Mais uma vez, José Rodrigues dos Santos prova ser capaz de desenvolver uma boa história com uma narrativa fácil de seguir, apesar da quantidade de detalhes históricos e científicos que apresenta na sua obra. Apesar de ter gostado do livro no geral, cheguei a um ponto em que senti que a narrativa batia o clichê com que nos foi habituando em obras anteriores da saga de Tomás Noronha: o historiador especialista em criptoanálise e com um conhecimento vasto que chega a deixar a própria Wikipédia com inveja, assim como, tal como em obras anteriores, a possível conquista romântica.
No que toca ao conteúdo histórico em si, fiquei surpreendido com a quantidade de informação histórica e teológica que me eram desconhecidas no que tocava a vida e obra de Jesus. Sendo José Rodrigues dos Santos jornalista de carreira, não poupou nos detalhes e na pesquisa minuciosa necessária para se manter fiel aos factos históricos conhecidos até a data (e, como sempre, revisto por profissionais da área). No nível científico, sendo eu cientista de profissão, gostei da maneira como ele jogou com a fina fronteira que separa a realidade da ficção científica. No momento em que foi revelada a missão da clonagem no instituto, foi fácil de perceber o que aí vinha e todo o debate que se seguiu foi, em certa medida a meu ver, um pouco previsível. Ainda assim, foi um bom choque de ideias que gostei de ver transferido para o papel, um choque ideológico que muita gente de certeza já terá colocado com a questão "E se...?".
No geral, apesar de em certos pontos ter sido clichê e previsível, gostei do livro e recomendo para quem procura uma leitura mais suave e com twists à moda do Código Da Vinci ou Anjos e Demónios, onde mais uma vez a ciência, história e fé entram em conflito, ao mesmo tempo que alguém, com uma missão nobre, tenta unir estas 3 áreas numa só.