A Bolsa Amarela já se tornou um "clássico" da literatura infanto-juvenil. É o romance de uma menina que entra em conflito consigo mesma e com a família ao reprimir três grandes vontades (que ela esconde numa bolsa amarela)- a vontade de crescer, a de ser garoto e a de se tornar escritora. A partir dessa revelação- por si mesma uma contestação à estrutura familiar tradicional em cujo meio ?criança não tem vontade?- essa menina sensível e imaginativa nos conta o seu dia-a-dia, juntando o mundo real da família ao mundo criado por sua imaginação fértil e povoado de amigos secretos e fantasias. Ao mesmo tempo que se sucedem episódios reais e fantásticos, uma aventura espiritual se processa, e a menina segue rumo à sua afirmação como pessoa. A Bolsa Amarela recebeu o selo de ouro da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, dado anualmente ao livro considerado "o melhor para a criança".
Lygia Bojunga (often known with the addition of Nunes, her pen name) (born August 26, 1932 in Pelotas) is a Brazilian author of children's books. She worked of TV and radio until her first book was published in 1972. A major element of her books is the usage of the child's point of view.
Lygia Bojunga is part of the tradition of magical realism and fantasy-filled storytelling of South America, a tradition she has developed and perfected. In her word of mouth-style narratives, characterised by a strongly dramatic presence, anything can happen. In a deeply original way she fuses playfulness, poetic beauty and absurd humour with social critique, a love of freedom and a strong empathy with the vulnerable child. Fantasy often functions as a way of dealing with distressing personal experiences, or as an escape from harsh reality. Bojunga enables the reader to enter directly into the dreams of her principal characters and to share in their experiences.
Having begun her career as an actress (she has also written a number of plays), she published her first children's book, Os Colegas, in 1972 (The Companions, 1989). Here, as in Angélica (1975), the main characters are animals endowed with human characteristics, a device that highlights the comic elements in the narrative. These early works already reveal a psychological focus: Angélica is about a pig that wants to be a swallow, but gradually learns to accept its own identity. A Bolsa Amarela (1976), highlights a similar theme, this time with a young girl in the leading role, whereas A Casa da Madrinha (1978) presents the utopian dreams and fantasies of an abandoned street child. Two of her books deal with mourning and grief: her masterpiece, Corda Bamba (1979), is about a young girl who manages to come to terms with the death of her parents through her fantasies, and in O Meu Amigo Pintor, 1987 (My Friend the Painter, 1991), a young boy reflects on the inexplicable suicide of an adult friend.
In books such as Seis Vezez Lucas (1995), Bojunga writes in an altogether more realistic style. In her latest work, Retratos de Carolina (2002), her continual experimentation as a writer has led her in a new direction: she allows us to follow the main character from childhood through to adulthood in a narrative partly written in the form of a meta-novel. Bojunga uses this device to extend the boundaries of literature for children and young people in an attempt, as she herself puts it, to make room both for herself and the characters she has created in one single house, "a house of my own invention".
Bojunga's work has been translated into a number of languages including English, French, German, Italian, Spanish, Norwegian, Swedish, Icelandic, Bulgarian, Czech and Hebrew. She has won a number of awards, including the Jabuti Award (1973), the prestigious Hans Christian Andersen Award for Writing (1982), and the Rattenfänger Literaturpreis (1986). Winner of The Astrid Lindgren Memorial Award 2004.
