Gregor, O Sobreterrestre
“Gregor, A Segunda Profecia” (A Profecia de Bane) é o segundo de uma série de cinco livros escritos por Suzanne Collins, actualmente reconhecida a nível mundial devido a outra personagem: Katniss Everdeen (”Hunger Games, Os Jogos da Fome).
Escrito poucos anos antes da trilogia de Everdeen, Gregor partilha alguns traços da escrita apresentada com a menina do Distrito 12, sendo a linguagem simples e acessível, marcadamente para um público jovem-adulto, a sua característica mais óbvia.
Continuação da inocência
Gregor deve ser lido tendo sempre em mente o seu publico alvo: é inocente e puro. Entra no campo da ficção cientifica, acompanhado de raças não humanas e realidades dispares das conhecidas no mundo contemporâneo.
Até certo ponto faz lembrar um “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol, em cenário de guerra, ao invés de uma Tea Party de cores berrantes.
A autora utiliza bastantes referências à obra anterior, sem nunca comprometer o leitor casual. Contudo, parte do encanto perde-se não tendo a “base” servida no primeiro volume.
Próximo da qualidade do original, acaba por destacar-se em dois pontos: a menor necessidade de explicações e a familiaridade do leitor com as personagens. No primeiro ponto perde-se o encanto da explicação das raças e suas características, mas ultrapassa-se a forma de chegada e partida a Regalia. Relativamente ao segundo, conhecendo os peões de uma leitura passada, mais facilmente nos apegamos aos seus destinos e motivações.
Puro e agradável
É, portanto, uma leitura interessante, pejada de criaturas bem desenvolvidas, com características que as fazem verdadeiramente diferir entre si e montadas num cenário crível. Quiçá seja bastante mais jovem e leve que a trilogia mais conhecida da autora. Mas o objectivo de Collins talvez tenha sido a criação de uma leitura rápida e competente, e nesse ponto a autora acerta com relativa facilidade.
"Lembrou saudosamente as comidas gordas e bem condimentadas. A lasanha da Sra. Cormaci, cheia de queijo, molho e massa. (…) Rasgou um bocado de peixe teimoso com um grunhido. «Não é preciso muito para apagar centenas de milhares de anos de mudanças quando se está com fome», pensou."
Nota: 4.0/5.0
PS - mantive a estrutura da resenha anterior, adaptando-a à realidade da nova obra; desta forma garanto a congruência entre os vários livros da série.