Sir Charles Spencer Chaplin, mais conhecido como Charlie Chaplin, nascido na Inglaterra em 1889 e falecido na Suíça em 1977, creio, dispensa maiores apresentações.
Ator, diretor, produtor, roteirista, músico, compositor foi o gênio (epíteto que ele detestava) responsável por verdadeiras e aclamadas obras primas do cinema tais como “Vida de cachorro” (1918), “O garoto” (1921), “Em busca do ouro” (1925), “O circo” (1928), “Luzes da cidade” (1931), “Tempos modernos” (1936), “O grande ditador” (1940), “Luzes da ribalta” (1952).
Sua turbulenta, brilhante e multifacetada trajetória é contada, de forma talvez até excessivamente minuciosa, nesse ótimo livro intitulado “Chaplin; Uma biografia definitiva” de autoria do crítico de cinema e historiador britânico, nascido em 1930, David Robinson.
O autor se esmerou em reproduzir cartas, depoimentos, impressões e detalhes técnicos que, às vezes tornam a leitura um tanto cansativa, mas em todos os aspectos que realmente interessam na vida do ��cone Charlie Chaplin ele se sai muito bem e a experiência da leitura, ao fim e ao cabo dela, é por demais gratificante.
São fascinantes as questões ligadas ao gradual nascimento do “vagabundo” Carlitos, talvez a maior criação de Chaplin assim como aspectos técnicos ligados ao processo de criação dos roteiros, atuações, pantomimas, cenários, escolha de elenco e mesmo tecnicalidades como iluminação, fotografia, quantidade de película gasta em cada filme etc.
A biografia ganha musculatura quando o autor aborda temas realmente polêmicos da vida de Chaplin como a sua resistência ao cinema falado que, segundo ele, seria uma “moda passageira”, a sua nem sempre harmônica relação com as várias mulheres de sua vida, seus filhos e, a sua pioneira defesa da abertura de um segundo front na Europa para combater os nazistas e unir esforços à URSS, a sua corajosa denúncia da pobreza e da miséria e sua igualmente corajosa defesa da elevação do nível de vida da classe trabalhadora e talvez, principalmente ( e lamentavelmente), a perseguição que ele sofreu nos USA na época da “caça às bruxas macarthista” em que ele foi acusado de “comunista”, “devasso”, “anti-patriótico” e como ele, humanista e pacifista que era, sofreu a ponto de ser obrigado a deixar os USA e viver na Europa até a sua morte em 1977.
As homenagens, à guisa de reparação, que lhe foram feitas no final de sua vida, não foram suficientes para que ele superasse completamente o trauma das injustas perseguições que sofreu e, no final, ele era um homem realmente desiludido com a humanidade que ele tanto tentou aprimorar com sua arte.
Excelente!