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Kallocain

This is a novel of the future, profoundly sinister in its vision of a drab terror. Ironic and detached, the author shows us the totalitarian World-state through the eyes of a product of that state, scientist Leo Kall. Kall has invented a drug, kallocain, which denies the privacy of thought and is the final step towards the transmutation of the individual human being into a "happy, healthy cell in the state organism." For, says Leo, "from thoughts and feelings, words and actions are born. How then could these thoughts and feelings belong to the individual? Doesn't the whole fellow-soldier belong to the state? To whom should his thoughts and feelings belong then, if not to the state?"
As the first-person record of Leo Kall, scientist, fellow-soldier too late disillusioned to undo his previous actions, Kallocain achieves a chilling power and veracity that place it among the finest novels to emerge from the strife-torn Europe of the twentieth century.

193 pages, Paperback

First published January 1, 1940

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About the author

Karin Boye

99 books274 followers
Karin Boye was a Swedish poet and novelist.

She is perhaps most famous for her poems, of which the most well-known ought to be "Yes, of course it hurts" (Swedish: "Ja visst gör det ont") and "In motion" (Swedish: "I rörelse"). She also wrote a few novels including "Kallocain". Inspired by the rise of National Socialism in Germany, it was a portrayal of a dystopian society in the vein of Orwell's Nineteen Eighty-Four and Huxley's Brave New World (though written almost a decade before Nineteen Eighty-Four). In the novel, an idealistic scientist named Leo Kall invents Kallocain, a kind of truth serum.

Boye died in an apparent suicide when swallowing sleeping-pills after leaving home on April 23, 1941.

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Community Reviews

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4 stars
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3 stars
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2 stars
1,347 (7%)
1 star
302 (1%)
Displaying 1 - 30 of 72 reviews
Profile Image for Álvaro Curia.
Author 2 books622 followers
January 15, 2021
Ler uma distopia em plena pandemia é uma experiência ingrata. O que dantes era uma fantasia irrealizável, hoje, infelizmente, não nos parece tão impossível assim. Em “Kallocaína”, Kalle produz um soro da verdade, que se transforma na arma mais potente de um Estado totalitário, subterrâneo, omnipresente.

Os pontos de convergência com a atualidade são muitos: o controlo de movimentos, a proibição de ajuntamentos, as barreiras entre cidades, as permissões de circulação e a desconfiança: qualquer um pode representar uma ameaça.

Claro que as semelhanças se extinguem aqui. Ao contrário do poder autocrático do Estado do livro, os nossos governantes agem baseados na sua maior boa-fé, procurando utilizar todas as suas forças para que a pandemia se controle e possamos ter de volta alguma normalidade. Qualquer outra interpretação é mal intencionada e conspiradora.

Mas em “Kallocaína”, não. A mão do Estado estende-se até à intimidade dos casais, à educação dos filhos, à atomização completa das relações sociais em nome da manutenção da ordem e da fidelidade ao regime. Os aspetos da vida privada são, diria, do mais interessante deste livro. A confiança a ser posta à prova e a fidelidade ao Estado acima de qualquer outra.

“Kallocaína” não nos devolve esperança. É uma distopia clássica, onde um todo poderoso Estado controla os mais minúsculos passos da vida de cada cidadão.
Profile Image for Madalena.
358 reviews47 followers
July 21, 2025
Senhoras e Senhores... Que livro. Absolutamente espetacular, uma obra maravilhosa. Se numa primeira análise é político, também o é apenas nessa primeira medida. É um livro sobre ser humano, sobre a supressão da humanidade, sobre como ela surge sempre. As confissões sob o serum da verdade são leves, desprovidas de medo e de vergonha, são preenchidas de esperança. É um livro muito bonito e bem escrito e poético. É muito mais que uma antologia política. É espetacular. Leiam.

"As suas palavras sobre o amor infeliz e invejável pareciam de um romantismo pueril, mas continham uma certa verdade, que eu facilmente poderia aplicar à minha própria relação com Linda. De certo modo, o meu casamento fora um amor infeliz; correspondido, é certo, mas, ainda assim, infeliz. Num rosto sério, numa boca vermelha e tensa, em dois olhos que se abriam com severidade, eu projectara os sonhos de um mundo secre to que aplacaria a minha sede, acalmaria a minha inquietação, me providenciaria uma segurança final para todo o sempre; e bastava para isso que eu pudesse encontrar um meio de lá entrar. E agora... agora, que eu penetrara à força até onde era possível, arrancando-lhe aquilo que ela não me queria dar, afinal a minha sede não desaparecera, a minha inquietação e a minha insegurança eram maiores do que alguma vez haviam sido. Se existia um mundo equivalente àquele que eu sonhara, ele era inatingível, apesar de todos os meus esforços. E, tal como Linda, eu queria poder voltar atrás, à minha ilusão invejável, quando eu ainda acreditava que o paraíso atrás do muro podia ser conquistado."
Profile Image for Elvis Rodrigues.
312 reviews15 followers
May 31, 2025
Em uma sociedade distópica, Leo Kall é um químico que desenvolve a Kallocaína, substância que é mais ou menos como um soro da verdade. Ele é obrigado a realizar os testes sob a supervisão de Rissen, uma pessoa que já trabalhou com sua esposa, Linda, e de quem Leo tem ciúmes e um pouco de inveja. Nesta sociedade, o individualismo é vetado e tudo deve ser em prol do Estado.

