No final de uma vida, entrando no seu epílogo, um homem já sem destino para cumprir medita sobre o seu passado e o seu futuro, no regresso a uma casa vazia onde passou parte da sua infância, povoada de fantasmas que evocam os momentos chave da sua existência. Recheado de flash-backs para o passado e para o futuro (!), a antevisão, real e com todos os detalhes, da degradação da sua velhice e do seu funeral urge em Paulo a derradeira tentativa de procura da explicação de um sentido para a vida, alimentada por muitos sonhos e esperanças no tempo em que tal era devido, cheia de frustrações e desilusões posteriores frutos de um destino azarado e de uma fatalidade previsível, condições propícias para um redescobrir da vida nos elementos mais simples que anteriormente passavam despercebidos na azáfama do cumprimento do quotidiano e de toda uma vida alicerçada nos seus valores supostamente mais altos.
Nesta narrativa de evocações aleatórias, centrada no romance de Paulo com Sandra, mulher difícil e de poucos sentimentalismos, a redução de uma vida ao seu cumprimento basilar pelo amor, último alicerce num mundo de ilusões, revelando-se semítico na sua realização, e defraudado ainda por uma filha que o confronta com a esterilidade da sua actividade e do seu pensamento, mumificando-o no seu tempo presente, tempo esse prometedor de progressos civilizacionais que os próprios contemporâneos se encarregam de deitar a perder, ébrios de uma liberdade utópica que nada concilia face à disparidade de vertentes, facções e pontos de vista que num ruído ensurdecedor emudece e paralisa a humanidade no êxtase do extremo da civilização actual.
Vítima do seu próprio pensamento perscrutador, questionando a sua condição humana e a dos outros, comparando-a até ao fim dos tempos, um lamento arrastado mas pontuado por algumas fagulhas de lucidez e outras de felicidade passada e presente, num acomodar inconsciente contrastante de uma luta ávida pela vida onde persistem ainda mais perguntas que respostas apesar de toda a sofreguidão de viver tal como evidenciado pelo relato de vida do narrador. A paz nunca chega, para sempre continua a percepção do abismo entre aquilo que se é e aquilo que se sente.
VERGÍLIO FERREIRA nasceu em Gouveia, a 28 de Janeiro de 1916. Seminarista no Fundão, licenciou-se depois em Filologia Clássica na Universidade de Coimbra e foi prof. liceal em Faro, Bragança, Évora e Lisboa (desde 1959). Ficcionista e pensador, estreou-se com o romance O Caminho Fica Longe (1943) e o ensaio Sobre o Humanismo de Eça de Queirós (1943). Escritor dos mais representativos das letras portuguesas da segunda metade do séc. XX, a sua vivência fechou-se no labirinto do existencialismo sartreano. Entre as suas obras destacam-se: Manhã Submersa (1954), adaptado ao cinema por Lauro António e vencedor do Prémio Femina para o melhor livro traduzido em França em 1990, Aparição (1959, Prémio Camilo Castelo Branco), Cântico Final (1960), Alegria Breve (1965, Prémio da Casa da Imprensa), Nítido Nulo (1971), Rápida a Sombra (1974), Signo Sinal (1979), Para Sempre (1983, Prémio Literário Município de Lisboa), Espaço do Invisível (1965-87), em quatro vols., Até ao Fim (1987, Grande Prémio de Novela e Romance da APE), Em Nome da Terra (1990), Na Tua Face (1993, Grande Prémio de Novela e Romance da APE). De assinalar são também o diário publicado a partir de 1981 (Conta Corrente) e o vol. de ensaios Arte Tempo (1988). Em 1991 ganha o Prémio Europália, pelo conjunto da sua obra, e em 1992 é-lhe atribuído o Prémio Camões. Foi condecorado pela Presidência da República com o Grande-Oficialato da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1979 e, em 1985, foi nomeado para o Prémio Nobel da Literatura. Faleceu em Lisboa, a 1 de Março de 1996.
