do homem moderno e seus anseios na busca do significado de sua existência.

Fui compelido a ler para ter uma ideia da razão de ter tanto influenciado o pensamento da psicologia profunda em seu fundador, Jung. E pode-se até questionar se algumas facetas desta história foram intencionais ou inconscientes, uma vez que até o Goethe lançou luz até sobre eventos que se seguiriam nos séculos seguintes.

Não tenho nenhuma familiaridade com poesia, mas foi uma obra cuja leitura certamente deixa marcas na minha vida.
19 reviews1 follower
April 27, 2021
Consegue ser ainda melhor que a primeira parte. Vale muito a pena ler essa magnífica obra da literatura recheada de versos lindos e uma poesia incansável na minha opinião.

Essa edição da editora 34 ainda agrega mais valor a obra, apresentando o texto ao leitor com uma infinidade de textos explicativos, apêndices e notas de rodapé que além de facilitar a leitura, cumprem o papel de emergir ainda mais o leitor no contexto cultural, literário e místico da concepção do texto, o que revela um trabalho de filologia e pesquisa impressionante com relação ao texto e tudo de que goethe se serviu para concebe-lo.

Nota 10 de 10
Profile Image for Bess.
487 reviews
April 24, 2024
É um ótimo livro. Só acredito que a profundidade apenas pode ser apreciada se nós voltarmos com calma o que o escritor está nos repassando.
Acredito que é por isso que se tornou um livro tão pouco comentado e até mesmo lido atualmente.
Obviamente, ainda assim é uma obra fabulosa.
Profile Image for Michel Joia .
202 reviews1 follower
Read
August 22, 2025
9/10

Fausto I: 10
Fausto II: 8.5
Fausto II com certeza peca em ritmo. Mas a ideia semeada na parte um continua, mas em escala maior. Um dos grandes trabalhos épicos da humanidade. Foi meu primeiro contato com Goethe e com certeza lerei mais coisas dele!!
Profile Image for Dacio Castelo Branco.
17 reviews
January 10, 2026
Em tom completamente diferente mostrando as mudanças de Goethe nos 30 anos que separam a primeira parte da conclusão, Fausto II é uma tempestade temática mas que, acima de tudo, busca dar um cerne para o que seria a humanidade, seus erros, e a imortalidade — seja a material ou a espiritual.

Profile Image for Manuela Trindade.
188 reviews5 followers
August 3, 2023
É, não foi dessa vez. Essa segunda parte não me prendeu nada, a maior parte me entediou, chegou nos finalmentes eu já não tava nem me importando.
Quem sabe daqui uns anos eu a revisite?
Profile Image for Jordana.
62 reviews21 followers
October 8, 2023
Após ter lido Dom Quixote II e Fausto II devo dizer: que bom que o Dostoiévski nunca concretizou o plano de escrever uma continuação de Irmãos Karamázov.
Displaying 1 - 20 of 20 reviews