A leitura de Kallocaína é fascinante num aspecto histórico. Primeiro, por ter sido escrito por uma mulher, sueca, homossexual, e lançada em 1940. Segundo, pela sua posição histórica. É provável que Boye tenha lido Admirável Mundo Novo e Nós. Ela também visitou a Alemanha Nazista e aparentemente foi combatente do lado socialista na Guerra Civil Espanhola. A partir dessas influências concebeu sua distopia. E esta certamente foi lida por Orwell e serviu também de referência para 1984, a mais famosa de todas as distopias.

Certamente é possível enxergar na organização do Estado de Kallocaína os moldes do que viria a ser o Estado de 1984. Também pode-se apontar que o protagonista é um trabalhador do Estado, que há uma mulher de interesse (aqui já casada com ele, lá não) e um superior com ideias diferentes. Mas os rumos da trama são bem diferentes, não passa perto de plágio, apenas que cada escritor da época trabalhava nas bases dos seus antecessores e não foi diferente com Orwell.

Kallocaína em si tem seus momentos. Achei bem escrito, mas gostei mais da primeira metade. Na segunda, Kall e Rissen vão fazer demonstrações em outro local e a noção de tempo da trama começa a ficar esquisita. A personalidade do protagonista também não me parece ter sido suficientemente desenvolvida, ficando às vezes contraditório. As pessoas podem ser contraditórias, mas parece ter faltado algo pra isso fazer sentido na história. Rissen e Linda são os personagens que mais me interessaram, mas são pouco explorados. O resultado é meio inconsistente, gostei mais como parte da história das distopias mesmo. Me falta agora ler Nós para terminar esse mosaico mais famoso.

Nota: 5 (Personagens) + 6 (Plot) + 6 (Estrutura) + 6 (Atmosfera) + 6 (Estilo) - 1 (Dedução porque não me parece suficientemente crítica a menção ao papel das mulheres na sociedade, envelheceu mal) = 28
Profile Image for Monica Cabral.
277 reviews59 followers
July 22, 2025
"Como deve compreender, trata-se de uma descoberta importante. De ora em diante,  nenhum criminoso poderá negar a verdade. Até os nossos pensamentos mais íntimos deixarão de nos pertencer, como julgámos indevidamente durante muito tempo...
...Como haveriam os pensamentos e os sentimentos de ser um assunto privado?...
...a quem haveriam de pertencer os seus pensamentos e sentimentos senão ao Estado também? Acontece que não era possível controlá-los, mas agora encontrámos um meio de o fazer."

Leo Kall vive num estado totalitário, o Estado Mundial, onde é cientista e inventa uma droga que obriga as pessoas a dizer a verdade : a Kallocaína.
Esta distopia começa com Leo a escrever as suas memórias na prisão, memórias estas que nos levam ao seu passado onde descobrimos o que aconteceu para ele estar preso e as regras do Estado Mundial. O sistema económico deste Estado dá tudo a todos, habitação, alimentação e emprego mas retira-lhes qualquer traço de personalidade, de individualidade e de liberdade. Os sentimentos como a compaixão e a empatia são vistos como fraquezas das quais se deve ter vergonha. No Estado Mundial não se pode confiar em ninguém. É um mundo cheio de medo, de denúncias e intrigas onde as paredes têm os ouvidos e os olhos do Estado.
Ao testarem a Kallocaína em diversos indivíduos, os cientistas descobrem que algumas pessoas não têm os mesmos valores que são permitidos por este estado opressor, o que provoca grandes mudanças na sociedade e principalmente no próprio Leo Kall.
Karin Boyle traz-nos um futuro profundamente sinistro mas ao mesmo tempo realista pois em vez de ser narrado por um jovem revolucionário ou por um líder da oposição, é narrado por um cidadão comum, um pai de família que sente na própria pele o terror de um estado que oprime e descarta os cidadãos como se eles fossem objectos sem qualquer tipo de utilidade.
Profile Image for mariasabeler.
182 reviews1 follower
October 5, 2024
que final. este é o livro mais underrated que eu conheço
Profile Image for Henrique.
1,068 reviews30 followers
April 16, 2024
Orwell não criou o Big Brother!

Enquanto lia “Kallocaína”, distopia da sueca Karin Boye, eu pensava: “Bom, ela parece ter se inspirado no Orwell, mas ainda fez uma coisa original”.

As casas da cidade imaginada pela autora tinham uma espécie de espelho com a mesma função do olho em “1984”, ou seja, permitir que a polícia vigiasse seus cidadãos. Certamente a autora havia lido Orwell e incorporou essa sua ideia...

Mas ela escreveu antes!

Só depois de terminar descobri que “Kallocaína” é de 1940, enquanto “1984” é de 1949. É mais fácil o Orwell ter se inspirado nela.

A trama de Boye trata igualmente de um Estado totalitário. A história é narrada em primeira pessoa por um cientista que descobriu uma droga capaz de fazer as pessoas confessarem os seus pensamentos mais íntimos.

Como disse um jornal ao noticiar a descoberta, “PENSAMENTOS PODEM SER CONDENADOS”.