Works in Portuguese
Os Colegas – Rio de Janeiro: José Olympio, 1972 Angélica – Ilustrações de Vilma Pasqualini. Rio de Janeiro: Livraria AGIR Editora, l975 A Bolsa Amarela – Ilustrações de Marie Louise Nery. Rio de Janeiro: Livraria AGIR Editora, 1976 A Casa da Madrinha – Ilustrações de Regina Yolanda. Rio de Janeiro: AGIR, 1978 Corda Bamba – Ilustrações de Regina Yolanda. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, l979 O Sofá Estampado – Ilustrações e diagramação de Elvira Vigna. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 1980 Tchau – São Paulo, SP: Livraria AGIR Editora, 1984 O Meu Amigo Pintor – Rio de Janeiro: José Olympio, 1987 Nós Três – 1987 Livro, um encontro com Lygia Bojunga – Rio de Janeiro, RJ: Livraria Agir Editora, 1988 Fazendo Ana Paz – Rio de Janeiro, RJ: AGIR, 1991 Paisagem – Rio de Janeiro, RJ: AGIR, 1992 Seis Vezes Lucas – Ilustração da capa, Roger Mello. Ilustrações do miolo, Regina Yolanda. RJ: AGIR, 1995 O Abraco –
Confesso que minha leitura foi motivada por gente sem noção de extrema direita falando que este livro deveria ser censurado (??) porque era uma propaganda da "ideologia de gênero" (????). (o mais bizarro é que aqui na página do goodreads tem resenha falando que este livro é marxista e abortista. quem me dera kkkk) Ironicamente, devo agradecer aos acéfalos neonazis brasileiros, pois esse livro é simplesmente INCRÍVEL.
Em vários momentos do livro me peguei pensando no que era realidade ou invenção, mas no final das contas, nada disso importa. É até melhor não saber e ficar na dúvida. O que conta mesmo é a jornada de uma garota para enfrentar a solidão de uma criança em meio ao mundo dos adultos. Por esse lado, me lembra até "O Apanhador no campo de centeio" do Salinger. E isso é um BAITA elogio.
Neste livro da Lygia, a imaginação é a resposta para a inadequação social, para as ânsias de uma garotinha que tem muita consciência da vida como ela é. A vontade de uma mulher ter acesso aos privilégios do mundo masculino, a importância de lutar e também de ser livre. Tem muita muita muita coisa importante nesse texto. Muita coisa que faz parte de toda e qualquer formação de indivíduo e cidadão. Talvez por isso considerem ele tão perigoso e subversivo atualmente?? SEI LÁ. É um livro que gostaria de ter lido antes, quando adolescente ou criança, e que com certeza vou indicar para outros leitores, de qualquer idade <3
No mais: obrigada bolsominions agora vou ouvir todas as contraindicações de vocês
eu gosto de anunciar aos ventos que A Bolsa Amarela é meu livro favorito da vida. e ele realmente é. eu não sei quantas vezes eu o li quando criança, mas nunca tinha relido depois de crescida. quando eu era criança, gostava de inventar histórias, assim como a Raquel. minhas invenções às vezes saíam do papel e quando eu menos esperava elas já estavam vivendo a minha vida comigo. ninguém entendia muito, mas ao contrário de Raquel, eu não nasci numa casa onde me reprimiam. minha casa é quase como a casa dos consertos. mas eu ainda queria ser grande, às vezes queria ter nascido menino e queria muito, mas muito, escrever e ser escritora. agora eu cresci e, assim como as vontades de Raquel, as minhas também foram diminuindo com o tempo. hoje eu acho que ser menino deve ser horrível (vai que costuram seu pensamento pra pensar apenas em briga?), crescer é bom, mas é meio supervalorizado também. e escrever... bem, escrever eu continuo, sempre, com essa vontade e tentando fazer o melhor possível para me satisfazer.
uma das minhas partes preferidas da leitura é reler. e reler A Bolsa Amarela agora foi a melhor coisa que poderia ter feito. não é tanto olhar para trás e ver o quanto eu mudei, mas sim me lembrar que sempre fui muito eu e valorizar isso. ser eu foi o que mais fiz durante toda minha vida e acho que é bem mais fácil fazer coisas quando se gosta de fazer. eu gosto de ser eu.
A edição deste livro em Portugal há cerca de dois meses chamou-me a atenção, sobretudo pelos parágrafos de abertura.
Eu tenho que achar um lugar pra esconder as minhas vontades. Não digo vontade magra, pequeninha, que nem tomar sorvete a toda hora, dar sumiço da aula de matemática, comprar um sapato novo que eu não aguento mais o meu. Vontade assim todo o mundo pode ver, não tô ligando a mínima. Mas as outras – as três que de repente vão crescendo e engordando toda a vida – ah – essas eu não quero mais mostrar. De jeito nenhum. Nem sei qual das três me enrola mais. Às vezes acho que é a vontade de crescer de uma vez e deixar de ser criança. Outra acho que é a vontade de ter nascido garoto em vez de menina. Mas hoje tô achando que é a vontade de escrever.
