A trilogia O tempo e o vento, que inicia a reedição da obra completa de Erico Verissimo pela Companhia das Letras, é a mais famosa saga da literatura brasileira. São cento e cinqüenta anos da história do Rio Grande do Sul e do Brasil que o escritor compôs em três partes - O Continente, O Retrato e O arquipélago -, publicadas entre 1949 e 1962. O Retrato é a segunda parte da trilogia O tempo e o vento, que percorre a história do Brasil e do Rio Grande do Sul acompanhando a trajetória da família Terra Cambará. Aqui, Rodrigo Cambará, bisneto do heróico capitão Rodrigo, homem sedutor, sobranceiro, torna-se líder populista, amante das causas populares — e da própria imagem. Seu projeto é modernizar tudo — da casa onde vive à cidade inteira — e proteger os pobres. Depois de aderir ao governo de Getúlio Vargas, muda-se para o Rio de Janeiro durante o Estado Novo. Em 1945, porém, com a queda de Vargas e já muito doente, Rodrigo volta à cidade natal para um ajuste de contas com a família.
Erico Verissimo (December 17, 1905 - November 28, 1975) is an important Brazilian writer, who was born in Rio Grande do Sul. His father, Sebastião Veríssimo da Fonseca, heir of a rich family in Cruz Alta, Rio Grande do Sul, met financial ruin during his son's youth. Veríssimo worked in a pharmacy before obtaining a job at Editora Globo, a book publisher, where he translated and released works of writers like Aldous Huxley. During the Second World War, he went to the United States. This period of his life was recorded in some of his books, including: Gato Preto em Campo de Neve ("Black Cat in a Snow Field"), A Volta do Gato Preto ("The Return of the Black Cat"), and História da Literatura Brasileira ("History of Brazilian Literature"), which contains some of his lectures at UCLA. His epic O Tempo e o Vento ("The Time and the Wind'") became one of the great masterpieces of the Brazilian novel, alongside Os Sertões by Euclides da Cunha, and Grande Sertão: Veredas by Guimarães Rosa. Four of Veríssimo's works, Time and the Wind, Night, Mexico, and His Excellency, the Ambassador, were translated into the English language by Linton Lomas Barrett. He was the father of another famous writer of Rio Grande do Sul, Luis Fernando Veríssimo.
Muita intriga politica travou algum do entusiasmo que tomou conta de mim n'O Continente. Apesar disso, não foi suficiente para beliscar a grandiosidade desta saga maravilhosa!
Estando ventando ou não, os dias da dinastia Terra-Cambará não vão ter sossego enquanto houver descendentes do Capitão Rodrigo sendo tão parecidos à este. Dando prosseguimento à vida política e social do Rio Grande do Sul, em contraponto às revoluções e guerras que abrem a trama em O Continente, em O Retrato há novamente uma nova revolta se formando, essa muito mais munida das palavras do que de armas, onde Veríssimo escancara a constante presença da industrialização, coronelismo e a corrupção à volta de uma importante eleição presidencial.
Tomando Rodrigo Cambará como o personagem central dos eventos, sujeito que tem paixão pela vida política, ao retornar de Porto Alegre com ideais próximos a consciência de classe, de liberdade e tantos mais fundamentos humanitários, o jovem médico que é ao mesmo tempo um herói e anti-herói, toma para si um novo conflito contra os caciques que governam por meio da chantagem e do medo, resultando em embates (físico e intelectual) próximos àqueles que o acompanham; de modo que o leitor é apresentado a figuras desde o grande anarquista espanhol Pepe García que quer jogar bomba em todos, ao militar fascista Rubim que despreza as massas e acredita que elas devam ser dominadas pela ditadura, ao positivista Cel. Jairo que não se cansa de difundir os ideais de Comte, ou, também, de Cuca Lopes, o mestre da fofoca, todos esses ajudando a compor uma imponente história acerca do poder.
Nesse sentido, buscando modernizar a cidade, descrevendo os costumes da época e das violências diárias, Veríssimo e Rodrigo Cambará vão demostrar a cada página que não há paz que dure enquanto haver quem dela quer se livrar; culminando em eventos maravilhosos de se ler, empolgantes e por vezes cruéis. Sigo tendo uma excelente leitura, me despedindo de grandes personagens e conhecendo outros mais.