E, de fato, começam a usar as drogas para investigar pensamentos “subversivos”, que eram basicamente todos aqueles em que o indivíduo pensava primeiro em si mesmo, em detrimento da coletividade.

A trama ganha uma dimensão muito interessante quando o narrador começa a desconfiar de uma traição da esposa. É um Bentinho distópico, que pensa então em usar a droga para descobrir os segredos da esposa que imagina infiel.

Ao mesmo tempo, a esposa parece estar atendendo a um imperativo genético que é altamente danoso ao novo Estado: o sentimento materno!

Nem o mais autoritário dos Estados consegue dominar uma porçãozinha do cérebro em que o indivíduo ainda pensa por si e almeja uma coisa muito diferente da realidade. Um personagem sugere que ninguém acima de 40 anos teria a consciência “limpa”.

Isso significa que todo mundo, exposto à nova droga, seria condenado por seus pensamentos.

É desses embates que trata esse excelente livro, que merece ser bem mais conhecido.

Karin Boye escreveu esse livro em 1940 e se matou no ano seguinte.
Profile Image for Paulo Teixeira.
1,027 reviews14 followers
June 15, 2025
(PT) Num mundo distópico, Leo Kall, um químico, escreve para um caderno as memórias de um tempo onde inventou um soro da verdade, onde julgava que iria ajudar o Estado, ao retirar ao individuo a sua capacidade de pensar por ele mesmo. Tudo isto para ter a honra de chamar à sua formula o seu nome: Kallocaína.

Escrito em 1940, quando o mundo mergulhou numa guerra, é algo interessante no sentido de ser uma distopia escrita por uma mulher, mais de 40 anos antes de Margaret Attwood e a sua "História de uma Serva". Contudo, o mais interessante é algo do qual não se vê mais que a descrição da destruição de uma alma por dentro, primeiro, por desconfianças, depois, a paranoia de alguém que, manipulado por um estado que recompensa os obedientes, descobre que no final, é uma peça, e como tal, é facilmente dispensável, como se fosse uma porca ou um parafuso, construido em série, por qual contribuição mais importante tenha prestado ao Estado.

Isto faz mais lembrar os estados comunistas - isto foi escrito pouco depois dos Processos de Moscovo, consequências das Purgas de Estaline - as referências a Huxley são pertinentes. Pequeno e absorvente, é a mais recente descoberta pessoal no universo das distopias escritas no século passado e nunca deixa de ser atual.
Profile Image for Ariadne Pires  Barbosa.
77 reviews2 followers
May 3, 2022
Kallocaina, livro escrito pela sueca Karyn Boye, é das distopias escritas sob influência de um mundo que passava pela Segunda Guerra Mundial, crises econômicas e Estados totalitários em diferentes países. Esta particularmente foi escrita sob a influência da decepção da autora com a Rússia stalinista após uma visita a ela e parece-me que faz parte da tradição da Carambaia publicar livros que façam críticas ao comunismo mesmo que não assumam totalmente seu apoio ao liberalismo político.

Quanto a história achei bem escrita, os personagens são complexos - principalmente o protagonista Leo Kall - e a narrativa é seca, sufocante e burocrática como o Estado Mundial narrado no livro.
Profile Image for Joana.
66 reviews13 followers
March 17, 2019
Kallocaína foi a segunda distopia que li (sendo que a primeira foi o Admirável Mundo Novo, de Huxley). Com o AMN fiquei realmente perturbada, a ponto de me sentir "estranha", mesmo após 4 anos, sempre que sinto o seu cheiro (que é o cheiro da biblioteca do pai de um dos meus melhores amigos, por ter sido de lá que o roubei). Já neste livro, senti que o mundo não foi tão minuciosamente construído, razão pela qual não me perturbou tanto, no entanto as ideias que pretendia passar foram. Valeu umas boas reflexões.

Neste novo mundo, existe o chamado Estado Universal. É para ele que nascem, vivem e morrem todos os "consoldados". É pelo bem desta comunidade que se regem todos os que a ela pertencem. O conceito de individualidade é desprezado e qualquer ação feita com a finalidade de alcançar um objetivo individual e não um bem maior para o Estado Universal, não tem qualquer mérito e deve ser desprezado. Mesmo que, no final, ambos coincidam. E neste mundo, um cientista, que pertence a uma das Cidades Químicas, descobre a kallocaína - um "soro da verdade".

Com esta leitura, veio-me à cabeça uma expressão que ouvi bastante neste último inverno: só te apercebes do quão maravilhoso é viver normalmente com o nariz descongestionado quando ele está congestionado. É ao olhar para o absurdo que seria sermos julgados pelos nossos pensamentos, que nos apercebemos do quão importante é conseguirmos ter este nosso pequeno mundo, onde podemos refletir e questionar tudo e ao qual não pode aceder ninguém, sem que antes filtremos aquilo a que queremos que tenham ou não acesso. Todos temos determinadas histórias e características que pretendemos esconder dos outros. Ninguém é 100% transparente com ninguém e devemos aceitar isso, não tentando impingir essa sinceridade. Será que com ela viria realmente algum bem maior ao mundo? Será que ela tornaria as relações inter-humanas mais verdadeiras do que são na sua ausência? "Não é estranho que tudo perca o seu valor assim que deixa de ser uma dádiva; até a verdade?"