Se há autores maiores do que a vida, Vergílio Ferreira é sem dúvida um deles. Autor dessa procura pela «palavra total», mas também do silêncio, como sublinhava o título de um congresso comemorativo do centenário do autor, realizado em Évora em 2016, e que deu origem ao livro «Vergílio Ferreira em Évora: Entre o Silêncio e a Palavra Total», de 2017.
Lê-se numa das orelhas desta edição a seguinte frase de Eduardo Lourenço: «Para Sempre» é aquele [romance] onde a busca incessante da palavra mais se mostra, numa tentativa de ligar o verbo primordial ao último que o Homem há-de pronunciar». Apesar de concordar bastante com essa ideia, continuo a considerar Em nome da terra um romance mais completo e que, pelo a menos a mim, me tocou de um modo mais particular. Em todo o caso, este é também um livro duro (não confundir com maçudo), que nos deixa muitas vezes a olhar de frente a nossa própria morte, a nossa degradação, a morte dos outros que nos são próximos e, noutros casos, nos faz sorrir. O prazer da leitura é, não obstante, contínuo, com passagens de uma beleza extraordinária, como se pode ver aqui:
"Estás só, agora, biliões de palavras se transformaram na vida - uma só que soubesses, a única, a absoluta, a que te dissesse inteiro nos despojos de ti. A que atravessasse todas as camadas de sermos e as dissesse a todas no fim. A que reunisse a vida toda e não houvesse nenhum possível da vida por dizer. A que dissesse o espírito do nosso tempo e no-lo tornasse tão inteligível que nem afinal o entendêssemos, o víssemos, como se não vê a luz mas só o que ela ilumina. A que redimisse tudo o que enche um viver e nada deixasse de fora como inútil ou desperdício. A que tivesse em si um significado tão amplo que tudo nela significasse e não fosse coisa vã. A que reunisse em si um homem inteiro sem deixar mesmo de fora o animal que também tem de ir vivendo. A palavra final, a palavra total. A única. A absoluta." p. 148
“Todas as idades fazem parte da vida, a velhice é um sobejo.”
Paulo, homem idoso e solitário está de regresso à terra onde nasceu e cresceu. Aí, abre as janelas da memória, e observa os fantasmas daqueles que amou e perdeu para a morte; inclusive o da sua própria infância e juventude. A escrita é maravilhosa; poética; perfeita...
Mas não! Não vou continuar a lê-lo. Agora não… Se o ler com a mente irá deixar-me entediada; Se o ler com a mente e o coração, irá deixar-me deprimida.
Apenas li cerca de cinquenta páginas e seria um desrespeito atribuir-lhe qualquer estrela…
É o melhor livro que já li. Não consigo escolher uma citação para pôr aqui. Não há uma página que não tenha um toque qualquer de genialidade. O luto e o amor andam invariavelmente de mãos dadas, mas só Vergílio os consegue pôr em palavras. Pelo menos desta forma. Paulo, na casa onde cresceu, espera pela morte que chegará quando aquela tarde quente de agosto findar. Até lá, recorda as tias que o criaram, a filha que fugiu e a mulher - Sandra - que amou, com quem casou, mas que nunca conseguiu ter por completo. Recorda-se a si, com várias idades, e tenta compreender-se. Recorda a mãe que, doente, o teve que abandonar. E tenta recordar as últimas palavras que ela lhe disse no último abraço que tocaram. São essas palavras que procura a vida toda. As páginas em que Paulo fala de/com Sandra são um tratado ao amor. São, também, das coisas mais bonitas que já foram escritas em língua portuguesa: 'Desde antes de te conhecer eu te amava como é próprio de um grande amor'.
Outubro/21:
A busca pela palavra. A história de um homem só, que o foi a vida toda. Fez-me sentir coisas.