Parte 2 Volume 1 Leitura conjunta com Ricardo ------------------------------------------------ Rosa-dos-ventos – neste primeiro e curto capítulo ficamos a saber que o Dr. Rodrigo Cambará regressou a Santa Fé, ao Sobrado, está velho e o coração começou a falhar. Simultaneamente os generais acabam de derrubar Getúlio Vargas. “O Rio está em pé de guerra, tanques nas ruas, soldados com metralhadoras. A coisa está preta.”
Somos apresentados a Cuca, um oficial de justiça, que é obcecado pela família Terra Cambará e que é o maior coscuvilheiro da cidade. É através das suas coscuvilhices que vamos conhecendo as várias personagens de Santa Fé e inclusivamente as suas diferentes opiniões sobre Rodrigo. Bibiana morreu quase centenária e quem assume o papel matriarcal é Maria Valéria – aquela que tinha uma “paixonite” platónica por Licurgo – tia e madrinha (Dinda) de Rodrigo.
É também neste primeiro capítulo que ficamos a saber o porquê deste 2º volume se chamar O retrato: “No Café Minuano, Cuca encontrou don Pepe Garcia, o pintor, sentado a uma mesa, diante duma garrafa de cerveja. Ia fingir que não o tinha visto - pois o espanhol ultimamente vivia bêbado e não raro se tornava inconveniente - quando lhe ocorreu que don Pepe era o autor do famoso retrato de corpo inteiro de Rodrigo Cambará, pintado logo que este, com vinte e quatro anos de idade, chegara à sua terra natal, recém-formado em medicina. Existiam na cidade muitos retratos a óleo - pequenos, grandes, bons, maus e medíocres - mas a obra de don Pepe era para todos os efeitos o Retrato, com R maiúsculo, uma das maravilhas de Santa Fé. Quando chegava algum forasteiro, a primeira coisa que lhe perguntavam era: "Já viu o Retrato?" - e ficavam um tanto ofendidos quando o visitante declarava ignorar a existência da portentosa obra de arte.
A partir do segundo capítulo – Chantecler – voltamos atrás no tempo e acompanhamos o regresso de Rodrigo Cambará a Santa Fé e ao Sobrado. Rodrigo tem 24 anos e chega cheio de sonhos e ideais. Quer construir o primeiro hospital da cidade, abrir um consultório e uma farmácia, fundar um jornal para combater a política instalada sem contraditório, quer trazer a “civilização” àquela terra que parece esquecida no tempo. Aos poucos vai revelando as suas parecenças com o avô – Capitão Rodrigo – o gosto pela aventura, pelas mulheres e pelas novidades. É um espírito irrequieto.
Com uma narrativa mais lenta, O Retrato continua a apresentar-nos a história do Rio Grande do Sul e do Brasil, já que temos como cenário a República nascente no início do século XX, com toda a sua corrupção, as eleições fraudulentas, para além de factos sociais interessantíssimos como o aparecimento do Cometa Halley, que muitos julgavam ser o prenúncio do fim do mundo.
Érico Veríssimo refina cada vez mais a sua prosa e a mistura de história e ficção continua maravilhosa.
Continuando a saga da família Terra-Cambará pelas paisagens do Rio Grande do Sul. Ainda não posso concluir minhas impressões sobre o personagem principal Rodrigo Cambará, pois o mesmo é bem contraditório. Os personagens masculinos, até os que têm qualidades elevadas, são bem machistas, o que representa bastante a cultura da época, e me deixa um pouco decepcionada. Um romance histórico dos bons. Rumo ao Retrato, vol. 2.
Amo a complexidade dos personagens do Erico Verissimo, incrivel como na saga do Tempo e o Vento a gente se depara com vários personagens que parecem pessoas reais, com muitos defeitos e contradições, sempre singulares mas ao mesmo tempo sendo BEM a sintese do povo brasileiro. Todo mundo tem que ler o Tempo e o Vento, romance historico brasileiro hmm tudo de bom ps: Vontade demais de ir pro Rio Grande do Sul pra ficar climatizada com a história
Primeiro volume da segunda parte da trilogia O Tempo e o Vento onde sao relatadas as aventuras de Rodrigo Cambara ao retornar a sua terra natal apos ter estudado medicina em Porto Alegre.
Definitivamente, Érico segue um dos meus favoritos brasileiros, senão o favorito. E, por sua culpa, a ficção histórica também. O homem passa nesse volume por morte do rei da Inglaterra, do Tolstói, invenção do avião, construção do canal do Panamá, crise política na França e Espanha, além é claro de todos os fatos do Brasil, como eleição de Hermes da Fonseca, estado de sítio, Canudos, sucessivos golpes presidenciais no início da República e tudo isso intrincado com a vida de uma única família (e neste volume, um único personagem, que não é nada heróico, mas cheio de falhas). Que livro bom e que baita contador de histórias é Érico Veríssimo.