Um livro muito bom! Recomendo!
Profile Image for Graciosa Reis.
577 reviews55 followers
Read
April 16, 2023
Em Kallocaína, narrativa distópica, o indivíduo é completamente anulado e a sociedade é completamente controlada por um regime totalitarista. O Estado Mundial é o grande manipulador e opressor.
Leo Kall, o protagonista, trabalha como químico, na Cidade Química número 4, e desenvolveu uma substância, Kallocaína, que depois de injectada nos indivíduos, os levará a revelar todos os segredos, medos, pensamentos, sentimentos, atitudes,… “– Uma coisa, pelo menos, é certa: o último resquício da nossa vida privada desaparecerá para sempre.” (p. 62)
Este método deverá ser aprovado pelo Estado Mundial e implementado como substituto de todos os demais métodos de investigação.

Muito à semelhança de 1984, de George Orwell, tudo é vigiado, há olhos e ouvidos em todos os lares e a assistente doméstica “estava encarregadas de apresentar um relatório sobre a família no fim de semana.” (p.11). Nesta cidade não há lugar ao amor, à intimidade, ao convívio, ao sonho, à liberdade. Há sim, lugar ao medo, ao pesadelo, à denúncia, à desconfiança e à opressão.

Para quem goste de distopias, é um livro a ler.
71 reviews20 followers
January 13, 2021
Que leitura angustiante e maravilhosa. Além de uma prosa claustrofóbica e imagens que reforçam essa repressão metafórica e física dos personagens, o cuidado da edição da Carambaia é um absoluto primor que acrescenta ainda mais à leitura desse clássico distópico sobre um governo totalitário onde não existe o indivíduo, apenas o coletivo. A imagética ao final do livro, da sensação de libertação, é fantástica. E seu posfácio fictício é doloroso. Uma leitura reflexiva e pesada para os tempos de hoje, mas extremamente relevante. Fiquei curiosa para saber o por quê de conhecermos tão amplamente Admirável Mundo Novo e 1984, mas Kallocaína, que é tão primoroso quanto, não é conhecido (pelo menos por aqui; pelo que li, Karin Boye é famosa na Suécia).

Adorei a leitura, sublinhei muitas passagens e vai ser uma história que certamente vou revisitar. Também fiquei com vontade de conhecer a poesia da autora.
Profile Image for Diogo Jorge.
55 reviews
August 6, 2025
Distopias continuam a não ser a minha cena, no entanto gostei (muito) ligeiramente mais desta que do 1984.
Kallocaína é uma droga que quando administrada o utilizador diz sempre a verdade. Inventada por Leo Kall, personagem principal, e escritor da narrativa que lemos, a obra aborda a criação da droga, período experimental e as suas consequências quando a mesma começa a ser usada pelo Estado.
Kallocaína é bem escrita, o conceito é bastante interessante, mas peca por pouco complexa em termos de "stakes" e world-building com outras distopias.
Mesmo assim parece-me que Kallocaína merece estar ao lado das grandes e famosas distopias da sua época, já que esta obra não é assim tão conhecida fora da Suécia, país natal da sua escritora Karin Boye.
Profile Image for Marcela Güther.
14 reviews16 followers
Read
June 2, 2020
Admirável Mundo Novo é um dos meus livros prediletos, a primeira distopia que me recordo de ler. Hoje, quando vivemos já em um universo distópico, em que quase nada mais surpreende (mas nos afeta, ainda acredito), um livro como este, Kallocaína, também não parece tão distante. Karin Boye, autora sueca, o escreveu de forma dolorosa, ao ver o avanço nazista. Ela conta a história de um Estado totalitário em que um cientista inventa uma "droga da verdade" que revela tudo o que o governo impede que os indivíduos tenham: identidade, singularidade, diferenças, sentimentos. É tão reveladora que acaba tornando seu criador uma "vítima" de suas revelações. E o mais curioso: não há muitos espaços abertos no livro, os ambientes em que a sociedade vive são em subsolo, a vida se passa rodeada por paredes, falta ar fresco... Não nós sentimos assim dentro de casa, sufocados fisicamente e politicamente? Não sentimos falta do vento (a liberdade), como o personagem principal nas cenas finais da história? Ótimo livro, que influenciou muito o Orwell em 1984, publicado anos depois.
Profile Image for Artur Silva.
51 reviews2 followers
August 17, 2023
Kallocaina é um soro da verdade, a oportunidade de controlar através do “roubo” da verdade. Verbalizar o que se pensa, de verdade.

Uma distopia diferente, um romance, um despertar para a realidade. A época em que o cidadão do Estado Novo é tomado pelo controlo racional e a falta de livre arbítrio. Onde há também ouvidos e olhos nas paredes e que faz recordar o “1984” de Orwell.
Profile Image for O Mundo é Bué Cenas.
202 reviews13 followers
October 22, 2023
Poderia ter sido um 5 estrelas, mas apressa-se no fim, o que estraga o resto. No entanto, é uma ideia muito interessante e bem conseguida
Profile Image for Tiago Rebelo.
25 reviews1 follower
October 7, 2025
Mais uma utopia interessante, idealizado como o 1984, mas com Kallocaina, ninguém está seguro neste mundo
Profile Image for Sergio.
28 reviews1 follower
August 18, 2026
A genialidade está no desenvolvimento psicológico de Leo Kall, cuja doutrinação entra em colapso à medida que a sua própria criação revela a vulnerabilidade humana. Uma distopia visionária, direta e absolutamente essencial que continua desconcertantemente atual.
Profile Image for joaovilnei.
124 reviews1 follower
August 1, 2024
Um dos piores livros que já li. Vontade de desler
Profile Image for Sara Bôto.
161 reviews
May 27, 2024
"Do individualismo ao coletivismo, da solidão à comunidade, tal fora o percurso deste organismo gigantesco e sagrado, em que o indivíduo era somente uma célula sem outra importância que não fosse a de servir o organismo como um todo." (p. 63)

