Uma clássica obra do Romantismo brasileiro, porém que excede a carga monótona que muitos ligam a esse período.
Acho que a narrativa é conhecida por todos: Aurélia, a rica e bela menina-moça-senhora da sociedade fluminense do século XIX, compra o marido Seixas, "traste indispensável às mulheres honestas". O que não se sabe, contudo, é que a negociação tem motivações recônditas, uma vez que o coração virgem e cheio de paixão de Aurélia adorou um caído, degradado, um homem-traste, que é o Seixas.
A obra traz temas como humilhação, vingança, ciúmes e mortificação, todos esses combinando-se para o belo fim da redenção. Sim, a relação de amor sublime e verdadeiro entre duas almas, culminando no casamento, é o que os redime e os salva de suas próprias mazelas.
A partir daqui, pode conter SPOILERS:
Confesso que vi, muito presente na obra, a cosmovisão, não sei se por influência intencional do autor ou por haver uma ligação natural entre o casamento, instituição divina, e a remissão de duas almas perdidas. De qualquer forma, vi o amor devoto, verdadeiro e submisso que deve existir entre os esposos. Talvez com um tom exagerado, típico da período romântico em que foi escrita, mas carregando as intenções mais legítimas do que significa o matrimônio.
Por fim, uma das falas de Aurélia, no fim do último capítulo:
"Aquela que te humilhou, aqui a tens abatida, no mesmo lugar onde ultrajou-te, nas iras de sua paixão. Aqui a tens implorando seu perdão e feliz porque te adora, como o senhor de sua alma."
- Senhora, José de Alencar.