Mais uma obra lindamente escrita pelo Erico Veríssimo… incrível a fluência como se dá essa leitura. Adoro o fato de o “mocinho” ser alguém tão contraditório e o tanto que esse romance faz pensar sobre a história do Brasil, refletida no Rio Grande do Sul. Enfim, para mim, uma leitura obrigatória.
De volta ao micromundo da cidade de Santa Fé, Érico Veríssimo desenha um panorama da mentalidade da elite gaúcha no começo do século XX. Uma continuação fantástica da melhor e mais perfeita trilogia de romances da literatura brasileira, de cabeça não consigo pensar em nenhum conjunto de obra semelhante. Érico Veríssimo refina cada vez mais a sua prosa, que a partir desse livro se moderniza com o uso de ponto de vista narrativo de terceira pessoa limitada dentro de introduções oniscientes. A mistura de história e ficção continua maravilhosa, a contextualização histórica um primor.
O Dr. Rodrigo Cambará, o protagonista de O Retrato (que logicamente taça um paralelo à obra de Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray) é uma daquelas criações ímpares da literatura, um personagem complexo, hipócrita ao mesmo tempo que heróico, sensualista ao mesmo tempo que busca conciliar a tradição com a modernidade, uma identidade em conflito porém com momentos de auto-confiança absoluta alternando com momentos de rejeição profunda de si mesmo.
A unidade de espaço, tempo, história e ficção é de um primor tremendo, dá para sentir na pele as questões políticas da época, o coronelismo (ou caudilhismo do sul), as eleições fraudilentas, a campanha civilista. Outro tems explorado a fundo nesse primeiro volume é o crescente aparecimento de rachaduras e transformações na cultura machista do sul com o advento dos avanços culturais, políticos e tecnológicos, transformações que acontecem por meios muitas vezes violentos.
A trama é genial, como é o normal na obra de Veríssimo, rápida, com drama suficiente para prender a leitura página por página. Estou completamente apaixonado pelo Érico Veríssimo, completamente assombrado com a precisão e elegância de sua prosa. Mais que recomendado, 5 estrelas, uma nota que suspeito darei para todos os livros dessa obra prima da nossa literatura.
De volta a Santa Fé, Rodrigo Terra Cambará agita os ânimos e moças da cidade. Agora, pegando uma parte mais do período dos militares no poder, sempre com aqueles saltos temporais do Érico. Gosto de pensar que além de boas histórias, ele tem uma cadência boa. Sei lá, o ritmo da leitura é bom e quando vê: cabô, hora de pegar o volume 2!
O retrato é a segunda parte da série “O Tempo e o Vento”, romance histórico que narra a história do estado do Rio Grande do Sul através da família Terra Cambará e da cidade de Santa Fé, ambos inventados pelo autor como estereótipos desse contexto histórico. O Retrato vol.1 se passa nos primeiros anos do século XX, uma época marcada pelas tensões políticas na velha república e uma onda de inovações. O personagem Rodrigo Cambará (bisneto do lendário capitão Rodrigo, o primeiro Cambará em Santa Fé) serve como símbolo para o novo século, tendo estudado medicina em Porto Alegre, não lhe faltam requintes e hábitos adquiridos na cidade grande. Dessa forma o conflito entre ele e o pensamento tradicional do “gaucho macho” é inevitável após seu retorno a Santa Fé com o diploma e decidido a impor o progresso na pequena cidade interiorana. O Retrato é o retrato de Rodrigo, tanto de forma figurativa, por expor a juventude do personagem e sua ascensão à política, quanto literalmente, através do quadro de Rodrigo pintado por um Espanhol morador de Santa Fé. O livro começa com seu protagonista no final de sua vida, retornando ao Rio Grande após a queda de Getúlio Vargas em 1945, e a reação de diversos personagens, permitindo assim ao leitor ver o legado de Rodrigo pelo ponto de vista dos moradores de Santa Fé; na minha opinião uma forma genial de situar o leitor na história e apresentar os personagens secundários e suas relações, assim como relembrar acontecimentos dos livros anteriores. Em seguida a história retorna à chegada do Jovem e idealista Rodrigo na sua cidade, seguindo de forma linear pelo resto da história. Esse livro faz comentários inteligentes sobre a situação de exclusão social da velha Republica, que vendia uma imagem democrática fundada em valores liberais, mas que na realidade servia apenas a uma pequena parcela da população. Exemplos do enredo são o roubo de uma urna eleitoral de um distrito de maioria da oposição, os colonos italianos e alemães se recusando a votar contra o governo por temerem uma represália ou até cidadãos que votavam junto com seus Coronéis. Rodrigo, de sua posição de privilégio, reconhece essa desigualdade em vaŕios momentos:
"Quando se perguntava a um caboclo se era maragato ou pica-pau, com frequência se ouvia esta resposta: “Sou gente do coronel Fulano”
"Aquelas pessoas não se encontravam num continente: eram, antes, moradores dum arquipélago."