Este livro de Lydia Bogunga Nunes é um clássico da literatura infanto-juvenil, o que talvez justifique a avaliação tão alta aqui, no GR, dada por quem o leu em criança ou um releu em adulto. Não tendo essa memória afectiva, “A Bolsa Amarela”, cheia de animais e objectos falantes, parece-me demasiado infantil e pouco juvenil até onde li, focando sobretudo a vontade de escrever e não tanto as outras vontades que poderiam aliciar-me mais.
é um livro pra adulto né? como é engraçado entender todos os sentimentos dela e pensar, a gente cresce antes do tempo e se perde de ser quem a gente deveria sempre ser, criança.
Para contrabalancear o narcisismo lispectoriano nesse dia nacional da literatura infantil sempre temos a prosa mais do que maravilhosa da Lygia Bojunga, que ao meu ver é nossa maior autora infanto-juvenil de todos os tempos, impossível não ficar em êxtase diante de sua obra. E para as meninas que quiserem/querem ser escritoras nenhuma obra falou mais intimamente na cabecinha delas nas últimas décadas do que A Bolsa Amarela, são gerações de meninas querendo ser escritoras e desconstruindo gênero por causa dos lampejos desse livro. Um livro que continua uma delícia mesmo quando somos adultas.
This is my other favorite childhood book along with Robinson Crusoe. I rememeber it very fondly and how much I identfied myself with the protagonist. Also, I got this present as a gift from my late grandmother, who I loved like a mother. She was an avid reader and the one responsible for my passion for reading. Thank you Lygia for being a part of my childhood, and thanks Grandma for introducing me to this big great world of books since whe I was a litle kid.
Uma menina esconde, numa bolsa amarela, as suas três grandes vontades: ser grande, ter nascido menino e ser escritora. Raquel vai dar largas à sua imaginação e encontrar amigos peculiares que a vão ajudar a lidar com cada uma dessas vontades e a libertar-se do seu peso. Uma história ternurenta e original sobre crescimento e descoberta, publicada originalmente em 1976.
"The Yellow Bag" is such an amazing book and it has a very special place in my heart. I first read it when I was very small, maybe eight years ago, and since then I have re-read it so many times I can't even count. The story is very different from what you usually read, and I think that is what caught me about this book and made me love it with all my heart. Every time I read it, it's like a trip back to my childhood, and it gets even better the more I read it, because when you're older you understand hidden meanings you just read past as a child. This book was one of the first books I ever fell in love with <3
I read this one in portuguese when I was ten... A beautiful book with an incredible journey from the eyes of a girl... a very smart sassy funny one. All the kids should read this one!
Eu li este livro quando tinha dez anos... Um lindo livro com uma jornada incrivel contada pelos olhos de uma garota audaciosa esperta e super engraçada. Todas as meninas/garotas deveriam ler este livro!
podemos sim crescer e continuar brincando! assim como a guarda-chuva da história, podemos ficar grande e pequena grande e pequena pequena e grande. achei esse livro uma preciosidade, queria ter lido enquanto criança, mas se bem que ainda sou
Escolhi esse livro para o trabalho da vez da pós graduação em literatura para Crianças e Jovens. Acho que ele faz parte da memória da geração dos anos 90, 2000, 2010. Caso você não se lembre, fala sobre uma menina, Raquel, que ganha de presente uma bolsa amarela e guarda nela alguns personagens - objetos e animais que ganham vida - além de três grandes desejos: crescer, ser menino e se tornar escritora. É muito interessante analisar como eles se desenvolvem na história, em parte sendo uma forma de a criança reagir a estímulos externos, não satisfeita com a sua realidade, em parte ao ser compreendida, essas vontades aliviam.