"Dou a volta à casa toda, dou a volta à vida toda e é como se um desejo de a totalizar, a ter na mão. Ter a imagem visível de tudo quanto a construiu, rever-me nela para a levar comigo. Morrer todo no que fui - para quê restos atrás de mim? ser perfeito na minha totalização." (p. 43)
Um livro maravilhoso, sem dúvida o meu preferido de Vergílio Ferreira. Uma obra difícil mas que vale muito a pena. O narrador leva-nos numa viagem de contemplação da sua vida e do seu sofrimento, alternando entre os vários episódios sem uma ordem temporal definida. O passado, presente e futuro da personagem são acompanhados por um existencialismo profundo. Este livro é uma importante lembrança da nossa finitude.
Vergílio Ferreira é uma merecida referência na literatura portuguesa.
"Quem é que disse que o amor aproxima não sei quê? não é verdade. Sou um homem experimentado — não é verdade. Se eu amasse pouco Sandra ou não a amasse, era-me muito mais fácil falar com ela, lidar com ela e com a irmã e com quem quer que fosse dela, eu livre e independente. Amar é pôr ao alto e ao longe, treme-se como diante de um deus tresloucado. Amar muito é ter pouco de nós com que se possa ser gente. Amar é ser desgraçado e eu era."
Vergílio traz-nos a beleza de se ser humano na banalidade que é existir ao invés da vivência duma existência romantizada:
“Futuro findo o meu. Já sei. Mas entender isso, entender. (…) Organizar a força que te resta. Organizá-la, não para o futuro que já não há, mas para o dia-a-dia que for havendo. Acabar em decência - um velho está tão a mais. Discreto, abrigado no que te sobra de homem (…). Que é que eu tenho comigo para enfrentar a morte? Que é que a morte vem matar? (…) Não posso apresentar-me assim de mãos vazias perante a morte, a morte tem de matar alguma coisa, não tenha quase nada para matar. Oh, que se coza a morte, estou tão bem assim a pensar. A recuperar na memória o tempo em que transbordava de vida, que colheita então a morte faria, és tão ingrato. Viveste até agora, que importa se a morte levar só os restos, a carcaça onde tudo aconteceu? (…) Meu Deus. Como se é feliz na felicidade imaginada de quando se imagina que se foi.” - excertos das pág.13, 178 e 179
Há muita coisa que se poderia dizer mas não tenho vontade bastante para me alongar em palavras. É um livro difícil de se ler. Não menos difícil de escrever, certamente. Intrincado, as frases a interromperem-se e a atropelarem-se umas às outras, um derrame mecânico de pensamentos e memórias sobre o papel, esplendidamente executado. Classifico-o apenas por uma questão de coerência, pois não me consigo decidir quanto ao que gostei e ao que havia sequer para se gostar num romance que é uma revisitação de uma vida.
Não apreciei o estilo, mas não tenho nenhum outro reparo a fazer. Sei que, algures, vestígios seus terão ficado gravados em mim, nos espaços da minha insignificância. Para um sempre, talvez, que na melhor das hipóteses não existe.