A distopia, sendo um género que imagina uma possibilidade de futuro onde os pontos negativos, de negação e subversão de direitos, são enfatizados, apresenta-se como um mero exercício de especulação, no qual várias teorias podem convergir para formar um mundo possível (muitas vezes verosímil), porém, exagerado. Karin Boye conseguiu a proeza de pegar num modelo político, subvertê-lo e transformá-lo de maneira a deixar expostas as suas contradições e, curiosamente, é nesse ponto que tudo reside. Num mundo em que o indíviduo se sacrifica em nome de um Estado, no qual a ideia de coletividade se sobrepõe a tudo, os seres humanos apresentam-se como formigas, trabalhadoras e subterrâneas, alimentadas por ideais e propaganda, conduzindo uma existência maquinal e orientada. Leo Kall, o protagonista, enquanto químico brilhante, desenvolve uma espécie de soro da verdade, que coloca à disposição do Estado, de forma a garantir a confissão fidedigna de crimes por parte dos seus perpetradores. O que Kall não compreende, e se torna cada vez mais claro ao longo da história, é que, sem necessidade de tomar o seu próprio soro, ele mesmo se encontra numa jornada de descoberta sobre a sua posição no mundo e sobre os seus verdadeiros pensamentos acerca da sociedade em que vive - que vão, naturalmente, contra os valores do Estado.

Kallocaína não é uma proeza literária, não é um livro que se devora e do qual se sai mais enriquecido do que com outras distopias; no entanto, a ideia de que, por mais injusto e autoritário que seja o mundo em que vivemos, há uma semente de revolta que germina, independentemente da conjuntura sociopolítica e das tentativas de repressão desses movimentos, aquece o coração do humanista desencantado com o séc. XXI. E, confesso, muito embora a ideia de coletivo surja como um fantasmagórico mecanismo repressivo, a obra de Boye consegue ressalvar a importância da humanidade como um todo - não um grupo de indivíduos empacotados em categorias de subserviência, mas um todo no qual, apesar dos limites do humano, a luta e os ideais proliferam. Saber que este foi o último livro escrito antes do seu suicídio leva-me a senti-lo como uma tentativa da autora de deixar, ela mesma, uma semente de revolução num mundo infestado pelo ódio e pela guerra.
Profile Image for Beki.
42 reviews5 followers
March 31, 2025
Num mundo onde tudo é controlado, ser humano, cantar canções, procurar amor e conexão com o outro, são atos terroristas. Uma distopia importante no tempo em que foi escrita como agora.
Profile Image for Diana.
32 reviews
Read
October 29, 2016
Kallocaína mostra-nos o perigo de não unirmos a nossa realidade à dos outros. O perigo de não ouvir, de não tocar, de não comunicar. De não tentarmos descobrir a verdade dentro de nós e de não ouvir a partilha da verdade do outro. Não é uma distopia de um futuro totalitário, violento ou repressivo. É uma distopia do não saber sentir, não saber entender. É uma distopia do nosso presente; do medo daquilo que fica do outro lado da nossa verdade.
no blog
Profile Image for Leandra.
569 reviews11 followers
March 4, 2018
Eu não queria este final!!!
Profile Image for Erich Cavalcanti.
269 reviews3 followers
August 2, 2024
"Existem poucas coisas que me digam mais sobre um homem que sua concepção de vida; se a vê como um caminho, um campo de batalha, uma árvore que cresce ou um mar tempestuoso."

Uma das melhores distopias que li recentemente. (Preciso inclusive condensar uma comparação entre elas.) Essa em especial tem similaridades gigantescas com 1984 (que foi publicada depois) e com Nós (que é sua predecessora). Das três, essa é a que achei mais bem escrita. Tanto em '1984' quanto em 'Nós' o romance vivido pelo personagem principal se torna um pouco sem graça em alguns momentos (pior em 'Nós').

Os elementos comuns a todos são:
- Estado totalitário onde os cidadãos são isolados do restante do planeta. O que sabem da realidade é o que o estado lhes conta.
- Todos estão sendo sempre vigiados. Cada livro representa isso de um modo diferente, aqui temos pessoas explicitamente vigiando outras por buracos nas paredes e trabalhadores que fazem relatórios semanais dos seus patrões.
- Todas as três distopias colocam o cidadão como membro de algo. Temos aqui o "cidadão-soldado". Única diferença um pouco maior é que em 1984 a sociedade é dividida em uma classe alta, média e baixa. Sendo que o equivalente ao "cidadão-soldado" seria a classe média, enquanto não é exercido um grande controle da classe baixa. Nem em kalocaína nem em Nós se vê uma distinção de classe gritante, mas nenhum dos dois tem como base ideologica o capitalismo (como 1984).