Eu aproveitei muito o livro, também porque já gostava muito dos personagens e do rumo que o autor havia dado pra história. Realmente ele não tem a mesma força quanto O Continente, não conhecemos personagens tão marcantes quanto o Capitão Rodrigo ou Ana Terra; não vivemos momentos de tensão e angústia como o cerco do Sobrado, mas para quem já gosta da série, recomendo muito, é uma continuação digna do seu precedente.
Gostei mais do primeiro título por enquanto, talvez por O Retrato ter uma narrativa mais lenta, com menos introdução de lugares e personagens cativantes.
Citação: "- Deja el cielo, hombre, no seas cobarde! Eso es lo que que quiero: baja a la tierra. No te quedes escondido en tu casa, huyendo a toda responsabilidad. Ven a contemplar las injusticias de la sociedad burguesa, la miséria y el hambre del pueblo, el mercantilismo de tu Iglesia y la hipocrisia de tus sacerdotes. Ven a ver el mundo que hiciste!", porque me fez ver o cristianismo de uma nova e mais encantada forma, uma vez que foi exatamente isso que Deus fez, por meio de Jesus.
É impossível não começar esse livro com altíssimas expectativas após ler "O Continente". Entretanto, ao contrário deste, "O Retrato" tem uma narrativa mais lenta e cotidiana, sem muitos acontecimentos críticos e empolgantes. Talvez isso ocorra devido ao passar do tempo e a "paz" que os novos períodos proporcionam: mais diálogos e menos guerras.
Apesar disso, a escrita de Érico Veríssimo me cativa. É impressionante a riqueza de detalhes com a qual ele narra a história, não apenas buscando contá-la, mas também aprofundando os personagens, tornando a leitura agradável e imersiva.
O livro traz um panorama político do Brasil no início do século XX sob o olhar do doutor Rodrigo Cambará, sem deixar de trazer à tona as contradições do próprio personagem. Senti falta de maior destaque às mulheres neste volume, a Maria Valéria ou a Flora não chegam a ter tanto destaque quanto Ana Terra, Bibiana ou Luzia. Enfim, apesar disso, vale a leitura.
A leitura fica bem arrastada porque esse Rodrigo é arrogante e se tornou chato. Seu irmão, Bio, é o típico machista. Não está indo tão bem, muita briga por nada. Briga por eleição, briga por mulher, briga por tudo. Mas vou continuar e terminar a saga toda.
O Retrato vol. 1 vai contar a história do Rodrigo Terra Cambará após ele se formar e retornar à Santa Fé. Gostei do Rodrigo no começo, recém-formado, idealista, sonhador, com vontade de mudar o mundo. Mas ele é falho, é contraditório, meio que “filhinho de papai” e minha admiração por ele diminuiu bastante. O livro não tem muita ação, mas tem bastante política o que deixou a história bem interessante.
A segunda parte da trilogia “O Tempo e o Vento” gira em torno de Rodrigo Terra Cambará, bisneto do capitão Rodrigo. O pano de fundo é o período da República Oligárquica, da política café com leite, sendo a cidade de Santa Fé, onde sucedem os fatos principais da obra uma miniatura do Rio Grande do Sul.
Rodrigo é um desiludido com os rumos da política nacional, recém-formado em medicina, ele retorna à casa trazendo as novidades de Porto Alegre, disposto a modernizar o município e melhorar a vida do povo humilde. Ao contrário dele, seu pai Licurgo e seu irmão Toríbio, são mais ligados ao campo, enquanto Maria Valéria Terra, sua tia e madrinha, é a matrona dessa geração, na mesma linha da tia avó Bibiana, e da ancestral Ana Terra.
No plano filosófico, frente ao suposto fracasso da democracia, debate-se muito a necessidade de um governo autoritário, os personagens militares, vindos de outros Estados, dividem opiniões entre a forma que colocaria o Brasil nos eixos, se a ditadura positivista de Comte ou a militar baseada no super-homem de Nietzsche.