“Sempre” é uma palavra audaz, que o próprio tempo quebra, de face pungente e solipsista. Uma singela palavra, tão densa na existência humana, adorna e realça a nossa parca finitude. No seio do “sempre”, ficamos codilhados, letárgicos na ilusão de que talvez seja tocável e à volta dela tecemos a teia da nossa vivência. Vergílio Ferreira, cuja coleção literária se demarca pela forte presença de temas existencialistas, leva até ao tutano as facetas da vida, esculpindo minuciosamente cada detalhe. Supera-se, a ele mesmo e aos limites que a vida nos parece impor, a partir de Paulo, a figura masculina fictícia que o autor cria. Embarcamos numa visita pelos recantos da tão maravilhosa e contundente existência. Tudo se inicia no recôndito rural que viu crescer Paulo e na casa das suas tias, onde a personagem reencontra a infância vivaz e enérgica, a maior dádiva da sua vida. Os seus anos de estudos ficam marcadas pelo encontro com o amor, sentimento ardente e apaixonado, guia da sua vida e encantos dos seus dias. Na vida adulta surgem as responsabilidades, os verdadeiros embaraços, mais amor e os filhos, zénite da paixão, mas um desafio ao conceito de ser pai. O ciclo chega a um fim de senectude, encarquilhado sentado no sofá, agoirando a morte e sentindo a saudade da vida que sorrateiramente escoou. Tudo se exibe diante dos olhos de Paulo, que recorda a sua passada desejando intensamente uma resignação que a sua condição lhe impede. As tareias e aborrecimentos com as tias, o amor de Sandra e seu o sofrimento até à morte, as peripécias da filha Alexandra e o seu estado de decrepitude revelam as interrogações, as fragilidades e a preciosidade do tempo que nos é concebido viver. Atados às questões, ainda assim, entregamo-nos ao amar, trabalhar, em súmula, ao ato de viver. Com as palavras de Vergílio, vivemos o nosso fim, entendemos a nossa posição de ineptos neste mistério que é a vida, mas, em simultâneo, aprendemos a amá-la cada vez mais, amar a vida e o que a compõe.
Termino mais uma vez a leitura desta obra, ao findar de uma tarde de Inverno e não de Verão. Que obra maravilhosa. E ao terminar dá sempre vontade de o voltar a ler. "Oh, que se coza a morte, estou tão bem assim a pensar. A recuperar na memória o tempo em que transbordava de vida, que colheita então a morte faria, és tão ingrato. (...) Relembra, que é que tens a relembrar? Tanta coisa."
“Que significa uma vida realizada em tremor, em agonia, em pequenas alegrias do que se conquistou e foi logo o nada de se ter conquistado? Agora o meu futuro é o meu passado nulo. Factos ideias esperanças desastres e a recuperação de tudo isso no encantamento triste até ao ardume do choro. Sê calmo e forte como a verdade da vida.”
"Sê calmo até à estupidez como a vida. E todavia. Dar a volta por quanto existi- e existe tanto. Porque uma vida humana. Como ela é intensa. Porque o que nela acontece não é o que nela acontece mas a quantidade de nós que acontece nesse acontecer."
Não é um tipo de escrita de que eu goste particularmente mas tive que render-me à força da mensagem. Basicamente, é um balanço de fim de vida. O autor regressa à casa de aldeia onde cresceu e recorda os momentos mais marcantes da sua vida, desde a infância até à idade adulta, enquanto lá fora decorre um (metafórico) quente dia de Agosto. É aquele viver de memórias que acontece quando nos encontramos sozinhos na reta final da nossa vida, quando aqueles que amámos já partiram, e tentamos encontrar um sentido e significado para tudo o que vivemos enquanto aguardamos o fim inevitável.
O que pode haver de bom em Vergílio não tolda tudo o que encontrei de mau. É pena porque foram anos a criar uma ideia de algo que acabou por não ser mais que autosabotagem.
Quem disse ao VF que frases como: "A vida realiza-se multiplicadamente com a realização de quem a realiza.", É algo de literário enganou-o bem, ainda menos quando o modelo é repetido à exaustão mudando só o léxico e o seu respectivo campo.
Depois a capacidade de questionamento parece-me, além de restrita, completamente castrada pela enxurrada de certezas estapafúrdias que vai debitando: cultura e religião não se tocam, ciência não precisa da filosofia ou todo o "esforço raciocionante" é baseado nas palavras.
Para terminar algo que achei bonito, mas que não chega para fazer um bom livro, onde tudo me atravessou como distante:
"O tempo do livro é o tempo da morte e nós estamos cheios de coisas para fazer. O tempo do livro é o da imaginação trabalhosa e nós estamos cheios de realidade."
