"I don't want to go anywhere. I just want to go home!"
Faz alguns meses que assisti o filme de "Shoujo Tsubaki" pela primeira vez, pelas mãos de Hiroshi Harada, um diretor que ganhou minha admiração após meu contato com esse trabalho. Não deve ser fácil animar uma história como essa, que, ao mesmo tempo que causa tanta repulsa (eu mesma, que tenho estômago forte, acreditei que não conseguiria passar dos sete minutos), provoca tanto fascínio, e ele foi capaz de transpor para as telas, com muita fidelidade, em todas as suas imagens grotescas e emoções desoladoras, repletas de asco, esta obra-prima.
Não foi mais fácil ler "Shoujo Tsubaki" do que assistir ao filme. Acreditei que seria, e não poderia estar mais enganada. No entanto, Harada fez um trabalho tão impecável em sua adaptação que, lendo a história, agora diretamente de seu autor, Suehiro Maruo, a quem também muito admiro pela coragem de prosseguir no gênero Ero Guro, eu fui capaz de sentir exatamente as mesmas sensações de quando vi a obra em movimento, e o sentimento que tive durante toda a história permeou meu coração com nojo, raiva, desespero e, por fim, um enorme desalento, exatamente como Midori, abandonada em um lugar para o qual não se sabe como foi, e muito menos como será possível um caminho para sair dali, voltar a qualquer outro espaço que possa chamar de lar.
Acho interessante, sobretudo, a maneira como vejo muitos personagens japoneses agradecendo pela estadia, ainda que ela tenha sido um show de horrores. O terror, aqui, também é comportamental: uma criança abusada por todos aqueles que deveriam zelar pelo seu bem-estar, uma vez que são parte da sociedade, mas que também estavam vivendo em condições desumanas, sem nenhuma capa de humanidade que eles mesmos se dessem ao trabalho de usar. É impossível gostar de qualquer personagem aqui dentro, com exceção da própria Midori, que só queria voltar para casa, estar com seus pais - que não estavam mais lá. Este é o mundo de maior desesperança que já li em um Ero Guro. Agora que tive contato com suas páginas, ainda me pergunto, tendo em mente o ponto-chave da história, um dos melhores finais que já tive a oportunidade de presenciar como leitora: o que aconteceu, afinal?