3,5*
#Dewithon 2023
Considero-me uma pessoa bem formada, mas no melhor pano cai a nódoa, e o meu podre é um duvidoso sentido de humor. Rio-me de coisas parvas e talvez até polémicas. #Rick Gervais #Monty Python. Por outro lado, penso muitas vezes: de que riem as pessoas politicamente correctas?
Vem isto a propósito da descabida ideia de a editora britânica Puffin Books “rescrever” os clássicos de Roald Dahl para se adaptarem às “sensibilidades actuais”. Eu nem sou de escrever palavras entre aspas, mas o conceito é tão abominável, que não vejo alternativa. Depois da onda de protestos, incluindo de pessoas que sabem o que é ser censurado, como Salman Rushdie, a Penguin Random House voltou atrás nesta ridícula decisão de retirar os originais de circulação e, assim, vai criar versões alternativas para crianças e jovens que prefiram ver “enorme” em vez de “gordo”, que se ofendam com o adjectivo “preto” aplicado a tratores e achem que a profissão de caixa de supermercado para uma mulher é inadmissível e deverá ser substituída, por exemplo, por cientista. Se se estão a rir, high five! São cá dos meus. Se não forem, paciência. Não desistam já de mim.
Por mais que ache que devemos ter tento na língua e respeitar os outros que são diferentes de nós, estes livros foram escritos há décadas por um autor que usava o humor negro provavelmente por superar a tristeza da sua vida. Dahl ficou órfão de pai aos 3 anos, combateu na Segunda Guerra Mundial, viu um dos seus filhos morrer e dois outros a ficarem inválidos. Se não tinha também os seus podres? Consta que sim. Mas se têm respeito por alguns, tenham-no por todos, senão, ganhem juízo.
O livro aqui em questão, “A Girafa, o Pelicano e Eu” é, por seu lado, daqueles totalmente inócuos, acho que, nunca se sabe o que estarei a tresler. O pequeno Billy trava amizade com um trio de lavadores de janelas formado por uma girafa, um pelicano e um macaco, que vive numa antiga loja de doces. Não está entre os melhores deste autor galês, mas é uma história simpática com algumas mostras da inventividade que o caracteriza.
E os estica-elásticos, que faziam com que todos os cabelos da cabeça ficassem em pé, logo que metias um na boca... e havia gulochocos e gomabitas e caramelos azulinos e zumpinos doces e estica-línguas, e além de tudo isto, havia muitas coisas esplêndidas da grande fábrica Wonka, como por exemplo as famosas Pastilhas Arco-Íris Willy Wonka – quando as chupas, cospes em sete cores diferentes. E o Cola-Maxilares para pais faladores. Ah, apanhada!