O título do livro se refere ao retrato que Pepe García, pintor espanhol e militante anarquista, faz do jovem Rodrigo. Essa pintura fascinante que termina se tornando a obra-prima do autor, ecoa um pouco a de Dorian Gray, tendo o caráter de representar ao mesmo tempo a vivacidade, a grandeza, as contradições e o declínio do retratado.
Título: O Tempo e O Vento 2 - O Retrato vol. 1 Autor: Erico Verissimo Editora: Cia das Letras (2004) Páginas: 360 Minha classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️
_____________________________________ A continuidade à extensa história da formação do Rio Grande do Sul, concluo a primeira parte de O Retrato, livro cujo personagem que mais se sobressai é um dos dois filhos de Licurgo Cambará, Rodrigo Terra Cambará. Rodrigo, a meu ver, não é um personagem fácil de definir. O Retrato é um livro de contrastes. Assim como o retrato de Rodrigo que não é fácil de interpretar, haja vista as profundas discrepâncias de caráter e personalidade que parecem definir suas ideias e ações. Explico. Rodrigo apresenta uma personalidade bastante dúbia, com laivos de forte teor socialista, mas mesclada à ânsia por um estilo de vida extremamente burguês, pedante e perdulário. Ao mesmo tempo em que quer defender os pobres e oprimidos, age da mesma forma, mesmo sem pensar que está fazendo o mesmo que aqueles que ele combate, a esmolo do episódio em que aponta o revólver obrigando um negro a trabalhar para ele na sua recém adquirida tipografia. Ao mesmo tempo em que tem o visionário desejo de ver sua cidade, Santa Fé, transformada pelo progresso, o quer à custa de um megalomaníaco marketing pessoal. O seu desejo de ver as pessoas libertadas do poderio dos Trindade, o clã local, fica manchado quando você o vê usando do mesmo "poder" para possuir as serviçais filhas dos empregados de sua fazenda. Este romance traz também através dos personagens profundas ideias positivistas, em voga à época, evidenciado nas leituras de Rodrigo e do coronel Jairo, bem como os principais acontecimento políticos que marcaram os primeiros anos da chamada República Velha brasileira.
O primeiro volume de O Retrato traz a transição do coronelismo para sua vertente ainda não nomeada, o "doutorelismo."
Dr. Rodrigo Terra Cambará, descendente do capitão, traz a versão moderna do personagem de cavalo e espada. Como seu ascendente, o dr. Rodrigo é um líder por natureza e domina a cidade por seu zelo pela modernidade - paralelo com a formação do estado na obra anterior.
A figura desse personagem toma igualmente proporções místicas, o "salvador da cidade", que definitivamente separa a vida familiar da pública e ignora que novos tempos exigem uma nova moral. O que antes trazia igual dor, deixa de ser uma mazela privada para se tornar pública, fazendo com que a divisão da família seja conhecida pela sociedade.
Os contornos da narrativa que beiravam o conto anedótico se voltam para a crônica política. Essa progressão é bem mais uma evidência do desenvolvimento do autor do que uma decisão pensada para a saga, o que não é detrimento algum.
O Retrato me fez dar boas gargalhadas, lembrando do linguajar dos gaúchos do interior. Bateu aquela saudade dos meus amigos e familiares que estão no Rio Grande do Sul! Ler Erico Veríssimo é viajar no tempo e tornar-se personagem, mesmo que por alguns minutos, por pura empolgação do momento. Reelendo O tempo e o vento, tendo a certeza de que voltarei a ler outra vez, não por saudosismo, mas porque ele é um grande escritor e um dos meus preferidos!
Ok, não posso negar que comecei a ler com má vontade pois apegada que estava de Bibiana, Dr. Winter, Licurgo jovem, olhei os "novos" personagens com desconfiança :) Mas termino o livro novamente apaixonada por todos! Com vontade maior ainda de estudar melhor e mais a fundo a história do Brasil em geral e do RS em particular. Érico Veríssimo tinha realmente o dom! E a saga continua :)
Primeiro volume da segunda parte da saga O Tempo e o Vento, narrada agora sob o ponto de vista de Rodrigo Cambará, neto do Capitão Rodrigo, abrange o periodo histórico de 1910 a 1945, passando pelas duas grandes guerras e pela Era Vargas. Uma ótima maneira de se estudar História.
I liked it very much, but as I read so many others at the same time and Veríssimo is very "detailed", it took me longer than I intended, however, I've already started the next one.