"Deves entender de uma vez por todas que não é a perfeição que faz de ti um bom cidadão-soldado, muito menos a perfeição em tais questões, onde a ética estatal ainda está por ser estabelecida! Antes de tudo é a capacidade de renunciar ao teu ponto de vista e dedicar-te ao correto."

Aqui em Kalocaína o enredo central é a descoberta de um soro da verdade por parte do personagem principal. E estamos acompanhando um momento de virada daquela sociedade, onde o controle estatal consegue agora chegar a uma nova camada antes inalcançavel: o que as pessoas pensam. Este livro parece servir como um prelúdio a 1984, pois o estado parece estar em construção, as regras ainda estão evoluindo, e ainda é possível pensar em algo como uma revolução. Além disso, enquanto em 1984 todos vivem numa atmosfera de terror, aqui vemos ela sendo criada. Realmente dá a impressão de que Kalocaina foi escrita tomando por base Nós de Zamiatin, refundando o que foi feito naquele escrito, e que 1984 bebeu de ambas as fontes e tentou projetar como seria um governo pós-Kalocaina.

"O terror. Encaminhamo-nos para uma vigilâcia cada vez mais rígida, e isto não nos traz mais segurança como esperávamos, mas sim angústia."

"Penso ser necessário começar tudo desde o início e ensinar o povo a ver o 'ser humano', entre aspas, no cidadão-soldado."

"Existissem bases e razões para a confiança entre os homens, jamais o Estado teria sido erigido. O fundamento sólido e necessário da existência do Estado é a desconfiança mútua e profunda entre os homens. Quem nega esse fundamento, nega o estado."
Profile Image for Raphael Albino.
Author 2 books39 followers
June 30, 2025
Eu tenho uma certa dificuldade em apreciar distopias, especialmente em formato de leitura. Principalmente porque minha cabeça fica tentando imaginar o que a pessoa que escreveu o livro estava passando para projetar uma realidade que ao mesmo tempo não tem conexão alguma com o agora mas que, de alguma maneira, tem. Porque o presente é sempre uma fonte de inspiração para novos universos.

Nessas pesquisas ao longo da leitura, descobri que a autora, Karin Boye, faleceu um ano depois do lançamento de Kallocaína. Eu me pergunto o quanto a escrita foi o abraço que ela precisava para lidar com todas as aflições de um mundo conservador, com o discurso fascista ganhando cada vez mais adesão e uma dinâmica de sociedade prestes a vivenciar um conflito armado na Europa. Era 1940. O nazismo e o stalinismo assombravam o continente, e Kallocaína foi escrita como um grito de angústia diante dessa marcha cega para a obediência.

Foi por conta desse meu jeito de ficar processando as coisas que tive uma certa dificuldade em terminar o livro. Kallocaína é uma obra densa. A história gira em torno de um regime totalitário que controla cada aspecto da vida das pessoas e de uma droga (a Kallocaína) que faz com que as pessoas revelem seus segredos mais íntimos, seus pensamentos escondidos, seus medos e angústias. Uma substância que elimina a última fronteira de liberdade: a do pensamento.

O protagonista, Leo Kall, é o cientista que desenvolve essa droga a serviço do estado Mundial. No início, ele é um sujeito convicto, moldado pelo medo, fiel ao discurso de obediência e vigilância. Mas, à medida que vai ouvindo as verdades dos outros, aquelas que só surgem quando a máscara do medo cai, ele também começa a se escutar. E nesse processo, a rigidez de seu pensamento vai se quebrando.

Em algum momento, Kall, muito estimulado pelas histórias que escutou ao aplicar a sua obra, percebe que a vida é feita de contradições, de sonhos, de desejos, de medos, de dúvidas. E que os discursos de ordem têm como princípio promover a estabilidade em uma natureza, chamada humana, que precisa da desordem para gerar movimento, criar, sentir e transformar.

Kallocaína é incômodo porque nos faz encarar o desejo de controle que muitas vezes habita em nós. O desejo de que tudo funcione, que tudo seja previsível, que as pessoas ajam “como devem agir”. Mas a pergunta que ecoa na obra de Karin é: a que custo?

A leitura me deixou com a sensação de que há algo profundamente humano em resistir, não só ao Estado ou à autoridade, mas ao apagamento da dúvida, da vulnerabilidade, daquilo que nos escapa ao controle. Karin Boye nos convida, com delicadeza e uma certa densidade de quem sente o que escreve, a lembrar que a vida não cabe em fórmulas, nem em fórmulas químicas como a da Kallocaína, nem em fórmulas políticas, sociais ou afetivas.