"Quem sou? Tem piada, não me lembro de jamais mo perguntar — quem sou? E desde quando comecei a sê-lo? Deve ser útil sabê-lo, que é que está dentro de mim? para ao menos saber o que vou entregar à morte. Acaso saberei jamais quem sou? ou o que sou, que é um pouco para cá disso? E que é que sou, fora do que fui sendo? Que é que perdura em mim do que fui sendo? O que sou, é curioso, o que sou é. Não sei. Vou dar corda só relógio, está parado nas três e meia. O que sou é a ausência de mim, esparso trémulo erradio, meu olhar frio cansado. Fluido esboço de formas ocas de névoa, vejo-as. Instantâneas imagens do que passou. Farrapos avulsos de. São coisas que vagas, não consigo integrá-las no tecido uno de mim — que é que posso dar à morte? São coisas dispersas, mas elas devem ter formado o que sou que ignoro - que é que posso dar à morte?"
O pai ausente (desde sempre?), a mãe demente que morre precocemente, duas tias à antiga, um grupo de amigos pouco ligados, uma mulher fria e distante e uma filha que pouca ternura tem pelos pais. Tudo isto revisitado na solidão de uma casa de família abandonada onde o narrador passou a infância e que escolhe para passar a sua velhice. No meio de tudo isto, a busca da palavra, a última que a sua mãe lhe segredou ao ouvido e que ele não entendeu. A palavra que tudo resumiria da vida. E no fim, a consciencialização de que essa palavra não lhe pertence e que aceita o seu destino, para sempre.
Grande livro. A literatura no seu melhor. Sobre o final da vida e a retrospectiva da mesma. A realidade nem sempre é o que foi. O que é a felicidade?Como encaramos o futuro quando ele pode ser curto, e como encaramos o passado que não é o que recordamos. A não perder para quem ama livros.
Um livro realmente especial. Difícil, na medida em que exige muito do leitor. Com mudanças constantes no tempo cronológico. Um homem recorda, revisita, antecipa, momentos da sua vida: passado, presente e futuro. É Vergílio Ferreira no seu melhor.
Este foi um dos livros mais desafiantes de ler que tenho memória. Faltou-me motivação para avançar num enredo que não encontrei, composto por uma narrativa confusa e perdida entre vários tempos distintos. É inegável que Vergílio Ferreira faz parte dos grandes autores portugueses do século XX, e o meu desejo de o ler surgiu disso mesmo. Terminado o livro, estou certo de que tao cedo não me aventurarei por outras obras do autor, sendo claro para mim que, onde outros encontraram a descrição genial da dor de um homem que está só e em final de vida, apenas consegui encontrar uma não-história enfadonha. Eventualmente, o defeito será meu... ou não.
Vou assumir: Vergílio Ferreira não é bem o meu estilo, as suas histórias são demasiado mórbidas, no entanto não há dúvida que o senhor escrevia muito bem. Sabe bem ler bom Português, as palavras encaixam, e por vezes a prosa quase de transforma em poesia. Em resumo: em relação a este livro tenho "mix feelings" (a ironia de ler um Senhor Escritor e não encontrar as palavras em português para descrever este sentimento!).
Tantas vezes o comecei a ler e tantas vezes não consegui passar da 3ª página. Quando não dá, não dá. Para uns uma obra prima, para mim um sacrifício...
"Apreender bem o sentido de uma vida que acabou, não está na tua medida de entendimento. Sempre mais um ano possível, um dia possível, uma hora. E logo, em atropelo, o futuro, que é uma variante modesta da eternidade."
"Eu estou-me nas tintas para todo esse mistifório de meninos mimados pela sorte. Quero lá saber do depois do depois. Quero é saber do agora, aqui, quero saber de problemas concretos, daqueles que se resolvem com as mãos, com os pés, no estômago."
"Tenho de remexer tudo o que trago dentro de mim, deitar fora o que não presta, apurar uma ou duas ideias com que vá vivendo e que me bastem para me cumprir."
"O dia acaba devagar. Assume-o e aceita-o. É a palavra final, a da aceitação."