“Eu tenho que achar um lugar pra esconder minhas vontades. Não digo vontade magra, pequenininha, que nem tomar sorvete a toda hora, dar sumiço da aula de matemática, comprar um sapato novo que eu não aguento mais o meu. Vontade assim todo mundo pode ver, não tô ligando a mínima. Mas as outras — as três que de repente vão crescendo e engordando toda a vida —, ah, essas eu não quero mais mostrar. De jeito nenhum.”
Um dos meus livros preferidos na infância e agora é um dos meus preferidos da vida adulta.
Muuuitas reflexões sobre a ditadura, o sistema de educação, patriarcado e como tratamos crianças, principalmente mulheres e meninas.
Eu criança era igualzinha a Raquel e me sentia exatamente como ela se sente. Eu queria muito ser um menino e hoje eu vejo o porquê.
“Faz tempo que eu tenho vontade de ser grande e de ser homem. Mas foi só no mês passado que a vontade de escrever deu pra crescer também.”
A história em geral me lembrou muito o outro livro que eu ‘to lendo, “Mulheres que correm com os lobos”, e recomendo ler os dois juntos.
O livro me atingiu em pontos muito específicos: foi um reencontro, de fato, a desejos muito antigos. Sou apaixonada pela escrita e ela, de certa forma, me levou a ter acesso à educação e a outras coisas da minha vida, pois foi por meio dela que consegui estudar em boas escolas e também a frequentar ambientes que ampliaram a minha visão de mundo. Mas o que mais amo na história é a forma com que permite que a protagonista exerça a liberdade de sentir, e cultivar, seus desejos. Muitas vezes, na infância, somos condicionados a moldar o que queremos ao olhar e aos valores cultivados pelos adultos ao nosso redor. O livro acaba sendo uma subversão disso. Enfim, é algo que eu gostaria de ter lido na minha adolescência, mas que, mesmo na fase adulta, me transformou da mesma forma.
acabei de reler de novo. usei o apelo emocional pra conseguir sair de uma ressaca literária, bloqueio ou sei lá o que estava me impedindo de ler. deu certo. lembrei porque amo tanto esse livro e porque ele foi meu livro favorito da pré-adolescência. quanta delicadeza, criatividade e crescimento. quanta emoção. me deu uma vontadezinha de escrever também, Rachel. obrigada de novo, você é pra sempre um dos meus livros favoritos s2
notas to myself: quero ler todos os livros dela quero experimentar escrever quero reler o meu livro preferido da infância - experimentar esses reencontros
I read this book when I was a kid and it was one of my favourite books. The story is so simple but at the same time, intriguing and beautiful. The main character is very creative and shows what all the kids should do at this age; dream. I can see why I loved this when I had ten years old. Reading eight years later, doesn't had the same power as before but still think that this book is a good entertainment for kids.
Oikein ihana ja toivoa herättävä kirja, tarinan lisäksi myös kuvitus erinomainen! Mietin tätä lukiessani, että kirja sopii ehkä paremmin saduksi aikuislukijalle kuin varsinaisesti lapselle - en ehkä itse olisi tavoittanut tarinan kauneutta ollessani lapsi?
Eu li A Bolsa Amarela um monte de vezes quando era criança. Eu até arranjei uma bolsa (azul) cheia de bolsos pra guardar minhas Vontades e um alfinete, já que guardar um galo seria meio complicado. Aí agora eu resolvi reler e lembrei que eu me sentia igual a Raquel. A Lygia Bojunga conseguiu descrever muito bem como é ser criança pra além da visão dos adultos de que criança é boba e de que criança não tem que querer nada. Aliás, é justamente essa visão que justifica o desrespeito que a Raquel sofre de quase todos os adultos. Que bom que ela descobre que ela pode ser Raquel mesmo. Livro muito lindo e sensível que gostaria que virasse trend entre a criançada do TikTok.
Um livro que tem que estar na grade de leitura infantil. Ajuda os pequenos que estão crescendo como lidar com suas questões. E tem que ser lido pelos adultos que não leram, para entender e tentar acolher os dilemas dos que estão crescendo sobre a nossa supressão e orientação. Como validar os sonhos deles, como ajudá-los a se desenvolverem com confiança e não pularem fases. Acho que quando eu era pequena eu também queria ser escritora e menino quando crescesse.❤️ Amei !!