É um livro para ser lido devagar, talvez até com alguma resistência, mas que deixa marcas. E talvez seja isso que a literatura deva fazer em nós!
3 reviews
July 30, 2025
Primeiro, acho importante ressaltar que li este livro sem nenhuma expectativa, nunca tinha ouvido nada sobre este e nem sobre a sua autora, Karin Boye (que, é uma das autoras suecas de maior relevância).
Depois de uma breve introdução de David McDuff, começamos a ler Kallocaína já com o contexto histórico (que, obviamente, está diretamente relacionado com o político) em que Boye se defrontava. Em 1940, o começo da segunda grande guerra e toda as políticas, tanto nazis, como soviéticas, realmente tiveram um grande impacto nesta obra.
Este livro tem como protagonista Kall, um químico, que consegue, seguindo passos de outros cientistas, criar uma droga da verdade, a Kallocaína. No entanto, o regime do Estado Mundial é extremamente autoritário e repressista, o faz com que tudo pertença ao estado (sengundo Kall, aprende-se nas escolas a pensar-se que cada indivíduo é uma célula, sem valor próprio, e que só tem um propósito: servir o organismo como um todo), e neste tudo, estão também impostos os pensamentos das pessoas. E é exatamente isto que esta droga faz, expõe os pensamentos mais íntimos dos camaradas do Estado Mundial.
Um outro personagem importantes, é igualmente químico, mas hierarquicamente superior a Kall, o Rissen, que realiza experiências a cobaias e que revela ter ideias que não o fazem um camarada totalmente complacente com as impostas pelo estado, estas, que também irão influenciar o próprio Kall, mudando a sua filosofia de vida por completo.
Ora, as experiências em cobaias, que são voluntários para tal função, para mim, foram um dos melhores momentos do livro. Boye consegue, com precisão, retratar o consciente das cobaias, e depois, de membros de uma organização "antissocial".
Este livro retrata tópicos relevantes e muitíssimo bem explorados, que fazem esta obra atemporal. Kallocaína: Romance do século XXI, pode parecer desprovido de emoção, conquanto no final, existe espaço para a discordância, no entanto, não vejo outra maneira que este livro pudesse ser escrito (pelo menos, grande parte deste).
Para terminar, recomendo com veemência esta obra, que certamente ficará marcada na memória dos leitores.

Transcrevo algumas frases que achei importante sublinhar:

"Ninguém pode ter tanta estima e autoestima a ponto de não desejar mais."

"(...) quanto mais abstrato algo é, menos perigosos são os seus efeitos."

"Quando eu falo, eles ouvem-se a si mesmos. Quando me movo e existo, é de si próprios que eles têm medo."
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Profile Image for Pedro.
27 reviews
July 1, 2026
Boye é Orwell antes de Orwell. Ou melhor, Orwell é Boye depois de Boye.

Um romance distópico curto. Recomendado a quem apreciou o já citado George Orwell, Aldous Huxley ou Evgueni Zamiatine.

Tratamos de um mundo cinzento, estruturado em torno da ideia do Estado Mundial. Todos os cidadãos têm o seu papel mas a ideia é comum. Havendo sentimento será o de devoção total e absoluta à ideia de que o governo e a comunidade se sobrepõem a qualquer outro instinto, vontade ou realidade.

Leo Kall é o pano de fundo do livro. Um homem castrado, cobarde, insatisfeito e inseguro mas aparentemente decidido acerca daquilo que são os seus ditames.

A vida é simples. Não tem porque ser complexa quando toda a existência se encontra cristalizada e ancorada em regras e repetição. Padronização compõe os dias.

Acontece que a insatisfação de Leo Kall o coloca em conflito consigo e com a raíz da sua servidão.

Insatisfeito com o vazio do casamento, enojado com a falta de comprometimento e desafio dos camaradas à comunidade. Mas com a noção de que existe algo para lá daquela vida. Ainda assim é notório o esforço pela pertença, a mutilação do indivíduo em prol da ideia de algo maior.

Ao longo do livro assistimos a esta batalha interna, inflamada pelas relações, pelas experiências e pelas consequências.

Os paralelos históricos são óbvios. A linguagem profundamente marcada pela aniquilação do indivíduo, pela normalização da falta de privacidade, pela violência ao serviço do pensamento único.

O protagonista chega a ser irritante pela sua ginástica mental. E o próprio livro por vezes faz com que reviremos os olhos pela alucinação colectiva que é descrita. Com a ressalva de que parecendo irrealista, não o é. Porque são escolhas com que nos deparamos no dia a dia.

Na generalidade é um livro que disseca bem os processos mentais e linguísticos usados na retórica autoritária. Aborda temas interessantes como o indivíduo, a liberdade, a emancipação, o papel da mulher, a vida conjugal, [mater/pater]nidade, propaganda, podridão, felicidade e a coragem da expansão intelectual, o desejo de nos fazermos cumprir.

E como sempre, os pregadores da virtude não são mais que pecadores encapotados. É fácil querer justiça e regras para todos, quando o todos são os outros.
Profile Image for Vitor Silva.
6 reviews
August 13, 2026
Mais uma distopia que desenvolve a angústia e opressão de um estado totatilitário que busca aniquilar a individualidade e os anseios pessoais. Há aqui o desprezo as relações pessoais e supervalorização e estímulo da relação indivíduo e estado (aqui chamado de cidadão-soldado e estado mundial), a vigilância constante [no livro ainda mais invasiva graças a Kallocaína] e a desconfiança promovida entre todos. Sim, tudo isso é característico do gênero e poderia soar como um clichê mas ser escrito por uma poeta contribui muito ao livro. O olhar da autora sobre as intimidades que nos escapa e os anseios de liberdades reprimidos e quase inconscientes são espetaculares e belíssimos. Um dos grandes mérito da história é que o romance que existe no livro se dá pela descoberta de Leo Kall ser apaixonado pela própria esposa, sem ser capaz de expressar isso, mesmo ambos morando juntos e tendo três filhos.

"Não existia ato mágico algum que pudesse me dar a chave de direitos de proprietário ao jardim das delícias que Linda me escondia. E nada de bom vinha disso."

"Comecei a pressentir que meu amor havia tomado um indevido caráter privado, e isso torturava a minha consciência. A finalidade do casamento é os filhos! Nada tinha a ver com sonhos supersticiosos, com chaves e dominação!"

Isso é o ponto alto, mas é preciso destacar os depoimentos das pessoas sobre o efeito da droga, a "seita de lunáticos" que se baseia na confiança e por isso violava todo fundamento do estado já postulado por Hobbes em leviatã, sem falar no departamento de cinema que discute se os filmes de heroísmo devem ser retratados com finais tristes ou felizes para obter mais influência sobre os cidadãos. E sobre personagens, é preciso destacar Rissen que me parece a síntese de um humanista. Ele já é desiludido da opressão do estado, não compactua com a ideologia propagada mas precisa representar seu papel e esconder suas crenças. No olhar do protagonista ele é a sua antítese, mas para um leitor atento desde o início, é apenas o desejo reprimido de tornar-se Rissen, que Léo Kall renuncia com todas as forças por conta do medo incutido em si pela incorporação dos valores do estado-mundial. Recomendo aos fãs de distopia que buscam uma obra mais profunda.
Profile Image for Carla Parreira .
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May 25, 2025
O livro apresenta uma sociedade distópica extremamente repressiva e controlada pelo Estado, que busca eliminar a expressão de sentimentos e a individualidade dos seus cidadãos. A narrativa acompanha a história do personagem Léo Cal, um homem que, após cerca de vinte anos preso, escreve clandestinamente um livro sobre o desenvolvimento de uma droga chamada calocaína, que tem como objetivo invadir o último refúgio da privacidade mental: os pensamentos.

A sociedade retratada é marcada por vigilância constante, tanto por câmeras quanto por empregadas que relatam comportamentos suspeitos ao governo. Os cidadãos vivem em ambientes subterrâneos, sem contato com a natureza, morando em cidades compartimentadas por áreas de trabalho específicas, onde a uniformização e a padronização de roupas, moradias e alimentação reforçam a perda da individualidade. Os vínculos familiares são meramente utilitários, e o amor ou afeição são considerados emoções a serem suprimidas, pois tudo deve servir ao Estado.

Um aspecto central do livro é a criação da droga calocaína, que atua como uma ferramenta de repressão emocional, semelhante a uma forma de psicanálise que revela os sentimentos mais profundos e reprimidos, mas que na sociedade do livro é usada para manter as pessoas sob controle absoluto. Essa sociedade é também caracterizada pelo excesso de trabalho, rotina exaustiva, ausência de descanso e uma cultura que glamoriza a produtividade contínua à custa do bem-estar emocional, levando à alienação e à perda do que nos torna humanos: a capacidade de sentir, pensar livremente e sonhar.

A obra provoca uma reflexão sobre os limites da liberdade individual, o impacto da repressão social e política, e a importância de preservar a humanidade em meio a sistemas autoritários e à cultura do cansaço. Além disso, faz uma crítica à sociedade contemporânea, onde a exaustão e a constante ocupação também podem ser formas de manipulação, prejudicando a saúde mental e a liberdade de pensar e sentir.
Profile Image for Roberto Benatti.
114 reviews
June 5, 2024
A substância ao ser injetada na veia revela os pensamentos e sentimentos tal qual um soro da verdade. O protagonista Leo Kall, seu inventor, gostaria que ela levasse seu nome: kallocaína. E assim foi. Mas para ter certeza de que funciona, uma bateria de testes se torna necessária, feita com lotes de humanos do Serviço Voluntário de Cobaias.

Pra quem gosta de distopias, não vai se arrepender. Eacrito em 1940 por uma sueca, dizem que foi literatura de George Orwell, e de fato, várias similaridades podem ser observadas nesta história e em 1984. A começar pelo ambiente totalmente vigiado, o Estado como objetivo, a desumanização do ser humano. Tudo é para a comunidade, nada deve ser privado.

Kall é um químico, inventa essa substância, esse líquido verde, que vai tornar possível socializar aquilo que temos de mais privado, nossos pensamentos e sentimentos. A verdadeira glória! Pelo menos é o que ele tenta demonstrar para todos, mas seria isso mesmo? Para confundi-lo, aparece a figura de Edo Rissen, que será seu chefe durante os experimentos e que traz um desconforto na maneira de olhar, questionar e levantar dúvidas a respeito.

A leitura requer um pouco de atenção, e a história gira em torno desse tema, desde o descobrimento, passando pelos experimentos e comprovação de sua efetividade perante as autoridades, até a aplicação da kallokaina como meio de prova em uma acusação judicial. Todos somos suspeitos, afinal, quem não tem algo a esconder, principalmente depois dos 40, como afirma Rissen.

É sim uma leitura sufocante, ideias distopicas represoras com temas que nos fazem repensar o alcance de um totalitarismo exacerbado. Enquanto lia ficava pensando em quanto essa autora sueca sofreu ao viver tanto na Alemanha como na U.R.S.S durante o período da Segunda Guerra. Só mesmo isso explica sua obra...
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